====== APOLO E DIONISO ====== //[[ject|Cavalgar o Tigre]]// * O estabelecimento da regra para ser si mesmo exige a integração da regra para provar a si mesmo, distinguindo dois graus de realização que correspondem à estrutura dual do homem — sua determinação individual e sua dimensão de transcendência. * Diferenciação entre a forma individual e a abertura ao absoluto * Necessidade de experimentos para identificar a unidade interna em uma era de dissolução * Reconhecimento da natureza própria através do enfrentamento de alternativas existenciais * A descoberta da forma interna em tempos de crise demanda a busca por situações em que a natureza verdadeira seja compelida a manifestar-se, exigindo atos que brotem das profundezas e não de reações periféricas ou reflexos epidérmicos. * Rejeição da reatividade superficial típica do homem moderno * Necessidade de reaprender a ação ativa e típica * Disciplina da autoconsciência ou lembrança de si conforme ensinamentos tradicionais * A existência ordinária caracteriza-se por um estado de sucção ou automatismo sonambúlico, onde o indivíduo é absorvido por pensamentos, desejos e sensações externas, tornando-se uma mera sombra de si mesmo desprovida de sensações ou atos verdadeiramente ativos. * Crítica de G. I. Gurdjieff ao caráter automático da vida comum * Perda da consciência de si na interação com o mundo fenomenal * Desconhecimento do estado de ser no cotidiano profano * O enfrentamento de experiências incertas e perigosas sob a máxima do amor fati não implica obediência passiva a um destino fixo, mas a confiança transcendente de que cada evento é uma etapa necessária no seguimento do próprio caminho. * Interpretação de Karl Jaspers sobre o amor ao destino como intrepidez * Segurança interior diante do ambíguo e do arriscado * Consolidação da conduta através da segurança metafísica * A unificação do ser resolve-se no plano subordinado quando a vontade identifica e estabiliza a tendência central, organizando as inclinações secundárias em torno de uma lei própria, visto que a incapacidade de comandar a si mesmo conduz ao desastre. * Necessidade de síntese das discordâncias anímicas * O imperativo de obedecer a si mesmo após a conquista do comando interno * Prevenção da desintegração no vácuo existencial * A Ordem dos Ismaelitas ilustra o rigor da preparação para a liberdade absoluta, exigindo graus preliminares de obediência cega e sacrifício da vida antes que o iniciado pudesse assumir para si a premissa de que nada existe e tudo é permitido. * Hierarquia iniciática como antídoto à anarquia moral * Exigência de disciplina extrema para sustentar a verdade suprema * Contraste entre a liberdade de direito e a capacidade de exercê-la * O segundo grau da prova de si mesmo transcende o plano formal da individuação para buscar o núcleo incondicionado do Ser, resolvendo o problema do significado último da existência através de uma relação direta e absoluta com a transcendência. * Insuficiência da mera autonomia formal para fundamentar o sentido da vida * Identificação do núcleo unificado que não pertence à esfera vital * Transcendência percebida como raiz e consagração da natureza própria * A justificação absoluta da existência em um mundo sem sinais externos decorre da percepção da dimensão transcendente como a fundação do ser, sem a qual mesmo o caminho dos super-homens permanece vulnerável e limitado. * Destruição do estado de negatividade pela união com o absoluto * Superação da limitação inerente ao ser o que se é * Inacessibilidade da soberania interna às flutuações do mundo exterior * A união com o transcendente impede que a unificação do ser ocorra de forma patológica ou regressiva, como nos casos de fanatismo ou possessão por paixões elementares que escravizam as faculdades humanas a fins inferiores. * Risco da unidade psíquica operada por forças infra-individuais * Necessidade da prova de segundo grau para validar o centro supra-individual * Distinção entre a unidade no Ser e a fixação em impulsos passionais * A soberania interior exige uma ruptura de níveis que pode envolver violência contra si mesmo, demandando uma disposição sacrificial para permanecer firme no vazio e no informe, para além da simples autonomia da vontade. * A anomia positiva como estágio superior à autonomia * Prontidão para a destruição do eu humano em face do absoluto * Indeterminação dos resultados na confrontação com o não humano * O resultado positivo dessa experiência extrema anula o último limite, fazendo coincidir liberdade e necessidade, o que permite ao indivíduo adaptar-se invulneravelmente a um mundo deixado à própria irracionalidade e vacuidade. * Coincidência entre possibilidade e realidade no centro do ser * Centralidade irrestrita em situações de luz ou escuridão * Adaptação ao mundo caótico sem perda da essência espiritual * O conceito nietzschiano de Dionisismo sofre de contradições ao interpretar símbolos antigos via Schopenhauer, mimetizando a imanência divinizada e opondo-a erroneamente a um Apolinismo visto apenas como fuga contemplativa. * Crítica à interpretação naturalista de Nietzsche sobre os mistérios antigos * Identificação do caminho dionisíaco como ruptura ontológica de níveis * Unidade essencial entre as experiências de Dioniso e de Apolo * A orientação do homem integrado no encontro com a existência define-se como um Apolinismo Dionisíaco, no qual a estabilidade do Ser permite a abertura total a todas as possibilidades do devir sem o risco de perda da centralidade. * Possessão do centro no Ser como premissa para o mergulho no mundo * Abandono à experiência como meio de expansão e transformação * Estabilidade que precede e sustenta a imersão na contingência * A alma dionisíaca autêntica é aquela que, possuindo o ser, mergulha no devir e transfigura a existência, permitindo que o espírito se reconheça nos sentidos e que as experiências sensoriais se convertam em embriaguez de alta espiritualidade. * Transfiguração da realidade sem exclusão do domínio sensível * Superação da antítese entre espírito e matéria típica da moral religiosa * Imersão no mundo do acaso como aventura espiritual * A capacidade de abrir-se ao mundo sem perder-se constitui a via para dominar toda transformação, tornando a própria morte e os eventos externos estímulos para uma liberdade e potência cada vez maiores. * O ensinamento das Upanishads sobre a morte como parte do ser * Transcendência como transformadora das marés da vida * Prevenção da identificação intoxicada com a força vital ou com o desejo * A união do ser calmo com a substância da vida produz uma embriaguez lúcida e magnética, que é o oposto da expansão extática em direção às forças elementares ou ao novo paganismo naturalista. * Diferenciação entre a embriaguez esclarecida e a dissipação instintiva * Presença de espírito e clareza em cada evocação da realidade * Estabilidade e invulnerabilidade como soberania invisível no movimento * Este modo de ser exige liberdade em relação ao passado e ao futuro, manifestando-se como um ser em ação que prescinde do heroísmo romântico, da retórica individualista e de filosofias acadêmicas vazias sobre o ato. * Intrepidez de uma alma livre dos laços do eu inferior * Rejeição do pathos e do exibicionismo associados ao heroísmo moderno * Distância frente ao idealismo neo-hegeliano e suas abstrações sobre a ação