====== CAUSALIDADE ====== //[[ject|Cavalgar o Tigre]]// * O campo das atividades e realizações deliberadas exige uma orientação fundamentada em duas máximas tradicionais que definem a ação como um procedimento técnico e impessoal, desvinculado de flutuações emocionais ou do desejo pelos resultados. * Atuação sem apego ao sucesso, fracasso, vitória ou derrota * Exercício da "ação sem desejo" como manifestação de uma dimensão superior * Realização do que deve ser feito com aplicação superior à do homem condicionado * Conceito de "fazer o que precisa ser feito" de modo estritamente impessoal * A coexistência entre a imobilidade interna e a eficácia externa é sintetizada na máxima da "ação sem agir", em que o princípio do ser permanece como o sujeito imóvel e a força motriz que sustenta e guia a iniciativa do início ao fim. * Paradoxo extremo-oriental da não-ação na ação * Preservação da integridade do ser durante a execução de obras * O ser como guia invisível da conduta individual ativa * A linha de conduta ativa refere-se ao funcionamento da natureza própria no contexto de situações assumidas, onde o conteúdo do ato não provém de um vácuo de liberdade pura, mas da definição imposta pela lei interna natural. * Aplicação do "agir sem frutos" ao domínio da vocação individual * Subordinação da iniciativa externa à necessidade da natureza interior * Distinção entre a liberdade abstrata e a expressão do ser autêntico * Enquanto a atitude dionisíaca se volta para a confirmação de si no devir e no imprevisto, a orientação ativa foca na expressão externa e no comportamento pessoal, exigindo integridade e retidão mesmo em condições de fragmentação ou adversidade. * Máxima de ser inteiro no quebrado e reto no curvado * Superação das reações periféricas e reflexos passivos da sensibilidade * Identificação da ação profunda como "ser enquanto se age" * Qualidade invariável do ato, da obra artesanal ao comando de forças sociais * Valorização do trabalho bem feito como recompensa intrínseca conforme Charles Péguy * O desapego em relação ao prazer e à dor não deve ser confundido com um estoicismo moral árido, mas compreendido como a superação de uma decadência vital em que o hedonismo e o conforto tornam-se fins separados da moção natural da vida. * Crítica à imposição de deveres abstratos sobre impulsos naturais * Identificação do hedonismo como sintoma de cisão e perda de alma * Analogia entre a busca isolada pelo prazer e a depravação erótica * Prazer e dor como ideias destacadas que substituem o movimento vital saudável * É fundamental distinguir entre o prazer ardente, vinculado à passividade dos instintos e à satisfação momentânea do desejo, e o prazer heroico, que acompanha a ação decisiva oriunda do ser e da embriaguez superior. * O prazer ardente como marca da existência naturalística e da sede vital * Definição do prazer heroico como emanação de um plano superior à vida * Vínculo entre a felicidade heroica e a soberania do princípio espiritual * A regra da ação pura prescreve a indiferença apenas frente ao prazer naturalístico, permitindo que a atividade seja permeada por um vigor e fogo especiais sob a transparência de um princípio calmo e destacado. * Coexistência de vigor vital e destacamento metafísico * Transmutação do sensível no hipersensível via Dionisismo retificado * Possibilidade de qualquer objeto tornar-se suporte para o prazer positivo * Independência do significado interno da ação em relação ao seu conteúdo externo * O prazer heróico assemelha-se à satisfação que acompanha a perfeição de uma obra ou o exercício de uma habilidade mestre, na qual o esforço se transforma em uma espontaneidade de ordem superior e em uma espécie de jogo. * Analogia entre a ação perfeita e o prazer da maestria técnica * Transição do esforço disciplinado para a espontaneidade livre * Caráter lúdico da realização superior e da integridade do estilo * A ação pura não prescinde do conhecimento das condições objetivas e da causalidade, exigindo que o indivíduo considere as relações de causa e efeito para que a execução seja perfeita, independentemente do sucesso final. * Rejeição da ação cega em favor da eficácia técnica * Estudo das leis de concordância entre ações e reações * Primazia da perfeição do ato sobre a preocupação com o resultado * O homem integrado situa-se acima do plano moral através do conhecimento objetivo das causas, substituindo o conceito de pecado pelo de erro ou falha técnica, fundamentando sua conduta na transparência da inteligência e não em patologias da consciência. * Substituição da culpa pela análise das consequências fáticas * Inexistência de germinação espiritual para noções de lícito ou ilícito * Testagem objetiva da ação a partir de uma interioridade livre * A lei do karma corresponde a uma causalidade natural e neutra em todos os planos, desprovida de sanção moral, assemelhando-se às leis físicas que impõem consequências objetivas sem exigir obrigações morais prévias. * Extensão da lei de causa e efeito ao domínio existencial e espiritual * Aceitação livre das reações negativas inerentes a uma escolha arriscada * Exemplo do alpinista que aceita o risco climático sem conotação moral * Possibilidade de neutralização técnica de certas reações naturais * As reações emocionais de remorso ou satisfação são fatos psicológicos naturais decorrentes da unidade ou fragmentação do ser, e não devem ser interpretadas como sanções transcendentes por quem atingiu a verdadeira liberdade interior. * Remorso como sintoma de uma tendência profunda violada por impulsos secundários * Caráter puramente subjetivo e condicionado das sanções internas * Rejeição da mitologia moralista construída sobre fatos psicológicos * Unidade do ser como resultado de uma escolha e de um ato de vontade * Algumas tradições admitem a neutralização mágica das reações do karma para o indivíduo que extinguiu sua parte naturalística, operando em um estado de de-individualização ativa e neutralidade absoluta. * Possibilidade de impecabilidade e neutralidade interior frente ao binômio bem-mal * Superação das reações emocionais através da de-individualização * O ato de queimar a natureza individual como via de libertação das consequências * A eliminação do plano moral ocorre impessoalmente pela observação da lei de causa e efeito, substituindo o complexo de pecado, próprio das religiões de um deus pessoal, pela consciência do erro técnico ou da inoportunidade cósmica. * O pecado como formação patológica vinculada ao teísmo moral * Perspectiva de Frithjof Schuon sobre a distinção entre o vantajoso e o prejudicial nas tradições orientais * Sacrifício do agradável em favor do interesse espiritual sem classificação ética * Distância entre o rigor da abnegação e o moralismo convencional * O indivíduo para quem a liberdade não é ruína possui uma visão da realidade despojada de projeções subjetivas e superestruturas teístas, retornando ao ser puro e extraindo sua regra da própria natureza nua. * Redução da visão de mundo à realidade pura e objetiva * Assunção da natureza própria como lei de conduta * Função da regra como ordenador frente a tendências divergentes residuais * O regime de experimentos em dois graus permite o conhecimento de si como ser determinado e como portador da transcendência, sendo esta última a única base para um sentido de vida incondicionado em meio à dissolução. * Prova da individuação e prova da dimensão supra-individual * Transcendência como fundamento último da lei própria * Solução do problema do significado via assunção do ser em função do absoluto * A conduta frente ao mundo define-se por uma abertura intrépida e um desapego unido, caracterizando um Apolinismo Dionisíaco em que a intensidade da vida alimenta o princípio calmo da transcendência interior. * Integração do estado dionisíaco com a estabilidade apolínea * Manifestação de si através de obras impessoais e sem desejo * Estilo de envolvimento total no ato sem apego ao objeto * A embriaguez lúcida e magnética substitui a animação que outrora proviria de um ambiente tradicional, opondo-se tanto ao racionalismo quanto ao novo paganismo que busca o êxtase na simples animalidade ou na vitalidade cega. * Necessidade vital da embriaguez esclarecida no mundo caótico * Rejeição da busca por substitutos emocionais na base vital do bios * Diferenciação entre a presença de espírito e a dissipação instintiva * As referências a pensadores modernos como Nietzsche servem apenas como um elo oportuno para abordar o niilismo europeu, podendo ser dispensadas em favor das doutrinas esotéricas da Tradição que fundamentam toda a investigação. * Caráter instrumental das categorias filosóficas contemporâneas * Intenção de dialogar com quem busca superar positivamente o mundo sem Deus * Antecipação do exame do existencialismo como corrente mística e confusa antes da análise de setores culturais específicos.