====== SER E EXISTÊNCIA ====== //[[ject|Cavalgar o Tigre]]// * O existencialismo contemporâneo apresenta-se sob duas formas distintas: uma vertente acadêmica e filosófica, restrita a círculos intelectuais, e uma vertente prática e anticonformista que se tornou voga no pós-guerra, simbolizada por figuras como Jean-Paul Sartre nos ambientes de Saint-Germain-des-Prés. * Diferenciação entre o existencialismo de cátedra e o existencialismo de costumes * O papel de Jean-Paul Sartre como catalisador da rebeldia juvenil parisiense * Valor das duas correntes como índices sintomáticos da crise do mundo moderno * Ambas as formas de existencialismo possuem valor como sinais dos tempos, sendo que a vertente prática, apesar de seu caráter esnobe, manifesta uma conduta anticonformista que contrasta com o estilo de vida pequeno-burguês mantido pela maioria dos filósofos profissionais. * A "geração em risco" como expressão viva da crise existencial * Incongruência entre o discurso acadêmico da crise e a vida burguesa dos professores * Vantagem da vivência pessoal sobre a teorização abstrata na percepção da realidade contemporânea * A análise aqui proposta não visa o debate especulativo sobre a verdade das teses existencialistas, mas o exame de seus motivos típicos como testemunhos indiretos da sensação de existência de um certo tipo humano, estabelecendo uma linha divisória para evitar confusões terminológicas. * Rejeição da discussão filosófica formal em favor do significado existencial * O existencialismo como reflexo discursivo de uma condição humana específica * Necessidade de distinguir as posições da Tradição das teorias existencialistas modernas * Os filósofos existencialistas assemelham-se a Nietzsche por serem homens modernos, desprovidos de conexão com o mundo da Tradição e limitados pelas categorias do pensamento profano e abstrato do Ocidente. * Caráter desenraizado e profano do aparato filosófico existencialista * Crítica a Karl Jaspers pela confusão entre metafísica e misticismo * Hostilidade de Jaspers a qualquer autoridade espiritual ou obediência sagrada * Uso de terminologia arbitrária e de abstrusa obscuridade, particularmente em Heidegger * O existencialismo afirma o primado ôntico-ontológico do ser concreto, estabelecendo que a existência precede a essência e vinculando o indivíduo à sua situação específica no espaço, no tempo e na história. * Definição de essência como julgamento, valor ou nome subordinado ao fato de ser * O conceito de ser-aí ou ser-aqui (Dasein) em Heidegger * Indissociabilidade entre o ser e o estar-no-mundo como constituinte humano * Recusa da autoindulgência e da mistificação através do reconhecimento da situação * O motivo básico da precedência da existência sobre a essência confirma a direção de buscar suporte na própria natureza e lei, rejeitando normas universais e abstratas em um clima de dissolução generalizada. * Convergência com a rejeição de doutrinas normativas e universais * A "elucidação" (Erhellung) de Jaspers como busca da verdade no fundamento do ser * A impossibilidade de sair do círculo da existência, devendo-se nele permanecer de forma correta segundo Heidegger * A oposição entre autenticidade e inautenticidade descreve o estado de fuga de si mesmo no cotidiano anódino, caracterizado por falatórios e mentiras, enquanto a existência autêntica surge da percepção do vazio sob a vida social. * Caracterização da vida cotidiana como inautenticidade e "queda" * A fuga para as platitudes e diversões escapistas como forma de tranquilização * Retorno ao problema do ser profundo através do reconhecimento da insignificância moderna * A afinidade entre o existencialismo e as posições tradicionais é relativa, pois a filosofia moderna hipervaloriza a situação, considerando o ser-no-mundo como um elemento acidental impossível de ser superado pelo Eu. * Supervalorização da situationalidade em Heidegger, Jaspers e Marcel * Limitação do pensamento diante da "situação-limite" * Oposição ao conceito tradicional de destacamento interior que minimiza a contingência do mundo * Existe uma incongruência no existencialismo ao tentar romper o fechamento individual sem possuir as bases para a superação da imanência, problema que já se manifestava em Søren Kierkegaard ao definir a existência como o ponto paradoxal entre o finito e o infinito. * Kierkegaard como pai espiritual da ambiguidade existencialista * Co-presença mútua e excludente entre o temporal e o eterno na Existenz * Necessidade de referir a análise a tipos humanos específicos em vez de ao homem em geral * Uma vertente do existencialismo poderia conduzir a um antiteísmo positivo, no qual Deus é percebido não como objeto de fé, mas como uma presença de liberdade e transcendência no centro do próprio Eu. * A certeza de Deus vinculada à autenticidade da existência segundo Jaspers * Identidade misteriosa entre o centro do indivíduo e o centro do Ser * Superação da dicotomia entre crente e ateu através da presença vivida * O exame inicial das ideias existencialistas permite validar o reconhecimento da estrutura dual de um certo tipo humano e a admissão de uma presença superior que rompe o plano da vida biológica. * Destaque para a dualidade entre individuação e transcendência * Rompimento da superfície vital para a entrada de uma presença mais alta * Persistência de problemas fundamentais que o existencialismo permanece incapaz de resolver