====== MITO SOCIOECONÔMICO ====== //[[ject|Cavalgar o Tigre]]// * O niilismo contemporâneo manifesta-se de forma mais perigosa e abrangente sob o manto dos mitos socioeconômicos da prosperidade ocidental e da ideologia marxista, operando como uma anestesia coletiva que oculta a perda do sentido da existência atrás de uma euforia do naufrágio. * Identificação do niilismo nas estruturas de massa, superando em escala os grupos extremistas * Crítica à historiografia que interpreta a dissolução europeia como progresso humano * Natureza dialética entre o mito do bem-estar ocidental e o dogmatismo comunista * O mito comunista apresenta-se como uma polêmica grosseira contra a crise espiritual, reduzindo-a a uma mera superestrutura da decadência burguesa e prometendo um novo humanismo através da alteração do sistema de produção e da abolição do capitalismo. * Atribuição da crise de valores ao sistema econômico capitalista * Promessa marxista de reapropriação da essência humana via coletivismo * Proposição da sociedade sem classes como panaceia para a lesão existencial * A implementação radical do mito socioeconômico exige uma espécie de lobotomia psíquica metódica, destinada a infantilizar a sensibilidade superior e a neutralizar qualquer interesse que não seja redutível a processos materiais ou produtivos. * Neutralização sistemática do pensamento transcendente * O esvaziamento interior como o mais terrível ópio administrado à humanidade * Equivalência entre a doutrinação coletivista e a euforia tecnológica do Ocidente * Existe uma convergência espiritual entre o ideal proletário e a sociedade de consumo ocidental, onde a prosperidade alcançada por vastas camadas sociais realiza, na prática, o horizonte de conforto material que o marxismo reivindica, revelando a identidade de metas entre ambos os sistemas. * O clima de prosperidade ocidental como realização antecipada do ideal de vida proletário * Identidade de horizontes entre a homogeneização socialista e o conformismo capitalista * Crítica ao erro de supor que a miséria existencial decorre da carência material * A ausência de correlação entre bem-estar econômico e plenitude espiritual é demonstrada pelo fato de que as virtudes superiores definham em condições de facilidade excessiva, sendo muitas vezes a adversidade o estímulo necessário para o despertar das energias criativas de uma civilização. * Inexistência de nexo entre miséria material e espiritual * Crítica ao ideal animal de felicidade bovina proposto pelas massas * Referência à tese de Toynbee sobre o desafio ambiental como motor civilizacional * Necessidade de não permitir que a precariedade social oculte a precariedade ontológica da condição humana * As manifestações mais agudas da crise existencial ocorrem precisamente nas margens da civilização da prosperidade, evidenciadas pela revolta de jovens abastados e pelos índices estatísticos que apontam maior incidência de suicídio em países ricos do que em nações pobres. * Rebelião e náusea em estratos sociais desprovidos de privação material * Dados estatísticos sobre a incidência de suicídio em contextos de abundância * O desespero como resíduo inevitável no estágio terminal do messianismo socioeconômico * O exemplo histórico do Buddha Shakyamuni ilustra que a denúncia radical da vacuidade da existência não provém da opressão ou da fome, mas sim de um indivíduo de linhagem principesca em plena posse de poder e juventude, situando o problema no plano metafísico e não social. * O despertar espiritual como ato independente de carências econômicas * Oposição entre o chamado aristocrático do Buddha e o apelo plebeu do cristianismo primitivo * Caracterização do mito socioeconômico como profilaxia contra a insignificância da vida moderna * O movimento de protesto global reconhece a similaridade tecnológica e niveladora entre o sistema comunista e o capitalista, porém carece de um princípio superior, resultando em uma revolta irracional e histérica que busca refúgio em minorias marginalizadas ou no submundo. * Percepção da convergência entre o bloco soviético e a sociedade de consumo * Aceitação das limitações da liberdade em troca do conforto do sistema * Natureza anárquica e vácua da revolução do underground * Metáfora das vespas enlouquecidas presas em um frasco de vidro * A psicanálise atua como uma ciência de contaminação que completa a dissolução das superestruturas morais ao reduzir a vida da alma a impulsos subconscientes irracionais, substituindo a busca pela genealogia dos valores por um método cínico de exploração do inconsciente. * Desqualificação da dignidade autônoma da moralidade via psicologia profunda * Redução da consciência ao conflito entre o princípio do prazer e o instinto de morte * O freudismo como sintoma de uma consciência doentia e incapaz de reger as regiões inferiores da alma * A literatura contemporânea, exemplificada por Kafka, reflete a percepção de uma existência espectral sob um destino incompreensível e uma solidão eterna, o que não constitui uma descoberta de profundidade, mas o mero reflexo da atmosfera de uma humanidade formada após a morte de Deus. * A spectralidade da existência e a condenação absurda como temas literários * O vazio e a escuridão como fundamento percebido da vida humana * Caráter puramente niilista das visões de mundo pós-teológicas