====== VIDA ====== //[[ject|Cavalgar o Tigre]]// * O fundamento elementar para a transmutação dos aspectos positivos da dissolução reside na posse de uma diretriz fundamental e de uma dimensão existencial ausente no tipo humano predominante da modernidade, a saber, a dimensão da transcendência. * Diferenciação entre a substância mutável da massa e a unidade interna do homem de tradição * Identificação da transcendência como componente essencial para a superação do nada * Presença de impulsos secundários que não anulam a "dominante" da personalidade * A obra de Nietzsche exemplifica a ação inconsciente da dimensão transcendente, o que explica o caráter contraditório de suas afirmações e permite integrar seu pensamento sem recair em um naturalismo simplista. * Nietzsche como vocacionado para a destruição de valores e superação do ponto zero * Atuação da energia transcendente como sujeito oculto em sua filosofia * Reconhecimento da transcendência como chave para evitar a interpretação puramente fisiológica * A solução para a visão absurda da vida, que consiste na afirmação de que o sentido reside na própria existência, só possui validade para um ser cuja constituição essencial inclua a transcendência como componente ontológico. * Inexistência de sentido externo à vida como pressuposto de força * Dependência da qualidade do ser para a validade do mito do eterno retorno * Crítica à aplicação universal dessa solução a tipos humanos ordinários * A vontade de poder, longe de ser uma característica geral da vida, é o reflexo de uma vocação particular projetada como visão de mundo, contrastando com a vontade de viver schopenhaueriana que prevalece na maioria dos seres como desejo inexaurível. * A vida que supera a si mesma como projeção de uma natureza excepcional * Contradição entre a vontade de poder ascendente e o instinto de conservação biológica * Caráter subjetivo e não objetivo da teleologia nietzschiana * A incompreensão de Nietzsche sobre a dimensão superior que atuava em si gerou uma oscilação trágica entre a exaltação naturalista dos instintos e a percepção do espírito como uma força que corta e nega a própria vida biológica. * Perigo da afirmação absoluta dos instintos como servidão da vontade * O espírito definido como o princípio superior que se volta contra a vida (Geist ist das Leben, das selber ins Leben schneidet) * Dualidade entre a rendição à physis e a disciplina de um princípio transcendente * Os aspectos positivos do super-homem, como a capacidade de ditar a própria lei, o ascetismo livre e o domínio das paixões, são valores que o homem de tradição reconhece como próprios, sendo atingíveis apenas quando a vida é percebida como algo mais que vida. * Poder de recusa e inação diante de tensões externas * Aceitação do obstáculo e da dor como testes de resistência da vontade * Distinção entre grandeza de caráter e a simples ausência de paixões * Afirmação da liberdade como indiferença às privações e à própria finitude * Superação da imagem da "besta loira" em favor da generosidade e magnanimidade * A confusão entre o sagrado e o profano na filosofia de Nietzsche resulta de sua polêmica anticristã, mimetizando valores de dignidade e responsabilidade com impulsos de animosidade e vingança sob uma única rubrica de afirmação vital. * Misturança entre ideais de distância aristocrática e a apoteose das paixões * Crítica à enumeração indiferenciada de virtudes intelectuais e instintos belicosos * Identificação das consequências negativas da redução de valores à imanência * A tentativa de fundamentar um ascetismo como fim em si mesmo, sem referência a uma dignidade superior ao humano, corre o risco de converter a disciplina em um mero auto-sadismo ou em uma busca desesperada por sensações exasperadas de si. * Risco de fechamento da experiência no campo da sensação bruta * O perigo do "Dionisismo" como intensificação selvagem do eu * Conexão entre essa falha teórica e as experiências desastrosas das gerações contemporâneas * A experiência pessoal de Nietzsche, marcada pelo impulso incoercível de superação e pela quebra de todos os vínculos, manifesta a ação de uma transcendência que, ao permanecer enclausurada na imanência, gera uma voltagem superior à que o circuito humano pode sustentar. * O impulso de movimento puro como forma de manifestação do transcendente * Causa profunda do colapso psíquico de Nietzsche no conflito entre energia e limites * A sensação de viver perigosamente como sintoma de uma máquina prestes a explodir * O caso de Nietzsche serve como índice simbólico para o tipo humano em que a transcendência despertou, mas permanece descentrada, antecipando os temas fundamentais do existencialismo contemporâneo. * Nietzsche como figura exemplar do despertar transcendente sem eixo * Paralelismo entre a crise nietzschiana e as angústias do pensamento existencial * Necessidade de uma demarcação clara para o homem que possui outra constituição * Para aqueles que seguem o caminho da afirmação absoluta sem a raiz tradicional, a única solução salvadora reside em uma ruptura ontológica de nível, onde o viver mais (mehr leben) seja transmutado em um mais que viver (mehr-als-leben). * Possibilidade de mudança de polaridade em situações extremas * Referência à expressão de Georg Simmel sobre a qualidade da vida superior * Alcance de uma qualificação análoga à do tipo humano não moderno * Tentativas contemporâneas de abertura à transcendência, como o interesse da Geração Beat pelo Zen, exigem uma iluminação súbita (satori) para evitar que o despertar de energias superiores no mundo sem Deus conduza inevitavelmente ao abismo. * O Zen como referência para a ruptura de nível existencial * Crítica ao romantismo dos "santos malditos" e criminosos angelicais * O abismo como destino para a transcendência ativada sem direção * A solução positiva definitiva consiste na transição do plano dionisíaco para uma superioridade espiritual simbolizada pelo ideal Apolíneo ou Olímpico, representando a antítese de qualquer regressão religiosa ou devocional. * Superioridade espiritual como única via que não implica retrocesso * Rejeição das "conversões" de intelectuais incapazes de sustentar a tensão niilista * Caráter não devocional da solução proposta pelo homem de tradição