====== SHAKTI: MUNDO COMO PODER ====== //[[jeip|Ioga do Poder]]// * A nova forma da metafísica tântrica a partir da ideia antiga da Devi como princípio hermenêutico supremo * A concepção da Devi, ou Grande Mãe, como divindade suprema e princípio fundamental. * O princípio da realidade como energia multiforme e poder atuante * A realidade (Wirklichkeit) como derivada da ação (wirken), análoga ao princípio tântrico. * A subordinação ontológica da noção de "pessoa", incluindo Ishvara, perante o poder (shakti). * A negação shakta radical de um princípio distinto da potência que o fundamenta. * As semelhanças e transformações do Tantrismo em relação aos sistemas metafísicos hindus anteriores * A transcendência do brahman impessoal em relação aos conceitos de ser (sat), não-ser (asat) e à divindade pessoal (Ishvara). * A identificação da Shakti tântrica com o brahman, resultando na perda dos seus traços femininos específicos. * A subordinação das funções de geração e criação, próprias de Brahma, perante o princípio abissal do brahman. * A caracterização da Shakti com os atributos do brahman * A Shakti como realidade una e sem segunda (advaya), origem e sustentáculo de todos os seres. * A citação que afirma: "Tu és todo poder. É pelo teu poder que nós somos poderosos". * A Shakti como raiz da existência finita, manifestação dos mundos e mãe dos deuses, sendo o Parabrahman supremo. * A Shakti como princípio único e soberano em relação à trimurti * A citação que estabelece: "É somente pelo Teu [da Shakti] poder que Brahma cria, Vishnu mantém e, no final das coisas, Shiva destrói o universo". * A afirmação de que a Shakti sustenta tudo sem ser sustentada, sendo pura e, embora possuindo forma, sempre informe. * A transformação da Shakti em Parashakti e o encontro com a metafísica upanishádica ariana * A designação Parashakti para enfatizar a supremacia incontestável do princípio. * A transformação da concepção pré-ariana da magna mater em "aquela que mora em tudo na forma de poder" (Shaktirupa). * A liberdade da manifestação da Shakti como jogo (lila) e a simbolização da dança * A crítica à noção de manifestação necessária, contrastando com a liberdade da Shakti: "Tu és poder. Quem te poderia dizer o que fazer ou não fazer?". * A caracterização da essência da Shakti como jogo (lilamayishakti) e o seu nome como "a brincalhona" (lalita). * A assimilação do simbolismo do deus dançarino (Nataraja) pela Shakti, representada com um halo flamejante. * A articulação das teses do Shaktismo radical e a assimilação do Sankhya * O reaproveitamento da metafísica do Sankhya e a reavaliação da doutrina da maya no período de Shankara. * A exposição do dualismo Sankhya entre purusha (espírito imutável) e prakriti (natureza em devir). * A criação como resultado da quebra do equilíbrio dos gunas em prakriti pela reflexão catalisadora do purusha. * A condição caída (avidya) como identificação do purusha com o eu elemental (bhutatman). * A síntese tântrica do paradigma purusha-prakriti como diferenciações da Shakti * A reinterpretação de purusha e prakriti como formas da Shakti, correspondendo a Shiva e à sua contraparte, respectivamente. * A geração do universo pela união (maithuna) de Shiva (princípio estático) e Shakti (princípio dinâmico). * A superação da ideia de manifestação como explosão centrífuga de uma energia indiferenciada. * A iconografia tântrica da relação entre os princípios Shiva e Shakti * O símbolo da dança de Shakti sobre o corpo imóvel de Shiva, representando a imobilidade ativa versus a atividade passiva. * O simbolismo do maithuna viparita, com o homem imóvel e a mulher em movimento, ilustrando o princípio masculino como "ser" soberano. * A crítica à inversão dos axiomas "ativistas" ocidentais sobre a verdadeira virilidade. * A doutrina de Shankara e o problema insolúvel da maya no Vedanta Advaita * A rigorosa oposição de Shankara entre o mundo cambiante (irreal) e o nirguna-brahman (real). * A introdução da maya como causa irracional (anirvakya) da aparência do mundo, sem relação com o brahman. * A solução pela perspectiva dupla: empírica (vyavakarthika) e absoluta (paramarthika), onde a maya desaparece. * A dificuldade remanescente de explicar a origem da ignorância (avidya) e da perspectiva relativa no seio do brahman único. * A crítica tântrica à maya vedântica e a sua redução à maya-shakti * O argumento de que a irrealidade do samsara pressupõe um poder superior que o fundamenta. * A solução tântrica: relacionar a maya a um poder, a maya-shakti, manifestação da Parashakti. * A reinterpretação de maya como "magia" criativa e eficaz, em vez de ilusão enganadora. * A citação que defende que a ideia de Shakti é um guia mais seguro para o Deus adorado do que a ideia nebulosa de atman. * A eficácia do karma como contraponto à negação da realidade do mundo * A afirmação de que o poder da ação (karma) força o jiva a acreditar no universo dualista contra a sua vontade, até que a distinção eu-não eu seja abolida. * A metafísica tântrica para o sadhaka: superação do dualismo e da ilusão * A substituição do dualismo pela díade da manifestação livre, resultando numa "imanência transcendência". * A caracterização de Shiva como "o nu" (digambaram) e, simultaneamente, como aquele cujo corpo preenche o universo. * A representação de Shiva como senhor das paixões, imerso no vórtice mas livre e invulnerável. * A finitude como problema resolvido quando relacionada a um poder que a determina. * O movimento da manifestação da Shakti: projeção centrífuga e retorno centrípeto * A manifestação como "proceder de" (prasarati) um estado de estabilidade estática, um projetar-se para fora. * A fase do estado cognitivo voltado para fora (bahir-mukha), impulsionada por um anseio ou Eros cosmogônico (pravritti-marga). * O papel negativo da maya-shakti como "poder de medir" que cria determinações, inerente ao qual está a ignorância (avidya). * A fase ascendente de retorno (nivritti-marga) e reconhecimento de si, na qual Shiva reassume o controle sobre Shakti. * A expressão da autorrealização através de Shiva e Shakti * A fórmula do Kashmir: "Shakti é como um espelho puro através do qual Shiva experimenta a si mesmo". * A análise da palavra "eu" (aham), onde 'a' representa Shakti, 'ha' representa Shiva, e o conjunto simboliza a autoridentificação ativa. * A analogia com a sílaba AUM no Tibete, também significando "eu", simbolizando as potências da manifestação. * A doutrina das duas idades ou aspectos da manifestação: criação e retorno * A relação com as duas vias (Mão Direita e Mão Esquerda): a criativa (branca, com Uma e Gauri) e a de retorno (negra, com Durga e Kali). * A afirmação do Mahakala-Tantra: o equilíbrio é samsara, a predominância da Mão Esquerda é liberação. * A interpretação do papel de Kali como negação da negação * A iconografia de Kali: negra, nua, com colar de cabeças cortadas, simbolizando a transcendência sobre o manifesto. * A etimologia de Kali como "aquela que devora o tempo" (kala). * As cinquenta cabeças como símbolo das potências cósmicas (matrika) removidas da sua natureza elementar. * A ação de Kali (vikvasamghera) como poder de Shiva para transcender as formas. * A identidade entre nirvana e samsara na realização suprema * A distinção entre a reabsorção cósmica cíclica (pralaya) e a mudança de polaridade na experiência do ser. * A experiência do ser como "informe mas dotado de toda forma" (ruparupa-prakasa). * A afirmação do Kularnava-Tantra: o mundo e o samsara tornam-se o verdadeiro lugar da liberação. * A concordância com a verdade do Mahayana sobre a identidade entre nirvana e samsara. * Os quatro estados do Atman segundo as Upanishads na perspectiva tântrica * O estado de vigília (exterioridade) e o estado de sonho (shaktis produtivas, tajasa). * O estado de sono profundo (prajna, unidade das energias, personificada por Ishvara). * O quarto estado (turiya) que consome o mundo fenomênico e "devora Ishvara". * Os estágios da afirmação do mundo pelo Atman segundo a Nrisimha-Uttara-Tapanya-Upanishad * O Atman como "contido" (ati) na matéria da sua experiência (função da maya-shakti). * O Atman como "aquele que afirma" (Anyatri), doando ser ao mundo. * O estágio da pura afirmação (anujna) e o estágio supremo (avikalpa) de conhecimento não objetivante (anubhuti). * A visão idêntica à prajnaparamita: "Verdadeiramente não há desaparecimento nem devir. Não há ninguém que ate, ou que aja, ou que precise de liberação, ou que seja liberado". * A matéria como fundo do processo extrovertido e resultado da autoidentificação extrema * A matéria como pensamento do "outro" em estado condensado, gerado pela consciência que, ao pensar o outro, se torna outro. * A ignorância (avidya) oriunda do desejo como causa da aparente atualidade da natureza. * A citação de Mestre Eckhart: a pedra é Deus, mas não o sabe, e a falta dessa consciência a faz ser pedra. * A hierarquia de seres como reflexo dos degraus do processo ascendente * A superação das paixões materiais e o surgimento de formas de vida cada vez mais conscientes e livres. * O limite no estado em que o espírito existe como é em si mesmo (atmasvarupi). * A Shakti como Tara, "aquela que confere liberdade", revelando o perfeito e absoluto no aparentemente imperfeito e finito. * A experiência do mundo como dependente do grau de avidya individual e do domínio sobre a maya-shakti * A presença de Shiva como princípio em cada indivíduo, senhor da função maya-shakti. * A passividade perante a maya-shakti como impedimento para experimentar o mundo como liberação. * A formulação do Kularnava-Tantra e o insight profundo do Mahayana sobre a coextensividade da liberação e do mundo condicionado. * A síntese suprema como equilíbrio de chama pura e a natureza dos seres finitos * A comparação da síntese suprema com uma chama que consome a matéria e se torna ato puro. * A inadequação na relação entre maya-shakti e shiva-shakti como raiz da materialidade e do condicionamento. * A identificação de shiva-shakti com o unificado, transformado, transparente e luminoso (atman), em contraste com a Shakti como potência não atualizada (matéria, corpo, alma). * A diferença entre Ishvara/Shiva (que domina a maya) e o jiva (que é dominado por ela), sendo metafisicamente a mesma coisa. * A intenção de reconciliação do Tantra entre o monismo e a experiência dualista * A conciliação da verdade transcendental não dual (Advaita) com a experiência dualista concreta. * A concepção do brahman como unidade atual de Shiva e Shakti, superando o purusha e prakriti do Sânquia. * A noção de shakti como mediadora entre o eu e o não-eu, o condicionado e o incondicionado. * A citação do Kularnava-Tantra onde a Parashakti afirma que os que conhecem a sua verdade transcendem o dualismo e o não-dualismo.