====== TEORIA MAGNÉTICA DO AMOR ====== //[[sexo|METAFÍSICA DO SEXO]]// * A atenção volta-se para o domínio intermediário do Eros a fim de evidenciar seu substrato elementar mediante uma investigação metafísica entendida como conhecimento do lado hiperfísico e invisível do ser humano, uma vez que o Eros não se explica pelo finalismo biológico, pelo impulso genésico ou pela ideia isolada de prazer. * O exame inicia-se pelo substrato elementar do sexo. * "Metafísica" designa o conhecimento do lado hiperfísico e invisível do ser humano. * O Eros não se reduz à função reprodutiva nem ao prazer como fim autônomo. * O Eros deve ser considerado como estado diretamente determinado pela polaridade dos sexos, análogo ao campo magnético criado por dois polos, fenômeno que se explica por si mesmo e que corresponde ao ensinamento tradicional do Extremo Oriente sobre a energia tsing derivada da polaridade yin e yang. * A polaridade sexual determina o Eros como os polos determinam o magnetismo. * Trata-se de fenômeno elementar que não depende de explicações empíricas externas. * O Extremo Oriente ensina que a energia tsing nasce da polaridade yin e yang. * O tsing especifica a força vital tsri e cresce conforme o grau de yang no homem e de yin na mulher. * A força magnética tsing possui contrapartida psicológica no estado de vibração e desejo do eros humano, que provoca deslocamento inicial da consciência de vigília e fundamenta costumes que reconhecem o perigo da simples presença isolada entre homem e mulher, manifestando-se em graus crescentes até a união física, acompanhados de modificações sutis no organismo. * O tsing induz vibração e desejo que alteram a consciência comum. * A simples presença já suscita o grau elementar dessa força. * A proibição de intimidade isolada baseia-se nesse magnetismo. * O contato físico intensifica o fenômeno. * A penetração constitui o grau limite da experiência amorosa ordinária. * Respiração, sangue e estado psíquico sofrem modificações correlatas. * Afirma-se a existência de uma magia natural do amor como fato hiperfísico positivo confirmado pela sabedoria popular por meio de termos como "fluido" e "fascínio", este último ligado ao fascinum da Antiguidade e integrado às teorias amorosas do Ocidente até a Renascença em autores como Lucrécio, Avicenna, Ficino e Della Porta. * A magia amorosa aparece mesmo nas formas mais primitivas de humanidade. * A linguagem popular fala de um "fluido" na atração entre os sexos. * "Fascínio" deriva de fascinum, termo técnico antigo para encantamento. * A concepção magnética do amor integrou teorias ocidentais até a Renascença. * Ficino associava a febre amorosa a infecção do sangue provocada pelo olhar, análoga ao "mau olhado". * A ação do olhar acende o estado fluídico tsing que invade o sangue, fazendo com que o amante traga a amada no sangue segundo uma doutrina transfisiológica tradicional que considera o sangue como grande agente simpático da vida e primeira encarnação do fluido universal. * O olhar desencadeia inicialmente o estado fluídico. * O amante passa a trazer a amada no sangue, independentemente da distância. * Expressões universais dos amantes confirmam essa experiência. * O sangue, nas tradições antigas, remete a uma doutrina transfisiológica. * O sangue é visto como substrato da luz magnética e da força vital materializada. * C. Mauclair, em sua teoria magnética do amor, supera a antítese entre físico e espiritual ao situar a experiência erótica num plano intermediário onde ambos se fundem, explicando a hiperestesia do casal e o caráter inexplicável da escolha amorosa conforme ensinamentos tradicionais sobre a estrutura magnética do Eros. * Mauclair dissolve a oposição entre carne e alma na experiência erótica. * O amor ocorre em plano intermediário de fusão e superação. * A hipótese magnética esclarece a hiperestesia do casal. * Beleza ou inteligência subordinam-se à razão essencial magnética inexplicável. * Lolli distingue o amor magnético dos amores platônico e sensual. * Sem o "fluido" não há atração; cessado ele, resta apenas afeto ou hábito. * Os amantes desenvolvem espontaneamente técnica para ativar e alimentar essa magia, processo descrito por Stendhal como "cristalização" e que corresponde psicologicamente ao monoideísmo ou imagem coativa, concentração obsessiva que Andreas Capellanus definiu como agonia derivada da meditação extrema sobre pessoa do sexo oposto. * A magia pode ser cultivada pelos próprios amantes. * A "cristalização" designa a concentração imaginativa sobre a amada. * Psicologicamente trata-se de monoideísmo ou imagem coativa. * A concentração é automática e pouco racionalizável. * Perguntas recorrentes entre amantes revelam seu valor como medida do amor. * Andreas Capellanus define o amor como agonia oriunda de meditação extrema. * Eliphas Levi explica a fascinação amorosa como embriaguez causada pela congestão da "luz astral", identificada à Lux naturae de Paracelso, ao âkâça hindu e ao aor da cabala, fundo hiperfísico da vida cuja ativação produz imaginação mágica essencial à dinâmica entre os amantes. * O encontro das atmosferas magnéticas gera embriaguez de luz astral. * A luz astral corresponde ao fundo hiperfísico da vida. * A congestão dessa luz é contrapartida objetiva da exaltação. * Pode ser experimentada em estados não ordinários de consciência. * A imaginação mágica atua mais decisivamente que o pensamento discursivo. * Definições de Chamfort e expressões como "sonho de amor" indicam esse desvio exaltado da consciência.