====== ILHA — ILHA SANTA PRIMORDIAL ====== //[[..:pgim:start|L’image du monde dans l’Antiquité]]// Segundo todas as tradições, a ilha santa primordial se situava a noroeste da Europa. Ela levava diferentes nomes: Tula, a Thulé dos gregos, — Ogygie, ogh iagh = ilha sagrada, — Elixioia, Ilha de Cristal, — Ilha das Maçãs — Ilha dos Quatro Mestres; para os escandinavos, era a Asgard, a Odainsakr, etc. Ela teve, em todos os países, sucursais: dito de outro modo, ilhas sagradas se constituíram em grande número segundo o modelo da Ilha Santa. Quando a Grande Montanha neolítica foi fundada na região armênia-caucasiana, ela foi assimilada, dissemos, à ilha sagrada, que ela reorganizou, e com a qual ela se confundiu ontologicamente. Tinham-se assim duas Ilhas principais, uma a oeste, a outra a leste. Tinha-se, por outro lado, nas comunidades matriarcais, «ilhas das mulheres», onde sacerdotisas, hipóstases da Mãe Divina, presidiam aos ritos iniciáticos: elas santificavam os jovens pela união hierogâmica, depois de tê-los revestido de peles animais sacralizantes. Estas «ilhas de mulheres» foram estabelecidas por vezes na vizinhança de territórios sagrados ocupados pelos homens; e o grupo masculino, embora vivente aparte do grupo feminino, permanecia em simbiose com ele: havia uma reunião quando da grande festa iniciática anual. Estas sociedades bipartites ou dualistas entram no amazonismo. Os mais antigos documentos gregos mencionam duas ilhas fundamentais: a ilha Æaia ou Æa, sobre a qual reinava Circe; segundo Estrabão, esta ilha, idêntica a Aia ou Æa que governa Æetes, irmao de Circe, se situa a leste; — a segunda ilha, Ogygie, reino de Calipso, se estende, ao contrário, a oeste; segundo Homero.ela está isolada no meio do Oceano, aparte de todo habitat humano, e os deuses eles mesmo hesitam a ir aí; na mesma direção se encontra a ilha de Scheria, onde residem os Feacianos; aqueles estão mais próximos dos deuses e frequentemente estes últimos vêm tomar parte em seus festins; suas naves são mais rápidas que a asa ou o pensamento; «sem piloto nem timoneiro como as outras naves, eles sabem os pensamentos dos homens e seus desejos» . Lidamos certamente com seres transcendentes, muito próximos dos Hiperboreanos, cuja morada está nas mesmas paragens (além de Bóreas; além do pais dos Citas, escreve Heródoto). ==== Ilha Æa — Ilha Æaia ==== Seguindo as tradições relativas aos Argonautas, não é duvidoso que Aia ou Æa se aplique à Cólquida: a palavra é sem dúvida a mesma que Gaia (= terra); significava então a Terra por excelência, a Terra pura; em outros termos, o que está em causa, é uma região incorporada à Grande Montanha. Para entender que se pôde, no caso, falar de uma ilha, basta notar que o vocábulo apia, que, em sânscrito, quer dizer aquático, designa, em língua cita, ao mesmo tempo a terra e uma ilha; em língua pelasgo, apia era o nome primitivo do Peloponésio e da Tessália; nas línguas góticas, originárias das línguas géticas, apia se tornou avia; a Escandinavia nada mais é que a Ilha Sombreada (Scandoein-avia); um país banhado pela água era assim uma ilha, mesmo se não fosse completamente cercado de água; fomos longe nesta via, como o as velhas expressões Ile de France, Ile de Persois, etc.; o termo ilha não tem mais aqui outro sentido que aquele de pays (país). É possível que Circe e seu «irmão» Æetes tenham vivido sobre dois territórios contíguos, habitados por dois clãs divinos complementares (sistema bipartite ou dualista, ou dicotômico), e que o domínio do primeiro tenha sido um cantão quase insular, tornado pouco a pouco uma «ilha das mulheres»; a aventura acontecida aos companheiros de Ulisses (Odisseia X 230-364) mostra que aí se praticavam iniciações, ao longo das quais os neófitos eram transformados em porcos divinos. Esta informação é do maior interesse; demonstra a alta antiguidade dos ritos considerados. Os únicos animais que domesticou a civilização matriarcal antes das combinações culturais com o ciclo dos pastores nômades são com efeito o porco, o cão e a galinha; estão aí nos grupos de direito feminino, os mais antigos animais sacrificiais e divinizantes. É sem dúvida, primitivamente, uma honra insigne ser transformado em porco pela rainha-sacerdotisa, mais tarde decaindo ao nível de maga. Quando Ulisses, sob o conselho da encantadora, vai visitar a entrada dos infernos (Odisseia X, 466 ss), não tem que se distanciar, os «infernos», de que falaremos, não sendo na origem senão o mundo subterrâneo (inferi, infra) próprio ao país dos deuses. {{tag>Gordon PGIM}}