====== OS POSTULADOS DO RACIONALISMO ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * A mentalidade moderna invoca a “razão” para excluir todo mistério, identificando como racional aquilo que é mais estreitamente limitado, em continuidade com o racionalismo dos “enciclopedistas” e com a ciência quantitativa. * O racionalismo vulgar e o filosófico diferem apenas em grau, não em natureza. * Ambos exprimem tendências de negação da realidade suprassensível. * O racionalismo liga-se intrinsecamente à concepção de uma ciência quantitativa. * O racionalismo, cuja formulação sistemática remonta a Descartes e à física mecanicista, afirma a supremacia dogmática da razão, nega o supra-individual e exclui a metafísica e a autoridade espiritual. * O Protestantismo preparou-lhe o caminho pelo “livre exame”. * A negação da intuição intelectual pura implica rejeição do conhecimento metafísico. * A recusa da autoridade espiritual decorre de sua origem supra-humana. * Racionalismo e individualismo apresentam-se como solidários. * A simplificação moderna elimina primeiro o supra-individual, depois reduz o individual ao sensível e este ao quantitativo. * Tal processo constitui etapas sucessivas de degradação da concepção do homem e do mundo. * O cartesianismo introduz nova simplificação ao reduzir o espírito à “pensamento” e o corpo à “extensão”, confundindo razão em ato com racionalidade específica e favorecendo concepções igualitárias e uniformizadoras. * A redução do corpo à extensão fundamenta a física mecanicista. * A identificação da razão com “bom senso” universaliza artificialmente uma faculdade desigualmente manifestada. * A diversidade qualitativa dos indivíduos é ignorada em favor de uma falsa unidade do “espírito humano”. * A unidade verdadeira não pertence ao domínio individual. * Locke sustenta que “o homem é sempre e em toda parte o mesmo”, tomando o europeu moderno como medida universal. * A psicologia moderna projeta indevidamente suas categorias ao passado. * A uniformização contemporânea atenua diferenças sem jamais suprimi-las. * Tomar por tipo um ideal “infra-humano” não permite conhecer a natureza humana. * A ciência exclusivamente quantitativa procede do racionalismo, cuja razão isolada reduz o real a elementos homogêneos e mensuráveis, conforme indicado criticamente por Bergson ao denunciar o “recorte” do real. * Bergson critica a razão enquanto uso cartesiano restrito, não a inteligência em sentido pleno. * A redução a elementos homogêneos equivale à redução ao quantitativo. * O critério científico passa a exigir o que pode ser “numerado”. * A razão aplicada ao “sólido” tende à materialização das coisas. * A ciência moderna aproxima-se do grau máximo dessa materialização. * As teorias de Bergson representam etapa diversa da mesma desviação moderna. * O racionalismo, ao negar todo princípio superior à razão, isola-a do intelecto transcendente e a conduz à materialidade crescente, culminando no “reino da quantidade”. * A razão privada de comunicação com o intelecto supra-individual inclina-se ao polo inferior da existência. * Perde-se progressivamente a ideia de verdade. * Busca-se apenas a comodidade da compreensão limitada. * A simplificação e a uniformização satisfazem essa inclinação descendente. * O processo termina na supremacia absoluta da quantidade.