====== A DEGENERESCÊNCIA DA MOEDA ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * A análise da moeda constitui exemplo significativo dos efeitos da concepção de vida ordinária e de sua vinculação ao ponto de vista exclusivamente quantitativo, embora a perspectiva econômica moderna a apresente como pertencente inteiramente ao domínio da quantidade. * O papel predominante da moeda na sociedade moderna decorre de sua interpretação puramente quantitativa. * A concepção econômica moderna é produto de degeneração relativamente recente. * A moeda possuía originalmente caráter qualitativo e valor não reduzido à quantidade. * As moedas antigas eram revestidas de símbolos tradicionais de sentido profundo, como entre os Celtas sob influência dos Druidas, o que demonstra a inexistência do ponto de vista profano nas civilizações tradicionais. * Os símbolos celtas nas moedas remetem a conhecimentos doutrinais próprios dos Druidas. * A intervenção de autoridade espiritual na cunhagem confirma seu caráter não profano. * Diversas tradições consideravam a moeda portadora de influência espiritual. * Lemas religiosos persistiram até tempos recentes como vestígio dessa concepção. * A eliminação desses lemas acompanhou a redução da moeda a signo puramente material e quantitativo. * O controle da autoridade espiritual sobre a moeda persistiu no Ocidente até o fim da Idade Média, e acusações de alteração do teor monetário revelam que o poder temporal não dispunha livremente dela. * A alteração do teor monetário era considerada crime grave. * Tal gravidade indica prerrogativa da autoridade espiritual sobre a legitimidade monetária. * A moeda não possuía apenas valor convencional ou material. * A usurpação dessas prerrogativas comprometia a própria estabilidade do poder real. * Historiadores profanos ignoram esses aspectos superiores da questão monetária. * A profanação progressiva das coisas reduziu-as ao aspecto quantitativo, transformando a existência humana na mediocridade da vida ordinária e encerrando o homem no horizonte limitado do ponto de vista profano. * A moeda tornou-se exemplo extremo da redução à quantidade pura. * A indústria moderna, de caráter eminentemente quantitativo, reforça essa limitação. * O homem é cercado por produtos industriais que restringem sua percepção. * Objetos tradicionais serviam simultaneamente ao uso prático e como suportes de meditação. * Cada objeto tradicional podia elevar o indivíduo segundo suas capacidades. * A concepção moderna rompe essa ligação e reduz o objeto a coisa morta. * A degenerescência qualitativa manifesta-se na avaliação dos objetos e das pessoas apenas por seu preço ou riqueza, reduzindo os termos estimar e valor ao sentido quantitativo. * O julgamento dos objetos baseia-se quase exclusivamente em seu custo. * A estima das pessoas passa a fundar-se na riqueza. * A filosofia dos valores pressupõe possibilidade de conceber tudo quantitativamente. * O moralismo associa-se ao ponto de vista quantitativo. * A linguagem degenera ao evocar apenas ideias numéricas. * A perda de garantia superior da moeda acarretou diminuição constante de seu poder de compra, conduzindo-a à possível dissolução final como consequência extrema da redução à quantidade pura. * A moeda aproxima-se de limite em que perde razão prática de existência. * A quantidade pura situa-se abaixo da existência manifestada. * A redução extrema conduz à dissolução. * A segurança da vida ordinária revela-se precária. * A tendência universal à quantidade culmina na dissolução final do mundo atual.