====== DA ESFERA AO CUBO ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * A solidificação do mundo pode ser figurada simbolicamente como passagem gradual da esfera ao cubo, pois a esfera é a forma primordial menos especificada e universal, enquanto o cubo é a forma maximamente especificada e estabilizada. * A esfera é semelhante a si mesma em todas as direções. * Em qualquer rotação em torno do centro, suas posições são superponíveis. * A esfera contém virtualmente as demais formas, que surgem por diferenciações direcionadas. * A esfera é, em todas as tradições, a forma do Ovo do Mundo. * O Ovo do Mundo representa o conjunto global, embrionário, das possibilidades de um ciclo. * O estado primeiro do mundo pertence à manifestação sutil, anterior à manifestação grosseira. * A forma esférica perfeita, ou o círculo correspondente no plano, não se realiza jamais no mundo corporal. * O cubo é a forma mais parada e mais especificada, simbolizando o máximo de solidez e a estabilidade como imobilidade, sendo por isso associado à terra como elemento final do estado corporal e ao ponto de parada do movimento cíclico. * O cubo é relacionado à terra entre os elementos corporais. * A terra é o elemento terminante e final da manifestação corporal. * O cubo corresponde ao fim do ciclo e ao ponto de parada do movimento. * O cubo é o sólido por excelência e simboliza estabilidade como cessação do movimento. * Um cubo apoiado sobre uma face apresenta equilíbrio de máxima estabilidade. * O termo descendente culmina na imobilidade, cujo análogo corporal é o mineral. * A imobilidade extrema seria reflexo inverso da imutabilidade principial. * O cubo refere-se ao polo substancial, assim como a esfera refere-se ao polo essencial. * O cubo simboliza base e fundamento, próprios do polo substancial. * As faces do cubo orientam-se segundo as três dimensões do espaço e seus três planos de medida. * A cruz tridimensional parte do centro de uma esfera cujo raio indefinido preenche o espaço. * A relação entre esfera e cubo implica inversão em que o interior central da esfera se volta para a exterioridade do cubo. * O simbolismo céu-terra associa formas circulares e esféricas ao céu e formas quadradas e cúbicas à terra, equivalendo a correlações como essência e substância e permitindo aplicação a diferentes níveis da manifestação. * A tradição extremo-oriental correlaciona Terra, Ti, com Céu, Tien. * Céu e Terra equivalem a Purusha e Prakriti na doutrina hindu. * O mesmo simbolismo aplica-se tanto a um estado particular quanto à manifestação universal. * Compasso e esquadro correspondem, respectivamente, ao traçado do círculo e do quadrado. * Essas correspondências fundamentam aplicações simbólicas e rituais em tradições orientais e iniciáticas ocidentais. * O simbolismo do Paraíso terrestre e da Jerusalém celeste evidencia as duas extremidades do ciclo atual, com forma circular no começo e quadrada no fim, indicando transformação de um mesmo princípio central e fixação final das possibilidades do ciclo. * O Paraíso terrestre do começo do ciclo é circular. * A Jerusalém celeste do fim do ciclo é quadrada. * O círculo do Paraíso terrestre é seção horizontal do Ovo do Mundo. * O círculo pode ser considerado como tornando-se um quadrado no termo do ciclo. * A presença do mesmo Árvore da Vida no centro indica dois estados de uma mesma realidade. * O quadrado figura a conclusão das possibilidades antes em germe no círculo. * O resultado final pode ser representado como cristalização, ligada ao cubo. * O início é jardim com simbolismo vegetal e elaboração vital dos germes. * O fim é cidade com simbolismo mineral e fixação estabilizada. * As pedras preciosas indicam mineral transformado e sublimado na Jerusalém celeste. * A fixação é definitiva apenas em relação ao ciclo atual. * Após o ponto de parada, a Jerusalém celeste torna-se o Paraíso terrestre do ciclo futuro. * O começo do novo ciclo e o fim do anterior são um único momento visto de lados opostos. * A imagem da roda que cessa de girar exprime a fim do tempo, pois o círculo, se se tornasse quadrado, não poderia mais rolar, e a tradição dos doze sóis indica reintegração dos aspectos cíclicos na unidade primordial. * A roda é figura circular associada ao movimento do ciclo. * A transformação em quadrado implica necessariamente parada. * O momento aparece como fim do tempo. * Na tradição hindu, doze sóis brilharão simultaneamente. * O tempo mede-se pelo percurso do sol pelos doze signos do zodíaco. * Com a rotação cessando, os doze aspectos fundem-se em um só. * A quadratura do círculo, tomada simbolicamente, só se realiza no fim do ciclo. * A afirmação de insolubilidade coincide com a impossibilidade de realização antes do termo cíclico. * A solidificação possui duplo sentido, pois é sinistra como descida rumo à quantidade, mas necessária para preparar negativamente a fixação final dos resultados do ciclo, que se tornam germes do ciclo seguinte mediante intervenção transcendente que efetua o retorno e restaura o estado primordial. * A solidificação, no curso do ciclo, significa afastamento da espiritualidade. * A solidificação prepara a fixação última sob a forma da Jerusalém celeste. * Os resultados fixados tornam-se germes das possibilidades do ciclo futuro. * A restauração do estado primordial exige intervenção imediata de princípio transcendente. * Sem essa intervenção, o cosmos se dissolveria no caos. * O retorno final é figurado pela transmutação do mineral em pedras preciosas. * O Paraíso terrestre reaparece no mundo visível com novos céus e nova terra. * Trata-se do início de outro Manvantara e da existência de outra humanidade.