====== O TEMPO TRANSFORMADO EM ESPAÇO ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * O tempo, ao contrair o espaço, contrai-se também a si mesmo ao longo do ciclo, acelerando progressivamente seu próprio desenrolar. * O tempo não é homogêneo, mas qualitativamente diferenciado segundo as condições cíclicas. * A aceleração torna-se mais visível nas fases finais do ciclo. * A proporção decrescente dos quatro Yugas exprime essa contração. * A diminuição da duração da vida humana integra o mesmo processo. * A pressa moderna reflete percepção confusa dessa aceleração. * No grau extremo, a contração do tempo conduz à sua redução a um instante único, suprimindo toda sucessão. * A duração desaparece quando não há mais sucessão. * O tempo devora a si mesmo na “fim do mundo”. * Onde não há sucessão, não há morte. * A sucessão transmuta-se em simultaneidade. * O tempo transforma-se simbolicamente em espaço. * O espaço absorve o tempo no momento final. * Tal inversão corresponde à revanche simbólica de Abel sobre Caim. * As teorias físico-matemáticas do complexo espaço-tempo oferecem prefiguração inconsciente dessa absorção do tempo pelo espaço. * Tratam espaço-tempo como conjunto único. * Interpretação vulgarizada fala em “quarta dimensão”. * O tempo é comparável a quarta coordenada nas equações do movimento. * Representação é puramente quantitativa e insuficiente. * O que funciona como coordenada é o “tempo imaginário”. * Tornar o tempo imaginário implica cessação de sua existência real. * Transmutação só é plenamente realizável na fim do ciclo. * A absorção do tempo pelo espaço não implica necessariamente adição literal de dimensão, mas expansão qualitativa inapreensível ao domínio corporal. * Supressão da restrição temporal permite dilatação superior do espaço. * Tal condição não pode ser figurada por imagens corporais. * Eliminação do tempo implica saída do mundo corporal. * Trata-se de prolongamento extracorporal do mesmo estado individual. * O fim do ciclo não é aniquilação do mundo corporal, mas transmutação. * Após o ponto de parada, inicia-se novo ciclo. * O fim do ciclo é intempestivo como o seu começo, restaurando o estado primordial. * Existe correspondência rigorosa entre início e fim. * Relação simbólica entre Jerusalém celeste e Paraíso terrestre. * Ambos manifestam o centro do mundo. * A árvore axial ocupa o centro em ambas as extremidades. * Durante o ciclo, o centro permanece oculto. * A humanidade afasta-se gradualmente do centro. * Esse afastamento constitui o sentido da queda. * Movimento do centro à circunferência simboliza passagem da essência à substância. * Representa ida da unidade à multiplicidade. * O Pardes, centro do mundo, é simultaneamente região suprema e região longínqua, conforme os dois pontos de vista. * Paradêsha designa região suprema. * Torna-se região distante pela inacessibilidade progressiva. * Situa-se na “fim do mundo” espacial e temporal. * Permanece sempre no centro real de todas as coisas. * Inversão entre ponto de vista exterior e interior. * Realização da proximidade exige supressão da condição temporal. * Tempo não pode retroceder por definição. * Libertação é possível individualmente. * Para a humanidade inteira, exige término do ciclo. * Reintegração ocorre no estado primordial. * No centro, o tempo se transforma em espaço. * Reflete a eternidade principial. * A morte não alcança esse estado. * Trata-se do domínio da imortalidade. * Todas as coisas aparecem em simultaneidade imutável. * O “terceiro olho” restitui o sentido da eternidade.