====== PERDIÇÃO E SUBVERSÃO ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * A ação antitradicional constitui uma obra de desvio em relação ao estado normal das civilizações tradicionais. * O estado normal é comum a todas as formas tradicionais, apesar de suas diferenças particulares. * O mundo moderno foi “fabricado” por esse processo de desvio. * O desvio pode operar-se de modo gradual e quase imperceptível. * É necessário distinguir entre desvio e subversão. * O desvio comporta graus indefinidos e pode desenvolver-se progressivamente. * Exemplos desse processo são a passagem do humanismo ao racionalismo, depois ao mecanicismo e ao materialismo. * A ciência profana tornou-se progressivamente mais quantitativa. * Todo o desvio moderno tende ao estabelecimento do “reino da quantidade”. * A subversão é o termo extremo do desvio, implicando verdadeiro “reversar”. * Trata-se de um estado diametralmente oposto à ordem normal. * Subversão não deve ser confundida com o “retorno” final do ciclo. * O “retorno” final é um redirecionamento restaurador do estado primordial. * A subversão é o oposto desse restabelecimento. * A subversão é o último grau do desvio e seu objetivo final. * O mundo atual apresenta sinais visíveis de subversão. * Tais sinais aparecem nas múltiplas formas de “contrafação” e “paródia”. * A contrafação revela a origem “satânica” do desvio. * “Satânico” designa tudo o que nega e inverte a ordem. * O espírito de negação manifesta-se como espírito de mentira e disfarce. * Ele imita o que pretende negar. * “Satanás é o macaco de Deus” e “se transfigura em anjo de luz”. * O desordem assume aparência de falsa ordem. * A negação dos princípios é mascarada como afirmação de falsos princípios. * O simulacro é apresentado com habilidade suficiente para enganar a maioria. * O gosto popular pelo engano facilita a eficácia da paródia. * Toda contrafação contém elemento grotesco que a denuncia. * O grotesco pode ser mais ou menos evidente. * A perspicácia natural é anulada por “sugestões” inconscientes. * O caráter paródico constitui marca de origem da falsificação. * Exemplos públicos de paródia no mundo moderno ilustram essa contrafação. * Pseudo-ritos cívicos e laicos substituem ritos religiosos. * O “naturismo” moderno confunde estado de natureza com animalidade. * A “organização dos lazeres” ameaça desnaturar até o repouso humano. * Todos esses fenômenos pertencem ao domínio público. * O senso do ridículo diante deles é raro. * A maioria dos produtos modernos exige o prefixo “pseudo”. * A ciência profana é uma “pseudo-ciência”. * Trata-se de falsificações com finalidade deliberada. * A possibilidade da contrafação funda-se na analogia inversa entre o mais alto e o mais baixo. * O ponto inferior pode imitar o superior por analogia invertida. * A aproximação da quantidade pura permite simular a unidade principial. * A uniformidade e a simplicidade modernas são caricaturas da unidade transcendente. * Quando o inferior imita o superior, chega-se propriamente à subversão. * A tendência à quantidade pura não pode realizar-se plenamente. * A redução total à quantidade é impossível na manifestação. * Para que a subversão seja completa, é necessária intervenção suplementar. * Tal intervenção liga-se ao termo final da manifestação cíclica. * O “redirecionamento” final aparece como inversão total da subversão precedente. * As duas fases da ação antitradicional podem ser caracterizadas distintamente. * A primeira fase é obra de desvio, culminando no materialismo. * A segunda fase é obra de subversão, visando a uma “espiritualidade às avessas”. * As forças sutis inferiores convocadas são forças subversivas. * A utilização invertida de vestígios tradicionais também constitui subversão. * Tais vestígios, abandonados pelo “espírito”, caem nas regiões inferiores do domínio sutil. * Um exemplo notável de subversão é a inversão intencional do sentido legítimo dos símbolos tradicionais. * Essa inversão constitui caso típico de uso “às avessas”. * A questão remete ao duplo sentido inerente aos símbolos. * O duplo sentido simbólico requer explicitação para compreensão adequada.