====== XAMANISMO E FEITIÇARIA ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * A época atual, situada nas últimas fases do ciclo, esgota as possibilidades mais inferiores da manifestação. * Utiliza tudo o que fora negligenciado anteriormente. * As ciências experimentais e quantitativas são “resíduos” de antigas ciências tradicionais. * A exumação obsessiva de vestígios do passado liberta influências sutis ainda ligadas a eles. * Tais influências podem exercer ação desagregadora sobre o mundo moderno. * A concepção moderna de coisas puramente “materiais” é uma ilusão própria do ponto de vista profano. * Supõe a existência de seres exclusivamente corporais. * Resulta da ausência de referência a princípios superiores. * As ciências profanas são “residuais” porque isolam o objeto de seus princípios. * O descrédito lançado sobre outras concepções visa preservar esse isolamento. * A caricatura do chamado “animismo” é produto dessa incompreensão. * O mundo corporal não é autossuficiente nem isolado na manifestação universal. * Procede do domínio sutil, que é seu princípio imediato. * Liga-se, por graus, ao informe e ao não-manifestado. * Nada existe corporalmente sem elementos sutis subjacentes. * Esses elementos correspondem analogicamente ao “psíquico”. * Não existem objetos verdadeiramente “inanimados”. * A distinção entre “vivo” e “não-vivo” é apenas diferença de grau. * O verdadeiro “animismo”, entendido etimologicamente, exprime uma concepção cosmológica normal. * Afirma a presença de elementos anímicos em todas as coisas. * Opõe-se ao mecanicismo moderno. * É comum a todas as doutrinas tradicionais. * Não implica personificação nem culto das forças naturais. * Não se confunde com o espiritual propriamente dito. * Nas formas degeneradas, o aspecto metafísico desaparece e o aspecto cosmológico predomina. * O lado “psíquico” torna-se dominante. * Observadores modernos reduzem tudo à magia ou à feitiçaria. * Perdem o sentido profundo dos símbolos e ritos. * O “xamanismo” ilustra uma forma tradicional degenerada. * Possui cosmologia desenvolvida e estrutura dos “três mundos”. * Conserva traços comparáveis a ritos védicos. * Mantém transmissão de poderes tradicionais. * Foca-se principalmente em magia e divinação. * Indica degeneração e possível desvio. * O vínculo individual com um animal sugere identificação suspeita. * Aproxima-se, em certos casos, da licantropia. * O xamanismo distingue influências psíquicas benéficas e maléficas. * Ocupa-se sobretudo das influências maléficas. * Visa neutralizá-las, não cultuá-las. * Não constitui necessariamente satanismo consciente. * O manejo constante dessas forças conduz à feitiçaria. * Trata-se de magia mais vital e perigosa que as formas ocidentais degeneradas. * O contato contínuo com forças psíquicas inferiores é altamente perigoso. * É nocivo ao próprio xamã. * Pode servir a fins alheios aos praticantes. * Certos agentes mais conscientes utilizam tais forças deliberadamente. * Os praticantes tornam-se instrumentos inconscientes. * Existem “reservatórios” de influências distribuídos estrategicamente. * Esses reservatórios servem aos desígnios das potências da perdição moderna. * Resíduos de tradições autênticas podem ser instrumentalizados na subversão. * A vitalidade remanescente torna-os aptos a manipulação. * A degeneração facilita sua utilização para fins inferiores. * O problema exige explicações adicionais sobre essa subversão.