====== RESÍDUOS PSÍQUICOS ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * Os vestígios de uma tradição degenerada são comparáveis aos resíduos psíquicos deixados por um ser após a morte. * Quando o “espírito” se retira, permanecem apenas suportes psíquicos. * Esses resíduos podem ser utilizados para qualquer fim. * Podem ser manipulados conscientemente por magos ou inconscientemente por espíritas. * Os efeitos não têm relação com a qualidade original do ser. * Tornam-se “influências errantes”, conservando apenas aparência ilusória. * As influências espirituais, ao atuar no mundo, necessitam de suportes psíquicos e corporais. * Existe analogia com a constituição humana. * Quando o princípio espiritual se retira, subsistem elementos psíquicos carregados de força. * Quanto mais poderosa foi a ação original, mais persistentes esses elementos. * Centros tradicionais extintos apresentam perigos proporcionais à sua antiga importância. * Tais “conglomerados” podem reagir violentamente ou ser manipulados por “magos negros”. * A exumação imprudente de vestígios antigos explica muitos efeitos nocivos. * Arqueólogos modernos ignoram a natureza dessas influências. * Civilizações degeneradas por magia deixam marcas psíquicas inferiores. * Alguns locais ou objetos foram preparados defensivamente. * Tais precauções não são ilegítimas, embora indiquem certa preocupação secundária. * Elementos psíquicos “larvares” podem reagir desordenadamente. * Fenômenos são análogos aos “cadáveres psíquicos” evocados em sessões espíritas. * As forças atuam por sua própria natureza, independentemente de intenções passadas. * As escavações modernas abrem “fissuras” ao reativar tais influências. * Influências sutis podem ser captadas e utilizadas como as forças físicas. * Podem servir a fins opostos conforme a intenção do operador. * Um “mago negro” pode invertê-las para fins antitradicionais. * O uso atual não guarda relação com o uso legítimo original. * Há também tradições que sobrevivem apenas como formas vazias. * O “espírito” retirou-se completamente. * Permanecem conhecimentos contingentes e inferiores. * Esses resíduos tornam-se suscetíveis a desvios. * Influências psíquicas podem ser captadas por agentes externos. * Utilizam-se não só objetos, mas homens vivos como suportes. * Tais suportes conferem maior vitalidade às influências desviadas. * O exemplo do xamanismo ilustra esse processo em certos casos. * Uma tradição desviada está tão morta quanto uma totalmente extinta. * A subversão implica inversão antitradicional do que subsiste. * Antes da morte total, agentes do “adversário” podem infiltrar-se. * Trabalham para apressar a decomposição interna. * Se a organização morre, o inimigo utiliza o “cadáver”. * Centros tradicionais autênticos deveriam vigiar infiltrações enquanto há tempo. * A apropriação de antigos centros espirituais envolve também a geografia sagrada. * Tais lugares não foram escolhidos arbitrariamente. * Sua posição é qualificada para emissão de influências. * Conhecimentos tradicionais podem ser aplicados “ao inverso”. * Um ponto privilegiado serve tanto a fins espirituais quanto contrários. * A reserva tradicional visa prevenir abusos. * O segredo iniciático verdadeiro permanece inatingível. * Contudo, conhecimentos contingentes exigem proteção prática. * O princípio “corruptio optimi pessima” aplica-se com particular força. * A corrupção é literal, comparável à decomposição de um ser vivo. * Produtos de dissolução tornam-se contagiosos. * Exercem ação desagregadora onde quer que atuem. * Podem ser dirigidos por uma vontade consciente. * Configura-se uma espécie de necromancia aplicada a resíduos coletivos. * Tal prática possui alcance muito superior à feitiçaria comum. * A cegueira moderna impede perceber a gravidade dessa situação.