====== A INVERSÃO DOS SÍMBOLOS ====== //[[guenon:rqst:start|REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS]]// * Um mesmo símbolo pode apresentar dois sentidos aparentemente opostos, ligados por correlação. * Não se trata apenas da multiplicidade de sentidos conforme níveis ou pontos de vista. * Trata-se de dois aspectos correlatos, um sendo como o inverso ou “negativo” do outro. * Essa duplicidade radica na dualidade pressuposta por toda manifestação. * A dualidade é complementaridade em princípio, não oposição absoluta. * A oposição só existe num nível contingente e se resolve em complementaridade num nível superior. * Num nível ainda mais alto, ambos retornam à unidade do princípio comum. * O ponto de vista do complementarismo é intermediário entre oposição e unificação. * Cada ponto de vista tem validade própria no grau que lhe corresponde. * A consideração simultânea dos dois aspectos contrários de um símbolo é legítima. * Um aspecto não exclui o outro. * Ambos são verdadeiros sob certo ângulo. * A correlação torna sua existência solidária. * É erro atribuir cada aspecto a doutrinas necessariamente opostas. * A diferença pode depender da predominância dada a um aspecto. * Pode depender também da intenção ritual ou iniciática do uso do símbolo. * Os dois aspectos podem coexistir numa mesma figura simbólica complexa. * A dualidade pode dispor-se vertical ou horizontalmente. * O quaternário cruciforme decompõe-se em duas dualidades: vertical e horizontal. * A dualidade vertical refere-se aos extremos de um eixo (alto/baixo). * A dualidade horizontal refere-se a elementos simétricos (direita/esquerda). * Exemplos verticais: os dois triângulos do Selo de Salomão. * Exemplos horizontais: os dois serpentes do caduceu. * Na dualidade vertical, a inversão é claramente marcada. * Na horizontal, os termos podem parecer idênticos, embora sejam contrários em sentido. * As direções espaciais possuem valor qualitativo simbólico. * A distinção técnica entre aspectos “benéfico” e “maléfico” não é moral. * Os termos são empregados em sentido técnico. * A qualidade benéfica ou maléfica não é absoluta. * Ela depende de aplicação específica. * Desaparece no nível do complementarismo. * Abusos desse ponto de vista podem gerar subversão simbólica. * A subversão simbólica pode assumir duas formas principais. * Atribuir supremacia ao aspecto maléfico. * Inverter os valores, tomando o maléfico por benéfico e vice-versa. * Nem sempre a inversão é visível na figura externa. * Alguns símbolos não diferenciam exteriormente os dois aspectos. * O exemplo do simbolismo da serpente ilustra essa ambiguidade. * Pode representar Agathodaimôn ou Kakodaimôn. * A ignorância da dupla significação gera equívocos. * O Ocidente moderno tende a ver apenas o aspecto maléfico. * O mesmo ocorre com outros animais simbólicos. * Símbolos geométricos invertidos nem sempre indicam intenção subversiva. * O triângulo invertido pode ter significado legítimo. * Torna-se sinal de inversão apenas quando há intenção deliberada de contrariar o sentido normal. * A inversão pode ocorrer também em palavras e fórmulas. * Certas práticas de feitiçaria utilizam fórmulas “ao contrário”. * A análise da subversão deve considerar a intenção interpretativa mais que a forma externa. * A subversão mais perigosa é a que mantém a forma e altera o sentido. * A deformação pode ocorrer sem alteração visível. * A contra-iniciação pode atribuir às organizações tradicionais interpretações invertidas. * Essa estratégia provoca confusões e equívocos deliberados. * Certas campanhas modernas contra o esoterismo ilustram essa inversão. * São conduzidas com auxílio inconsciente de colaboradores. * Muitos participantes ignoram o verdadeiro papel que desempenham. * O combate mal orientado pode servir involuntariamente àquilo que pretende combater.