====== LACTAÇÃO MÍSTICA ====== //HANI, Jean. Mythes, rites et symboles: les chemins de l’invisible. Paris: G. Trédaniel, 1992.// * Origens e natureza milagrosa da devoção ao leite virginal. * Culto às relíquias do leite da Virgem na Idade Média como auxílio às mães e fonte de curas físicas. * Identificação arcaica entre o leite virginal e a pedra galactite, dotada de virtudes fecundantes. * Relatos de revitalização e cura de santos como São Fulberto de Chartres por meio da aspersão ou ingestão do leite milagroso. * Narrativas dos Milagres de Notre-Dame descrevendo a aparição de Maria e a entrega de objetos contendo sua substância nutritiva. * A lactação mística como signo de favor espiritual e iniciação superior. * Representações iconográficas de Maria amamentando adultos como São Francisco de Assis e Alain de la Roche. * Experiência relatada pelo Beato Henri Suso, na qual Maria associa o dom do leite à pureza da palavra divina, citando o precedente de São João Crisóstomo. * Centralidade da devoção de São Bernardo de Clairvaux, que descreve o seio da Virgem como uma fonte pública de dessedentação espiritual. * Expressão plástica da união entre o sangue de Jesus e o leite de Maria em Brixen, atuando sobre as almas no Purgatório. * Fundamentação bíblica e mística da união do leite e do sangue. * Relação entre o banquete místico do Cantique des cantiques (vinho e leite) et a experiência dos santos. * Referência de Sainte Agnès à recepção do mel e do leite da boca divina como marca de sua união espiritual. * Superposição da imagem da Virgo lactans à da Ecclesia lactans, que alimenta a humanidade com a doutrina, conforme o vitral de Bourges. * Universalidade do leite como alimento primordial e arquétipo vital. * Reconhecimento do leite como substância que mantém e exalta a vida em diversas tradições sagradas. * Função do leite na conferência de um estatuto divino ou semidivino ao alimentado por uma divindade ou nutriz sagrada. * Tripla dimensão da função da lactação mística: adoção, culto funerário e iniciação. * Ritos de adoção e a parentela de leite em diversas culturas. * Prática da adoção por amamentação, mesmo de adultos, entre Esquimós, tártaros, eslavos e berberes. * Exemplo da Kahena ao adotar Khaled através da partilha de uma pasta nutritiva sobre seus seios, estabelecendo hereditariedade. * Persistência de costumes de adoção por amamentação no Egito antigo e moderno. * A lactação no ritual funerário e a promessa de renascimento imortal no Egito. * Nutrição do pharaon defunto por Isis e Nephthys para garantir sua renascença divina. * Representação de Hathor-vache amamentando Aménophis III, transformando a carne morta (negra) em carne de recém-nascido (rosa). * Oferta dos vasos mensaoui com o leite da divindade para garantir a vida eterna do morto divinizado. * Libações de leite e o simbolismo da vida eterna na antiguidade clássica. * Uso de sangue e leite nos funerais greco-romanos para nutrir as sombras dos antepassados conforme Virgílio e Servius. * Oferta de melikraton (mel e leite) aos mortos como símbolo da comida dos deuses e sinal de nascimento para outra vida. * Iniciação real e o estatuto divino do pharaon no couronnement. * Amamentação do rei adulto pela deusa para conferir a força de vida (ankh-was) e a senhoria espiritual (iakhou). * Afirmação de Hathor ou Moût em Abydos e Dendérah sobre a criação da beleza e nutrição divina do soberano. * Renovação do nascimento divino de Thoutmosis III ao ser alimentado pela Isis-árvore na Vale dos Reis. * O simbolismo do leite na via de retorno ao estado paradisíaco. * Uso do leite como alimento ritual por Attis e Cibele para simbolizar a renascença após o jejum. * Relação entre a lactação e a Via Láctea segundo Pitágoras, Porfírio e Juliano, como lugar de origem e retorno das almas. * Nascimento do breuvage d’immortalité (amrita) a partir do barattage de la mer de lait na tradição do Ramayana na Inde. * Pedido de Shankara à Mãe divine para o alívio das dores através da nutrição de seus seios sagrados. * A associação do leite e do mel nos mistérios e no banquete dionysiaque. * Prática da lactação nos mistérios de Mitra para os iniciados no grau de Leão conforme Porfírio. * Visão do paraíso báquico em Eurípides, onde o solo verte leite, vinho e mel sob o toque do tirso. * Identificação do mel como princípio fecundante e fonte de vida no Veda, referido ao Grande Leite do oceano. * Amamentação espiritual nos mistérios de Dionysos e a figura do cabrito. * Representações em Roma e Pompéia de bacantes amamentando faunos ou cabritos como símbolo de nutrição dos mystes. * Fórmula iniciática órfica: "Cabrito eu caí no leite", indicando a divinização do mortal e sua entrada no outro mundo. * Assimilação do iniciado ao deus Dionysos Ériphios através da lactação simbólica. * O mito de Hércules e o significado da lactação de um adulto. * Origem da Via Láctea a partir do leite de Hera rejeitando o jovem Hércules. * Transformação etrusca do mito mostrando Hercule adulto sugando o seio de Juno no Espelho de Volterra. * Confirmação da filiação divina do mortal através da lactação como processo de deificação (Hercule Junonis filius factus sit). * O leite como símbolo da doutrina espiritual no cristianismo primitivo. * Imagem da Terre promise como lugar de leite e mel, representando a fecundidade espiritual e o retorno ao paraíso. * Profecia de Isaías sobre a alimentação do Messias e a exortação de São Pedro aos recém-nascidos na fé. * Definição de Dionísio, o Areopagita do leite como símbolo do fluxo da doutrina que conduz ao conhecimento de Dieu. * Identificação do Logos como o puro leite que nutre os cristãos desde o baptême segundo São Clemente de Alexandria. * Representações do Bom Pastor e a economia sacramental do leite. * Uso da mulctra (vaso de leite) nas catacumbas de Calisto como imagem da paz paradisíaca e da alegria eucharistique. * Relato da Paixão de Santa Perpétua onde o Cristo oferece leite coagulado como suporte ao martírio. * Presença do vaso de leite sobre altares em afrescos antigos, indicando sua ligação com a realidade ritual do baptême. * O uso ritual do melikraton na iniciação cristã antiga. * Administração do leite e mel aos neófitos após o baptême e a comunhão segundo a Tradição apostólica de Hipólito. * Explicação de Jean Diacre sobre a herança da Terra prometida concedida àqueles que provam o alimento sagrado. * Testemunho de São Jerônimo sobre o sabor do leite e mel como signo da nova infância espiritual no Christ. * A união entre a Mater Ecclesia e a Virgem no papel de nutriz espiritual. * Alimentação dos fiéis pelo lacte verbi (leite da palavra) no seio da Igreja conforme a liturgia gallicana. * Superposição dogmática de Maria e da Igreja como mediadoras da Palavra que nutre o batizado. * Relação entre a nutrição física de Jésus e a nutrição espiritual daqueles que guardam a palavra divina no Evangelho de Lucas. * A lactação como theosis e realização da filiação divina. * Interpretação de Coomaraswamy da lactação como desaparecimento da alteridade e resolução na Unidade. * Papel de Marie como princípio feminino da regeneração, sendo o "grande molde de Deus" segundo São Luís Maria Grignion de Montfort. * Função da Vierge em nutrir o homem regenerado com a mesma Palavra que tomou corpo em seu seio na Anunciação. * A metáfora das mamas divines na mística cristã e a bi-unidade de Deus. * Descrição de São Francisco de Sales sobre o seio da doçura divina que amamenta a alma devota. * Analogia de Santa Teresa de Ávila da alma como criança regozijada pelo leite destilado na boca por Deus. * Presença do leite das mamas divinas nas Odes de Salomão como alimento da vida santa. * Justificação da imagem pela referência à bi-unidade divina presente na Gênese e à natureza espiritual da Palavra. {{tag>Hani}}