====== ÀQUELE QUE NÃO TEM ====== * A cegueira do homem moderno sobre a própria corrupção leva-o a questionar a justiça divina diante das catástrofes atuais, invertendo a percepção tradicional que reconhecia a culpa inerente a sua época. * Incapacidade de discernir a verdadeira natureza humana. * Ilusão de superioridade moral sobre o passado. * Questionamento da "Ira de Deus" como sintoma de ignorância. * A universalidade das tradições define a queda humana como a perda da centralidade e do contato com o eixo vertical, restando como único critério de valor a proximidade ou distanciamento em relação ao papel de mediador pontífice. * Consenso sobre a perda do contato com estados superiores. * Incapacidade de ser o "Homem Verdadeiro" (Taoismo). * Definição de "pecado original" como privação da função de Pontifex. * O desvio moderno distingue-se de todas as decadências anteriores por negar a existência da norma primordial e orgulhar-se de uma suposta ascensão a partir de baixo, invertendo a consciência ancestral da origem divina. * Recusa em admitir a queda abaixo da norma. * Fabricação de uma nova norma baseada na decadência. * Crença inédita de que o homem "sobe" em vez de "descer". * A religião revelada surge providencialmente como resposta à queda para restaurar o elo com o transcendente e restabelecer temporariamente a perfeição terrestre, embora a tendência cíclica geral permaneça descendente. * Função de reabrir o caminho para a centralidade. * Estabelecimento do Krita-Yuga pelos ritos cumpridos. * Necessidade de revelações sucessivas para conter o declínio. * A mentalidade dominante na civilização atual constitui uma capitulação inconsciente diante da falsidade sobre a natureza humana, levando à crença absurda de que não houve perda alguma e de que a humanidade evoluída superou a necessidade do dogma do pecado original. * Definição do homem moderno pela negatividade extrema. * Esquecimento total da perda sofrida. * Tentativa de autoridades religiosas de abolir o pecado original por "dignidade". * A recusa racionalista e científica das verdades transcendentes resulta paradoxalmente na perda da própria razão e na adesão a teorias infraracionais e anticientíficas, conforme ilustrado pela dinâmica espiritual da parábola dos talentos. * Privação da lógica e da ciência no momento de maior necessidade. * Fechamento ao Espírito como causa da estupidez. * Vulnerabilidade a convicções enganosas. * O racionalismo e o cientificismo atuam como polos de uma pseudo-religião moderna onde a fé subjetiva no progresso é sustentada pelo dogma objetivo da evolução, paralisando a inteligência com uma falsa transcendência. * Racionalismo alimentando a pseudo-fé no progresso. * Cientificismo fornecendo a pseudo-doutrina evolucionista. * Cientista como sumo sacerdote que fala ex cathedra. * A aceitação generalizada do evolucionismo pelo público leigo decorre menos da compreensão técnica do que da confiança cega na autoridade sacerdotal do cientista e do desejo de confirmar a fé no progresso. * Uso de jargão técnico para intimidar o profano. * Adesão do cientista à evolução por motivos religiosos, não científicos. * Vontade do público de ser enganado. * As teorias da evolução e do progresso sustentam-se mutuamente como um castelo de cartas, sendo necessário recorrer a cientistas dissidentes como Douglas Dewar e Evan Shute para desmascarar a ilusão transformista. * Dependência recíproca entre as duas ideologias. * Uso da evolução como caução para o progresso contra as evidências. * Alívio intelectual proporcionado por avaliações objetivas não-evolucionistas. * A distinção crucial estabelecida por Shute demonstra que a micro-evolução observável confirma a estabilidade das espécies e as barreiras naturais, tornando a hipótese da mega-evolução não apenas não demonstrada mas logicamente perversa. * Micro-evolução como fato em escala limitada. * Existência de barreiras invisíveis na natureza. * Extrapolação abusiva para a transformação de classes (répteis em aves). * A análise das dissensões internas entre os próprios evolucionistas revela que as diversas hipóteses explicativas se anulam reciprocamente, expondo a teoria da mega-evolução como uma fraude intelectual. * Reino da hipótese como reino da discórdia. * Críticas devastadoras de cientistas contra seus próprios colegas. * Resultado líquido nulo das teorias combinadas. * A complexidade anatômica irredutível, exemplificada pela diferença estrutural entre o pé humano e o pé símio, refuta as simplificações desonestas de Darwin sobre a capacidade preênsil e a suposta transição gradual. * Argumentos de Dewar contra a ignorância explorada pelos textos evolucionistas. * Função do ligamento transversal no pé humano. * Impossibilidade mecânica de transformar o pé em mão preênsil sem destruí-lo. * A transposição ilegítima da ascensão espiritual vertical para o plano temporal horizontal cria a ilusão de um progresso contínuo que ignora a lei natural e histórica dos ciclos de crescimento e declínio. * Confusão entre saída do tempo e extensão no tempo. * Fases de nascimento, auge e declínio em todas as civilizações. * Omissão sistemática da fase de degeneração pela teoria evolucionista. * A ciência antiga e as religiões situam a origem do homem e do universo no ato criador divino fora da duração temporal, reconhecendo que apenas o desenvolvimento civilizacional subsequente está sujeito às fases de crescimento e declínio. * Transcendência da origem em relação à observação temporal. * Raiz eterna da espiritualidade e dos fundadores religiosos. * Aplicação do ciclo temporal apenas à civilização teocêntrica manifestada. * O distanciamento extremo do Princípio na fase final do ciclo manifesta-se na perda da função mediadora do homem e na sua orientação centrífuga para a animalidade, visível na própria fisionomia dos contemporâneos. * Homem visto apenas como cume do reino animal. * Orientação para a fronteira com os estados inferiores. * Degeneração física como evidência contra a evolução. * A impossibilidade biológica de transmutação de espécies no plano físico não exclui a mudança de estado póstuma no samsara, onde a perda da centralidade humana pode levar ao renascimento em condições periféricas ou animais. * Estabilidade das formas na vida terrestre. * Possibilidade de "tornar-se macaco" em outro estado de existência. * Reversibilidade de estados através da Roda da Existência universal. * A doutrina do samsara, explícita nas tradições orientais e implícita no monoteísmo, torna-se novamente acessível para explicar a condição humana e a necessidade de transcendência aos que buscam estudo sério. * Função da religião de dosar o conhecimento. * Reabertura do acesso ao conhecimento hindu e budista no Ocidente. * Necessidade de compreender a transmigração. * A estrutura do samsara concede apenas à espécie central de cada estado a possibilidade de escapar da cadeia de existências através da porta estreita, exigindo do homem uma cooperação ativa sob pena de queda para estados periféricos. * Série indefinida de mundos infradivinos. * Privilégio exclusivo do ser central (homem). * Consequências póstumas da infração às normas da centralidade. * A restrição das religiões monoteístas à perspectiva de um único mundo justifica-se pela urgência da salvação imediata, mas a inteligência contemplativa requer a cosmologia completa do samsara para meditar sobre a Infinitude divina. * Foco na evasão do mundo atual ("a cada dia basta sua pena"). * Direitos da verdade total sobre a cosmologia reduzida. * Necessidade de responder a questões abertas. * A proliferação de questionamentos céticos sobre a justiça divina diante das desigualdades exige respostas que a perspectiva monoteísta comum deixa em suspenso, alimentando a incredulidade dos espíritos modernos. * Mudança na atitude mental das massas ("espíritos emancipados"). * Ataques à Justiça Divina baseados em fatos inexplicados. * Perigo de deixar perguntas sem resposta. * A desigualdade das condições espirituais e morais no nascimento explica-se logicamente pela herança de existências anteriores, onde a disposição centrífuga desenvolvida acarreta um posicionamento periférico na vida atual. * Justificativa para o nascimento em ambientes desfavoráveis. * Posição humana como resultado de mérito ou demérito prévio. * Responsabilidade individual pela perda de "chances iguais". * A interpretação equivocada do samsara como reencarnação terrestre pode diluir a urgência da salvação, mas é menos nociva do que a crença moderna na inexistência total de vida após a morte. * Perigo da ilusão de uma "nova chance" no mesmo mundo. * Valor da doutrina para galvanizar a vontade (risco de nascer animal). * Sombra do niilismo sobre a infância moderna. * A doutrina da reencarnação mantém uma referência metafórica à verdade, enquanto o evolucionismo constitui uma paródia grosseira que achata a verticalidade espiritual e promete uma imortalidade ilusória na memória histórica. * Caráter metafórico da reencarnação popular. * Achatar do vertical no horizontal pelo progresso. * Recompensa póstuma absurda dada a um cadáver (fama). * O sistema educacional ocidental promove uma doutrinação sutil na pseudo-religião modernista que neutraliza a fé cristã, levando os estudantes a sacrificarem a sinceridade intelectual e a paralisarem o pensamento para evitar conflitos. * Ensino do cristianismo com desculpas e timidez. * Tratamento do Gênesis como mito (no sentido pejorativo). * Violação do mandamento de amar a Deus com todo o entendimento. * A tentativa desesperada de Teilhard de Chardin de conciliar religião e evolucionismo resulta em uma paralisia mental que bloqueia o raciocínio lógico e ignora as contradições flagrantes entre as duas perspectivas. * Criação de canais secundários para ilusão de atividade mental. * Recusa radical em fazer as perguntas óbvias. * Sedução baseada na engenhosidade do auto-engano. * A aceitação simultânea de Deus e da evolução levanta questões insolúveis sobre a natureza divina, como a razão de Deus ter permitido milênios de "erro" tradicional e Nostalgia do Paraíso apenas para revelar a "verdade" através de um leigo destruidor da fé. * Contradição entre a pedagogia divina e a descoberta darwinista. * Problema da confiabilidade das religiões anteriores. * Natureza de um Deus que engana ou é incompetente. * A invocação do mistério divino não basta para conciliar Deus e o evolucionismo, pois essa união forçada resulta na imagem blasfema de uma divindade incompetente e monstruosa. * Insuficiência do argumento "vias insondáveis". * Teilhardismo como adoração de um monstro infrahumano. * Exclusão recíproca entre Deus e evolução para a mente sã. * A associação pedagógica fraudulenta entre a descoberta astronômica de Copérnico e a hipótese biológica de Darwin visa conferir certeza científica a uma mera conjectura para destruir o respeito pela Tradição. * Falsa lógica na comparação entre fatos e hipóteses. * Indução dos professores e alunos ao erro. * Promoção do agnosticismo ou ateísmo na juventude. * O ensino honesto deveria contrastar a hipótese evolucionista recente com a universalidade da doutrina tradicional dos quatro ciclos e com as evidências linguísticas de que as línguas antigas eram superiores e mais complexas. * Necessidade de ensinar "toda a verdade". * Consenso antigo sobre a regressão (Idades de Ouro, Prata, etc.). * Degradação histórica da complexidade linguística e conceitual. * A cosmologia tradicional inverte a perspectiva moderna ao afirmar que o inferior procede do superior, onde o mundo corpóreo é a projeção final de uma hierarquia que se origina na Realidade divina e no Espírito. * Realidade suprema como Verdade Absoluta e Criadora. * Hadith do "Tesouro Oculto". * Desdobramento dos mundos espiritual, psíquico e corpóreo. * O simbolismo sagrado fundamenta-se na natureza hierárquica da realidade, onde os fenômenos terrestres atuam como suportes de reminiscência por serem projeções diretas e transparentes dos arquétipos superiores. * Raiz do símbolo na realidade que o projeta. * Distinção entre reflexos opacos e símbolos translúcidos. * Poder do símbolo de evocar a verdade transcendente. * A observação da natureza à luz do simbolismo, como no exemplo da aranha e sua teia, revela a estrutura concêntrica da criação e permite a reconciliação metafísica entre o geocentrismo e o heliocentrismo. * Hierarquias naturais (metais, pedras, insetos) como índices de valor. * Simbolismo da aranha como centro e onipresença. * Complementaridade entre o Sol (centro) e a órbita da Terra (inclusão). * A rejeição moderna dos múltiplos graus de existência esvazia de sentido o vocabulário filosófico tradicional, tornando ininteligíveis conceitos fundamentais como intelecto, metafísica e sabedoria. * Incompreensão da arte sacra e do pensamento antigo. * Limitação do significado das palavras ao nível psíquico. * Perda da referência à sabedoria supra-humana. * A restauração da ciência dos símbolos invalida a exegese racionalista e revela a profundidade metafísica das narrativas do Gênesis, como a divisão das águas e o simbolismo numérico da criação do homem no sexto dia. * Interpretação cosmológica do "partir das águas". * Significado do número 6 (quaternário terrestre + centro + transcendência). * Ameaça da verdade tradicional à hipótese darwinista. * A forma humana constitui o cume da criação terrestre e a única porta de saída do samsara, distinguindo-se dos animais pela posse do Intelecto e pela capacidade de manifestar a síntese do Criador. * Homem como porta aberta para a Iluminação (Bodhi). * Animal como porta fechada em sua própria perfeição. * Exclusividade humana da razão, linguagem e forma vertical. * A perspectiva evolucionista carece de qualquer noção de normalidade intrínseca, reduzindo a beleza e a forma humana a flutuações temporais arbitrárias contrárias ao instinto estético natural. * Norma vista como questão de opinião ou época. * Reconhecimento instintivo da beleza absoluta. * Contraste com a degeneração visível da espécie. * A obra de Frithjof Schuon contrapõe-se à hipótese materialista ao demonstrar que a consciência do "eu" e a inteligência transcendente constituem evidências irrefutáveis da primazia do espírito sobre a matéria. * Pertinência do título "[[schuon:divino-ao-humano:start|Do Divino ao Humano]]". * Forças interiores superiores ao mundo externo. * Mistério da consciência e capacidade de captar verdades infinitas. * A naturalidade da ideia de Deus e do fenômeno religioso na consciência humana constitui uma prova ontológica de sua realidade objetiva, análoga à existência das asas que comprovam a existência do ar. * Adequação da inteligência ao real. * Argumento da finalidade dos órgãos e faculdades. * Argumentos de senso comum para convencer os não-metafísicos. * As explicações psicologistas da religião baseadas no medo ou no sonho implicam a suposição absurda de que a humanidade foi universalmente estúpida durante milênios e tornou-se subitamente lúcida em meio à decadência moral. * Inconsistência das teorias sobre a origem "infantil" da fé. * Contradição entre a inteligência antiga e a "estupidez" religiosa suposta. * Miopia filosófica da "lucidez" moderna. * A Igreja pós-conciliar, exemplificada pelos discursos humanistas e progressistas de Paulo VI, abandonou a luta contra o evolucionismo e optou por adaptar-se ao espírito moderno de culto ao homem e à novidade. * Omissão no uso de refutações científicas da evolução. * Elogio da técnica, audácia e conquista humana. * Rejeição do conservadorismo em favor do dinâmico e improvisado. * A nova orientação eclesiástica define-se pela aceitação incondicional do mundo moderno, substituindo o rigor tradicional por um otimismo humanista que professa abertamente o culto do Homem. * Abandono da síntese medieval e do pessimismo sobre a natureza humana. * Adoção de um "novo humanismo" pela Igreja. * Vontade de servir o mundo e ser "amável". * A adesão das autoridades religiosas à ideologia do progresso e a dissolução da última resistência institucional contra a pseudo-religião moderna sinalizam o cumprimento das profecias sobre o fim do ciclo. * Colaboração da Igreja na construção do "mundo novo". * Manutenção das inovações por João Paulo II. * Passagem da condenação à cumplicidade.