====== SINAIS DOS TEMPOS ====== * A expectativa pela consumação do ciclo atual e pelo advento de uma nova era de perfeição permeia de modo perene as diversas tradições espirituais e literárias da humanidade. * Virgílio registra a iminência do fim da idade de ferro e o surgimento de uma idade de ouro. * O hinduísmo aguarda Kalki, o décimo avatara de Vishnu, para encerrar a era sombria. * O budismo deposita em Maitreya a esperança de renovação, figura identificada a Kalki e ao Messias. * O monoteísmo associa o fim do ciclo ao juízo final, embora o conceito de milênio permita a visão de uma transição menos radical para um novo reinado de Saturno. * As tradições convergem ao descrever sinais sinistros como precursores dessa mudança. * O sentimento messiânico e a antecipação do fim dos tempos persistiram através dos séculos na cristandade, no judaísmo e no islã, apesar do sucessivo adiamento dos eventos profetizados. * O nascimento de Cristo expandiu os pressentimentos messiânicos para além do mundo semítico, influenciando a obra de Virgílio. * Os primeiros cristãos e os judeus mantiveram a crença na proximidade do desfecho, ignorando a possibilidade de um intervalo entre o anúncio e a vinda triunfal. * O Alcorão reafirmou a proximidade da hora, e os primeiros muçulmanos esperavam a entrega do império a Jesus, filho de Maria. * A consciência medieval de culpa interpretou crises históricas como a chegada do Anticristo e o ponto mais baixo da humanidade. * O relaxamento da fé nas escrituras durante o renascimento e o iluminismo reduziu a tensão escatológica nos três séculos anteriores ao atual. * A época contemporânea manifesta uma apreensão existencial do fim que, embora dissociada da fé doutrinária e confrontada pelo racionalismo moderno, se impõe como um sinal dos tempos. * O declínio da fé teísta e a ascensão do agnosticismo e do ateísmo sistêmico caracterizam o cenário atual. * As ideologias de evolução e progresso desviam o pensamento das direções tradicionais de seus antepassados. * A percepção da iminência do fim é sentida intuitivamente pelo homem moderno, mesmo sem os fundamentos das convicções antigas. * Sinais de origem celeste, profecias, visões e indicadores políticos e individuais corroboram a sensação de encerramento de ciclo. * A compreensão e o reconhecimento desses sinais são fundamentais para a apreensão da realidade presente.