====== FRONTEIRA DECISIVA ====== * A hierarquia da existência universal subdivide-se a partir do Absoluto, que transcende o Ser, seguindo-se o Deus Pessoal como Absoluto relativo e a polarização subsequente entre o Espírito e a alma, ou Céu e terra. * O Si-mesmo Transpessoal como única realidade plena e transcendente a toda relatividade. * Distinção ontológica entre o Criador e o plano da existência criada. * Divisão final entre o mundo psíquico e o mundo material ou corpóreo. * Cada plano existencial reflete o nível superior em uma cadeia de contrapartidas que ascende até o Arquétipo Supremo na Essência Divina, assemelhando-se aos degraus de uma escada. * Caráter simbólico de todos os conteúdos do mundo da matéria. * Dependência de cada reflexo em relação à sua fonte imediata de existência em planos mais elevados. * A passagem para a realidade espiritual é simbolizada pelas Rochas Batentes da mitologia grega e pela porta estreita evangélica, marcando a fronteira decisiva e perigosa entre a alma e o Espírito. * Impossibilidade virtual de atravessar a barreira sem o auxílio do auxílio celeste. * Ausência de mal, sofrimento ou morte nos domínios situados além das rochas. * Ativação das rochas e da espada flamejante como consequência da Queda para impedir o retorno ao Éden. * O Jardim do Éden e o Coração representam centros de seus respectivos domínios, funcionando como pontos de acesso que, embora vinculados ao plano terrestre ou anímico, pertencem qualitativamente ao mundo seguinte. * Superioridade da alma em relação ao corpo, do qual é reflexo. * Limitação da alma ao domínio natural e não sobrenatural, apesar de sua centralidade. * O termo arquétipo é rigorosamente reservado para as realidades situadas além da barreira crucial, não devendo ser aplicado às contrapartidas psíquicas dos símbolos materiais. * Analogia com a passagem dos Argonautas, a porta estreita e a abertura do Mar Vermelho para os filhos de Israel. * Exclusão do exército do Faraó por falta de autorização para cruzar a fronteira das águas. * A preservação do sentido de finalidade e exaltação do prefixo arkhai é necessária para evitar que o viajante espiritual se perca nos labirintos da alma em vez de buscar o que transcende o ego. * Resistência da alma e do macrocosmo em permitir que qualquer parte escape de seu domínio. * Exploração das inclinações humanas pelo agente da queda para obstruir o caminho de retorno às origens. * Nas civilizações tradicionais, o cuidado das almas era responsabilidade exclusiva de autoridades espirituais que orientavam o homem com base na doutrina do pecado original e na hierarquia da existência. * Reconhecimento da condição sub-humana do indivíduo situado do lado aquém da fronteira espiritual. * Integração do aconselhamento psicológico aos fins últimos e transcendentes do ser humano. * A psicologia moderna isola o microcosmo de qualquer realidade transcendente, tratando a alma como a instância mais elevada e promovendo a ilusão de normalidade e autossuficiência. * Relegação das esferas superiores do universo ao campo da mera suposição. * Inflação da importância do ego por meio de uma ciência que ignora as limitações intrínsecas da alma. * A utilização de termos como arquétipo e transcendente pela psicologia contemporânea constitui um erro categorial, pois aplica conceitos de ordem metafísica ao domínio da natureza. * Empobrecimento da metafísica em favor de um vocabulário de alto impacto sem fundamento real. * Incapacidade do domínio natural de atuar como repositório de arquétipos autênticos.