====== COMPAIXÃO (2) ====== //PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.// * A doutrina do Bodhisattva, fonte de inspiração e reserva de poder da tradição tibetana, exige um método correspondente para tornar-se efetiva, fundamentando-se na parceria indissociável entre Sabedoria (olho que discerne) e Método (pernas que caminham). * A teoria isolada permanece estéril; a realização exige meios operativos que transformem a aspiração em resultado concreto. * A invocação (japa) constitui o suporte operativo por excelência para a eficácia da doutrina. * A prática da invocação consiste na repetição contínua de uma fórmula sagrada (mantra) para promover a concentração, substituindo pensamentos irrelevantes por um símbolo conciso do Conhecimento a ser realizado. * O objetivo é evitar a vacuidade mental profana: se a alma não for preenchida por espiritualidade, será ocupada por distrações demoníacas, conforme a analogia evangélica dos sete demônios. * O mantra atua como um catalisador do Conhecimento no coração, mantendo a atenção em um ponto de objetivação direta da Verdade. * O mantra "om manI padme hum" (Mani Mantra) representa uma síntese verbal interconectada da doutrina do Bodhisattva, cujos significados metafísicos transcendem a análise racional e a linguagem ordinária. * Críticos hostis rotulam mantras como sem sentido por não compreenderem a correspondência entre diferentes ordens de realidade que o símbolo evoca. * A espiritualidade implica visão intuitiva, dispensando a necessidade de racionalização para aquele que abraça a verdade em um único olhar. * A invocação pode ser auxiliada por rosários ou rodas de Mani, evoluindo para a repetição silenciosa conforme o grau de aptidão do praticante. * A onipresença da invocação no Tibete transforma a vida cotidiana em um estado de oração contínua, onde as ocupações externas são apenas interrupções passageiras na atividade espiritual central. * Relatos de missionários confirmam que os tibetanos são o povo mais piedoso da terra devido a essa integração total. * Métodos análogos existem no Hesicasmo da Igreja Ortodoxa (O Caminho de um Peregrino), demonstrando uma coincidência espiritual universal na técnica da invocação. * O Mani Mantra é atribuído ao Bodhisattva Chenrezig e simboliza a união entre a Luz (Conhecimento) e a sua manifestação ativa como Compaixão. * O verso introdutório da invocação aponta para Amitabha (Luz Ilimitada) como o Guru de Chenrezig, reforçando que a Compaixão nasce do Conhecimento puro. * O verso conclusivo antecipa o voto do Bodhisattva: o mérito da prática é dedicado à emancipação de todos os seres, visando a Terra da Norma (Iluminação). * Cada iniciado no Mani, do novato ao adepto, participa conscientemente da "quintessência concentrada de todos os pensamentos de todos os Buddhas", orientando-se para o estado de Bodhisattva. * O processo provê a ocasião para obedecer ao chamado da transcendência e da dedicação universal. * A invocação do Mani é o suporte que unifica o viajor à função divina da Compaixão. {{tag>Pallis Compaixão Tibete Bodhisattva}} ---- {{topic>Pallis +Compaixão}}