====== VIDA ATIVA (2) ====== //PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.// * A primazia do Conhecimento sobre a Ação decorre da instabilidade inerente desta última, exigindo que a Ação seja situada em relação ao Conhecimento para possuir valor, visto que o contingente só pode ser avaliado em termos do que escapa às limitações temporais. * A tentativa de considerar a Vida Ativa de forma independente assemelha-se à construção de uma casa sobre a areia, conforme a parábola evangélica, resultando em desintegração e falta de perspectiva. * A Ação constitui-se apenas como um instrumento do arsenal do Método e, se divorciada da Sabedoria, revela-se incapaz de sustentar qualquer organização duradoura do mundo ou da vida. * A identidade entre saber e ser implica que os frutos do Conhecimento são permanentes e inerentes ao conhecedor, enquanto os frutos da Ação são exteriores ao ato, situados no tempo e passíveis de perda por ações subsequentes. * O Conhecimento realizado é uma aquisição eterna que não se separa do sujeito. * A Ação permanece sempre separada de seus frutos, conforme a constatação hindu, pois os resultados envolvem elementos externos ao agente e permanecem separáveis. * A irreprocidade de relação entre os dois domínios estabelece a superioridade hierárquica do Conhecimento sobre a Ação, princípio que se aplica tanto à totalidade das vidas Contemplativa e Ativa quanto às faculdades constituintes do ser humano. * O Intelecto transcendente ou a visão unitária da Contemplação deve atuar como guia e governante das faculdades racionais, sensoriais e corpóreas. * A normalidade da vida humana depende da subordinação das tarefas ativas à luz transmitida pela compreensão interior. * A Vida Ativa funciona preeminentemente como um instrumento para a restauração do ser à sua condição de normalidade ou estado primordial, após o qual a importância das disciplinas externas e ativas diminui sensivelmente. * O estado de Adão antes da queda representa o objetivo da disciplina ativa na reintegração do ser. * A hierarquia das funções sociais nas civilizações tradicionais, exemplificada pelo sistema de castas hindu, é determinada pelo grau de participação no Conhecimento ou na Ação, visando a estabilidade e a harmonia através do reconhecimento das diferenças de temperamento. * Indivíduos e raças possuem capacidades distintas para a contemplação ou para a ação, e a harmonia social consiste em dar pleno efeito a essas distinções naturais. * Deveres, direitos e laços sociais perdem o sentido apenas quando o ponto de vista individual é superado pelo conhecimento do Universal. * O princípio da superioridade do Conhecimento fundamenta a relação entre a Autoridade Espiritual e o Poder Temporal, definindo a precedência da primeira sobre o segundo na estrutura da Cristandade e de outras civilizações tradicionais. * A autoridade espiritual detém a palavra final em virtude de sua ligação direta com os princípios universais. {{tag>Pallis Vida-Ativa Vida-Contemplativa}} ---- {{topic>Pallis +Vida-Ativa}}