====== INFINITO E FINITO ====== //SCHAYA, Leo. Naissance à l’esprit. Paris: Dervy-Livres, 1987.// * O Infinito possui a possibilidade de assumir a aparência de algo distinto de Si mesmo, o que constitui o finito, cuja essência permanece idêntica à do Infinito apesar da distinção existencial efetiva. * A inexistência de uma separação total ou confusão absoluta entre ambos fundamenta-se na essência infinita do próprio relativo. * A negação da alteridade absoluta do finito impede a hipótese de um segundo absoluto fora daquele que não possui limites. * O finito reside no Infinito como um termo qualificado por seu designador, sendo simultaneamente afirmado por Ele na criação e negado por Sua realidade absoluta. * A afirmação divina resulta na atualização e criação do finito. * A negação divina implica a separação relativa e a posterior absorção do finito no seio do Infinito. * O desprendimento do finito em relação ao Infinito é apenas relativo, mantendo-se uma continuidade subjacente e immanente que permite a criação do homem como imagem e semelhança do Criador. * A alma humana é definida como uma luz de Deus ou uma porção ilusória do Infinito. * A descontinuidade entre ambos os planos não possui caráter absoluto. * A relação entre a particularização finita e o Todo invisível, conforme formulada por Abd al-Karim al-Jili, estabelece que o eu individual não pode ser o Divino enquanto mantiver sua identidade particular. * Somente a essência infinita do que é limitado identifica-se com o Infinito. * A infinitude divina não se reduz à finitude mesmo quando assume aparências ilusórias de limitação. * A finitude subsiste tanto em sua existência efêmera quanto em seu arquétipo eterno, enquanto o Infinito permanece inalterado além das prefigurações arquétipicas que distinguem o finito. * Os arquétipos possuem um aspecto determinado voltado ao finito e um aspecto indeterinado idêntico ao Infinito. * A expressão sufista nem Ele, nem outro que Ele define as qualidades divinas vinculadas aos arquétipos e seus efeitos criados. * A identidade essencial plena só ocorre quando a determinação individual é superada em sua raiz principial. * A inexistência de uma descontinuidade absoluta entre os planos é reforçada por doutrinas que afirmam a identidade recíproca entre o eu e o Ele, ressalvadas as distinções de cada natureza em si. * A presença do Todo indivisível em cada particularização fundamenta a própria existência do eu. * O eu é uma particularização ilusória do Soi divino, absoluto e infinito. * A confissão mística presente no Cantique des Cantiques expressa a pertença do eu ao Bem-Amado como uma gota de água pertence ao mar, progredindo da dualidade para a união. * O pertencimento inicial evolui para uma liquofação do ser particular na beatitude indivisível. * A transformação total culmina na afirmação de Deus como o Tudo do ser, conforme o testemunho de São Francisco de Assis. * A posse divina estende-se até as faculdades sensoriais do adorador, integrando audição, visão e ação. * O Infinito não se reduz ao finito apesar da identidade essencial, pois o finito permanece como uma possibilidade da Toda-Possibilidade que permite a aparência de alteridade. * O Um revela-Se como a realidade única e fonte imediata de toda vida, luz e forma sob a multiplicidade aparente. * A perfeição do finito é atingida na receptividade total e na extinção da participação individualizada em favor da identidade eterna. * A extinção espiritual do ser humano processa-se tanto na absorção do espírito no Sol supremo quanto na dissolução da substância corporal na materia prima, que é a receptividade materna do Infinito. * O Infinito atualiza e absorve os limites do finito de forma constante em cada instante. * A continuidade relativa da existência renovada é assegurada pela continuidade essencial e arquétipa do Criador. * Fenômenos naturais como o ciclo do sono e das estações simbolizam a nova nascimento espiritual e a renascença no Infinito. * O Corão descreve o destino humano como um ciclo de vida e morte onde a consciência da identidade essencial com o Divino é restaurada após a manifestação sob a aparência finita. * A passagem pela vida física e o retorno à Realidade divina culminam na unificação absoluta com o Ele. * O término do finito coincide necessariamente com sua reabsorção na essência infinita e eterna que preexiste e subsiste a toda manifestação. {{tag>Schaya Infinito Finitude}}