====== MENSAGEM DO CORPO HUMANO ====== * A forma humana distingue-se da animal pela verticalidade e pela referência direta ao Absoluto, constituindo não apenas o ápice biológico mas uma porta aberta para a Iluminação e a saída do Samsara. * Corpo humano como imagem de Deus. * Impossibilidade de superação da forma humana. * Vocação para a fixação na Proximidade divina. * O Princípio Supremo manifesta-se nos corpos sexuados através da polaridade entre o Absoluto e o Infinito, onde o masculino acentua a primeira dimensão e o feminino a segunda. * Presença da Perfeição ou do Bem em ambos os sexos. * Divisão das qualidades cósmicas em rigorosas e doces. * Sobrevivência do andrógino primordial no ser humano. * A hipótese evolucionista é rejeitada em favor da materialização progressiva do arquétipo a partir do mundo sutil, pois a forma humana existe para expressar o Absoluto e não pode resultar de uma elaboração animal arbitrária. * Crítica ao racionalismo e à necessidade de explicação sem Deus. * Descida da criatura através de esferas de luz. * Caráter indepassável da forma humana. * A deiformidade da condição humana implica necessariamente a sacralidade da mulher, cuja beleza corporal veicula uma mensagem espiritual de primeira ordem reconhecida até pelo Budismo Mahayana. * Feminilidade derivada do Eterno Feminino transcendente. * Beleza de Tara e Maya como meios de salvação. * Impossibilidade lógica de excluir a mulher da deiformidade. * A aparente misoginia de certas tradições explica-se pelo uso de métodos espirituais baseados na psicologia masculina de abstração e força, e não pela incapacidade da mulher para a santidade. * Confusão antiga entre alma imortal e intelecto viril. * Necessidade teórica de renascimento em corpo masculino. * Capacidade evidente da mulher para a realização espiritual. * A hierarquização dos sexos possui uma leitura vertical onde o homem reflete Atma e a mulher Maya, mas esta é subordinada à leitura horizontal onde ambos são humanos e reflexos do Absoluto. * Primazia da qualidade humana sobre a diferença sexual. * Antropologia social como um mal menor ou aproximação. * Limitações das convenções tradicionais. * O paradoxo das vias devocionais como o Amidismo reside na manutenção de convenções sobre a inferioridade feminina mesmo quando a doutrina se baseia na misericórdia e no poder do Outro. * Contradição com o panteão povoado de divindades femininas. * Exemplo de santas hindus como Lalla Yogishwari. * Irrelevância do corpo masculino para a integridade espiritual nestes casos. * O corpo feminino é perfeito demais para ser considerado um acidente transitório, comunicando por sua humanidade a vitória sobre a roda de nascimentos e mortes. * Animal como porta fechada sobre sua própria perfeição. * Homem como porta aberta para escapar dos limites. * Caráter teofânico da forma humana. * A beleza física do corpo humano possui uma qualidade teofânica intrínseca que reside na sua forma e inteligibilidade, distinta da beleza expressiva acrescida pela santidade ou pela encarnação de um Avatar. * Crítica à noção de beleza indefinidamente aumentável. * Coincidência entre forma e ideia. * Beleza como manifestação perfeita de um arquétipo. * A sacralidade do corpo do Avatar é sacramental e suréminente, enquanto a do corpo comum deriva de sua humanidade e da coincidência com a intenção divina de nobreza e regularidade. * Distinção entre conteúdo divino e forma humana. * Beleza física como teofania no seu próprio plano. * Independência da forma em relação à alma que a habita. * O simbolismo da infância opera através da analogia inversa, representando não apenas a relatividade do que vem depois, mas a inocência primordial e a proximidade com a Origine e a Essência. * Criança como reflexo de Atma em Maya. * Beleza da promessa e do paraíso não perdido. * Necessidade de integrar a infância no homem maduro. * A aplicação da analogia inversa à feminilidade revela que, embora subordinada na ordem da manifestação, ela é superior no aspecto de infinitude e misericórdia virginal. * Beleza feminina como vinho iniciático. * Superioridade do mistério sobre a precisão lógica. * Complementaridade in divinis. * O simbolismo das partes do corpo associa o peito à natureza solar, manifestando a potência e o rigor no homem e a generosidade e o leite na mulher, ambos reflexos do Ser puro. * Correspondência com Conhecimento e Amor. * Coração como centro do intelecto e do sentimento. * Diferenciação sexual da mesma radiação nobre. * As três regiões do corpo humano expressam subjetividades distintas: a cabeça (intelectual), o tronco (existencial/arquetípica) e o sexo (dinâmica animal-divina e criadora). * Rosto como pensamento e verdade. * Corpo como síntese do ser. * Sexo como amor libertador e retorno à substância. * O vestuário tem a função de isolar a subjetividade mental das interferências das subjetividades existencial e passional, protegendo a mensagem do pensamento contra a perturbação da queda. * Necessidade para o homem cerebral e passional. * Diferença de reflexos no homem primordial. * Perda da inocência e da beleza integral. * A locomoção humana é um ato vertical de peregrinação em direção ao Arquétipo, onde a face anterior aponta para a vocação divina e a posterior para o abandono da imperfeição. * Superação da horizontalidade animal. * Significado positivo e negativo das faces do corpo. * Devenir que carrega a marca do ser. * A existência de animais como o macaco resulta da necessidade da Toda-Possibilidade de manifestar combinações de defeitos e o desejo de usurpação ou imitação da forma humana. * Macaco como porta fechada e caricatura. * Rejeição da ancestralidade evolutiva. * Simbolismo da recusa luciferina. * Os animais nobres e fenômenos naturais são teofanias parciais que excluem qualidades opostas, enquanto o homem é a imagem-síntese que reflete integralmente o Criador. * Limitação da perfeição animal (o cerf não é o leão). * Exclusividade do intelecto e da razão no homem. * Caráter central da forma humana. * A arte sacra do Budismo tântrico utiliza a nudez feminina para evocar a dimensão beatífica e libertadora do Nirvana, aplicando a analogia inversa ao que exotéricamente representaria o samsara. * Reversão do simbolismo da sedução. * Taras e Dakinis como suportes de memória espiritual. * Coincidência entre beleza e misericórdia. * As perspectivas artísticas e espirituais dividem-se entre modos rigorosos e abstratos (masculinos) e modos doces e concretos (femininos), ambos verticais e ascendentes. * Via da Ideia versus via do Símbolo. * Inexistência de mulher absoluta ou mal absoluto. * Possibilidade de espiritualidades femininas. * O perigo da atração estética na arte sacra é neutralizado pelo temperamento contemplativo do fiel e pela presença de elementos terríveis que lembram a impermanência do samsara. * Função de equilíbrio dos aspectos irados. * Contemplação do Divino (darshan) na forma. * Garantia contra a profanação. * O pecado carnal define-se profundamente como a profanação de um mistério teofânico ou como o culto estético da forma finita que oblitera o sentido do transcendente e do infinito. * Insuficiência da noção moral de concupiscência. * Erro do classicismo grego em tornar a beleza um fim em si. * Superioridade da arte que expressa o substancial sobre o acidental.