====== CREATIO EX NIHILO ====== * A expressão creatio ex nihilo não pressupõe uma substância pré-existente, mas indica a possibilidade de princípio da criação, a qual se situa "em Deus" pela imanência ontológica e "fora de Deus" pela contingência fenomênica. * Nihil como ausência de objeto e não como receptáculo. * Presença do Ser e do Arquétipo em todas as coisas (imanência). * Exterioridade definida pela Mâyâ ou relatividade universal. * Incompatibilidade entre o Sumo Bem e o conteúdo negativo do mal. * A existência do mal e da dualidade é intrínseca ao nível da Mâyâ cósmica, distinguindo-se do nível do Absoluto (Atmâ), onde não há oposição, e da Mâyâ metacósmica, onde existem oposições complementares mas não imperfeição. * Absurdidade de "duas realidades" como mistério da Relatividade. * Estrutura ontológica do mal presente na Toda-Possibilidade. * Conteúdo privativo do mal ausente no Princípio. * Deus encara o mal apenas em conexão com o bem maior que o compensa. * A topografia ontológica permite distinguir entre o Absoluto e o Relativo ou, alternativamente, entre a Ordem Divina (Sur-Être e Ser) e a Manifestação, situando o Deus Pessoal como o "relativamente absoluto" acessível ao homem. * Ser como reflexo direto do Absoluto no Relativo. * Necessidade de um Deus Pessoa para haver interlocução. * Divisão entre o Principial e o Manifestado. * O mundo celeste ou angélico atua como reflexo do Princípio e escapa às vicissitudes do samsara, embora não esteja isento das limitações inerentes à Relatividade, as quais não devem ser confundidas com imperfeição moral. * Anjos como "deuses" funcionais ou devas. * Distinção essencial entre limite (ex: esfera) e imperfeição. * Apenas o Não-Manifestado está além de toda possibilidade de limite. * A dinâmica da oração e da Encarnação reflete o duplo movimento de comunicação entre os pólos da realidade: a descida de Atmâ para Mâyâ (Venha o teu Reino) e a ascensão de Mâyâ para Atmâ (Santificado seja o teu Nome). * Deus faz-se homem para que o homem se faça Deus. * Razão de ser do finito: manifestação e retorno (felicidade). * Intercâmbio entre Essência e forma. * O homem deificado assume a função de motor imóvel e centro em relação à coletividade, atualizando através de ritos e símbolos a conexão analógica e unitiva entre a periferia cósmica e o Princípio divino. * Homem comum como representante passivo do Absoluto. * Homem deificado como centro ativo (Krishna e as gopis). * Simbolismo da circum-ambulação (Kaaba) e da respiração (Dança do Sol). * União dos movimentos centrípeto e centrífugo na roda cósmica.