====== INTELIGÊNCIA E CARÁTER ====== * O caráter de uma pessoa é parte integrante de sua inteligência, pois sem a nobreza moral a própria inteligência metafísica torna-se parcialmente inoperante e "planimétrica", captando apenas a superfície das coisas. * Necessidade de conhecer a si mesmo para conhecer o que está fora. * Vontade e sentimento como prolongamentos e faculdades de adequação da inteligência. * Conhecimento planimétrico comparado a perceber o círculo mas não a esfera. * A inteligência plenária exige o sentido da imanência e não apenas da transcendência, o que implica aplicar o discernimento ao próprio ego e reconhecer no "outro" um "eu". * Apreensão simbólica da esfera ou do cubo. * Sentimento legítimo como amor ao que é objetivamente amável (o verdadeiro e o santo). * Amar o próximo como a si mesmo como condição de conhecimento. * O sentido do sagrado e a nobreza da alma baseiam-se na intuição das essências e na transparência metafísica dos fenômenos, opondo-se ao instinto de depreciação característico dos vis. * Respeito e amor fundados na percepção da essência. * O homem vil despreza em função do acidente. * Legitimidade do respeito devido à Verdade. * A inteligência não se limita à discriminação lógica ou adaptação, mas inclui a capacidade contemplativa de pressentir os arquétipos nas coisas, fundamento da visão espiritual (darshan). * Coincidência entre o objeto belo e o sujeito profundo. * Discernimento ligado ao rigor do Absoluto. * Contemplação ligada à doçura do Infinito. * A objeção sobre a existência de homens inteligentes porém maus é respondida pela distinção entre inteligência parcial e inteligência plenária, a qual possui uma infalibilidade pluridimensional que a maldade exclui. * Falta de integridade na inteligência do imoral. * Virtude como modo de adequação espiritual e inteligência essencial. * Diferença entre ingenuidade (naïveté) e tolice (sottise). * O ideal do homo sapiens reside na sabedoria, que é a união da inteligência perfeita com o caráter perfeito, sendo o esoterismo a "religião da inteligência" que opera através do Intelecto puro. * Superioridade do bom senso virtuoso sobre a filosofia desconectada do real. * Esoterismo focado na doutrina de Atma e Maya. * Gnose como restauração da perfeição primordial. * A constituição humana de inteligência, vontade e sentimento destina-se respectivamente à Verdade, ao Bem Soberano e à conformidade com ambos, refletindo a natureza divina onde Deus é Amor. * Sentimento como participação na natureza divina e não fraqueza. * Tríade: Verdade, Via e Virtude. * O amor de Deus como essência da virtude. * O exoterismo atua como um "mal menor" ao colocar a inteligência pura entre parênteses em favor da crença e do sentimento, adaptando-se às limitações da coletividade humana média. * Concessões inevitáveis à natureza decaída. * Ênfase na vontade e no sentimento moral. * Ambiguidade da limitação exotérica nos desígnios da Providência. * A inteligência é intrinsecamente "piedosa" porque sua substância é o discernimento e a contemplação do Bem, de modo que a impiedade intelectual representa a pior corrupção possível. * Corruptio optimi pessima. * Vínculo indissolúvel entre inteligência fundiária e o sentido do sagrado. * A verdadeira virtude desemboca na saúde do espírito e no conhecimento do Real.