====== DIMENSÕES DA PRECE ====== * O ser humano deve encontrar Deus com tudo o que é, pois Deus é o Ser de tudo, e por isso se compreende a injunção bíblica de amar Deus com todas as forças. * Encontro com Deus é exigido na totalidade do ser humano. * Deus é apresentado como Ser de tudo. * Mandato bíblico do amor total a Deus é tomado como expressão desse princípio. * A condição humana factual inclui viver voltado para o exterior e tender aos prazeres, de modo que extroversão e concupiscência devem ser renunciadas diante de Deus porque Deus está presente no interior e porque deve haver possibilidade de encontrar prazer em si mesmo independentemente dos fenômenos sensoriais. * Extroversão é indicada como orientação habitual para fora. * Concupiscência é indicada como tendência aos prazeres. * Presença divina interior é afirmada como primeiro motivo de renúncia. * Autossuficiência interior do prazer é afirmada como segundo motivo de renúncia. * Tudo o que aproxima de Deus traz consigo beatitude, de modo que elevar-se na oração acima das imagens e ruídos da alma constitui libertação pelo Vazio divino e pela Infinitude, configurando a estação da serenidade. * Aproximação de Deus é vinculada à beatitude. * Oração é descrita como elevação acima de imagens e ruídos interiores. * Vazio divino e Infinitude são apresentados como meio de libertação. * Serenidade é definida como estação dessa elevação. * Fenômenos exteriores podem ter virtude interiorizante por nobreza e simbolismo e toda coisa pode ser boa a seu tempo, porém o desprendimento deve ser realizado para que haja direito à exterioridade legítima e para evitar exterioridade sedutora e concupiscência mortífera, pois assim como o Criador é independente da criação por transcendência o ser humano deve ser independente do mundo em vista de Deus, o que remete ao livre-arbítrio como apanágio humano e à capacidade singular de resistir a instintos e desejos sob o signo de Vacare Deo. * Nobreza e simbolismo dos fenômenos exteriores são associados a participação em arquétipos celestes. * Desprendimento é posto como condição de legitimidade da exterioridade. * Exterioridade sedutora e concupiscência mortífera são indicadas como riscos sem desprendimento. * Independência do Criador em relação à criação é tomada como analogia da independência humana em relação ao mundo. * Livre-arbítrio é identificado como apanágio humano. * Resistência a instintos e desejos é apresentada como capacidade exclusiva do ser humano. * Vacare Deo é indicado como expressão dessa disponibilidade para Deus. * A faculdade humana de pensamento racional e de palavra deve atualizar-se na oração como encontro com Deus, pois a salvação não se limita à abstenção do mal e se realiza ainda mais pelo cumprimento do Bem, cuja obra melhor é a que tem Deus por objeto e o coração por agente, identificada como o lembrar-se de Deus. * Pensamento racional e palavra são caracterizados como dimensões humanas próprias. * Oração é definida como encontro com Deus que requer atualização dessas faculdades. * Abstenção do mal é afirmada como insuficiente sem realização do Bem. * Melhor obra é definida por ter Deus como objeto e o coração como agente. * Lembrança de Deus é identificada como essa obra suprema. * A essência da oração é a fé enquanto certeza, manifestada pelo discurso ou apelo dirigido ao Sumo Bem, de modo que oração ou invocação equivale à certeza de Deus e da vocação espiritual humana. * Fé é definida como certeza e como essência da oração. * Discurso e apelo são apresentados como forma de manifestação dessa certeza. * Sumo Bem é nomeado como destinatário do apelo. * Certeza de Deus e da vocação espiritual é tomada como conteúdo equivalente da invocação. * O valor do ato depende da intenção, de modo que na oração não deve haver intenção marcada por ambição e ela deve permanecer pura de vaidade mundana sob pena de provocar a Ira do Céu. * Intenção é indicada como medida do valor da ação. * Ambição é excluída do interior da oração. * Vaidade mundana é indicada como impureza a ser evitada. * Ira do Céu é apresentada como consequência de oração vaidosa. * A oração íntegra não beneficia apenas quem a realiza, pois ela também irradia ao redor e, nesse aspecto, constitui ato de caridade. * Benefício é indicado como pessoal e também circundante. * Irradiação é apresentada como efeito espiritual da oração. * Caridade é definida como dimensão decorrente desse alcance. * Todo ser humano busca felicidade, mas não há felicidade perfeita fora de Deus e qualquer alegria terrestre requer a bênção do Céu, de modo que a oração coloca diante de Deus como Beatitude pura e, havendo consciência disso, nela se encontra Paz, sendo bem-aventurado quem possui senso do Sagrado e abre o coração a esse mistério. * Busca de felicidade é apresentada como dimensão natural humana. * Felicidade perfeita é negada fora de Deus. * Bênção do Céu é indicada como necessidade para qualquer felicidade terrestre. * Deus é apresentado como Beatitude pura perante a qual a oração coloca o ser humano. * Paz é indicada como fruto da consciência dessa presença. * Senso do Sagrado é apresentado como condição de abertura do coração ao mistério. * A mortalidade humana e a posse de uma alma imortal determinam outra dimensão da oração, pois é necessário atravessar a morte e preocupar-se com a Eternidade que está nas mãos de Deus. * Mortalidade é indicada como dado da condição humana. * Alma imortal é indicada como contraponto essencial. * Passagem pela morte é afirmada como inevitável. * Eternidade é apresentada como objeto de cuidado e como dependente de Deus. * Nesse contexto a oração é simultaneamente apelo à Misericórdia e ato de fé e confiança. * Misericórdia é indicada como finalidade do apelo. * Fé e confiança são apresentadas como modos do ato orante. * Dupla função da oração é explicitada como pedido e adesão. * A inteligência capaz de conhecimento metafísico é apresentada como apanágio fundamental humano e por isso determina uma dimensão da oração que coincide com meditação, tendo por sujeito primeiro a realidade absoluta do Princípio Supremo e depois a não-realidade ou realidade relativa do mundo que o manifesta. * Inteligência metafísica é indicada como distintivo humano fundamental. * Oração como meditação é apresentada como consequência necessária dessa capacidade. * Princípio Supremo é afirmado como realidade absoluta e primeiro tema. * Mundo é qualificado como não-realidade ou realidade relativa e como manifestação do Princípio. * Intenções que excedem a própria natureza não devem ser adotadas, de modo que quem não é metafísico não deve supor obrigação de sê-lo, pois Deus ama crianças e sábios e ama a sinceridade de quem sabe permanecer criança. * Limite da natureza pessoal é apresentado como critério de intenção legítima. * Obrigação de ser metafísico é negada para quem não o é. * Deus é dito amar crianças e sábios. * Sinceridade de permanecer criança é indicada como objeto desse amor. * Há dimensões da oração que se impõem a todos e outras que podem ser apenas saudadas de longe, pois importa que haja sinceridade diante de Deus e não grandeza ou pequenez, já que o ser humano é sempre pequeno diante do Criador e ao mesmo tempo há grandeza em dirigir-se a Deus, e em última análise toda qualidade e mérito pertencem ao Sumo Bem. * Dimensões universais da oração são distinguidas de dimensões opcionais. * Sinceridade diante de Deus é indicada como critério central. * Pequenez humana diante do Criador é afirmada. * Grandeza do ato de dirigir-se a Deus é afirmada. * Qualidade e mérito são atribuídos ao Sumo Bem em última instância. * A oração meditativa possui uma dimensão cujo tema é a realidade absoluta do Princípio e correlativamente a não-realidade ou menor realidade do mundo que o manifesta. * Meditação é reafirmada como dimensão específica da oração. * Princípio é reiterado como realidade absoluta. * Mundo é reiterado como realidade menor ou aparência que manifesta o Princípio. * Relação de correlação entre os dois temas é indicada. * Não basta afirmar que Brahma é realidade e o mundo é aparência, pois também se requer a verdade de que a alma não é outra senão Brahma, o que permite tender ao Princípio não apenas intelectualmente mas existencialmente graças à consciência do eu capaz de união subjetiva, de modo que o ego é separado da Divindade imanente enquanto manifestação e não Princípio e contudo não é outro que o Princípio enquanto manifestação, como o reflexo do sol no espelho não é o sol mas não é outro que ele enquanto luz solar. * Brahma como realidade e mundo como aparência são tomados como primeiro enunciado insuficiente. * Alma como não outra que Brahma é apresentada como segundo enunciado necessário. * Tendência ao Princípio é descrita como intelectual e também existencial. * Consciência do eu é indicada como base possível de união subjetiva. * Ego é caracterizado como manifestação e por isso separado do Princípio. * Não-outredade do ego em relação ao Princípio é afirmada enquanto manifestação. * Reflexo do sol no espelho é usado como analogia de distinção sem alteridade essencial. * Com essa consciência permanece a postura diante de Deus simultaneamente transcendente e imanente, e cabe a Deus decidir a amplitude da consciência contemplativa e o mistério do destino espiritual, pois conhecer Deus unitivamente significa que o próprio Deus se conhece no ser humano, ainda que não seja possível saber em que medida tal Consciência divina de Si será realizada, sendo irrelevante sabê-lo ou não já que tudo está nas mãos da Providência. * Transcendência e imanência divinas são mantidas conjuntamente. * Envergadura da consciência contemplativa é atribuída à decisão divina. * Destino espiritual é colocado sob o mistério querido por Deus. * Conhecer unitivamente é definido como Deus conhecendo a si mesmo no ser humano. * Medida dessa realização é indicada como incognoscível ao ser humano. * Irrelevância prática de conhecer essa medida é afirmada. * Providência é indicada como domínio final de todas as coisas.