====== NOÇÃO DE TRADIÇÃO ====== //TOURNIAC, Jean. Melkitsedeq ou la Tradition primordiale. Paris: A. Michel, 1983.// * Definição de tradição em René Guénon como a transmissão de verdades imutáveis e princípios metafísicos. * Distinção entre o sentido vulgar de costume ou rotina e a Tradição com letra maiúscula, referente a conhecimentos de ordem supra-humana. * Caracterização da origem transcendente da tradição como algo que escapa à investigação histórica e se liga à Verdade divina, conforme F. Schuon e J. Thamar. * Identificação do símbolo como o único meio de expressão adequado para as realidades principielles, por ser a linguagem mais próxima da intuição intelectual. * Finalidade da vida tradicional na realização da Identidade Suprema entre o homem e o Princípio divino. * Busca pela compreensão das razões profundas que regem a unidade entre o Macrocosmo e o Microcosmo. * Utilização de técnicas espirituais e perspectivas doutrinárias para superar a dualidade entre o criador e a criatura. * Estrutura social tradicional como reflexo da hierarquia espiritual e funcional do cosmos. * Exemplificação através do sistema de castas da Índia antiga, baseado em qualificações e funções, não apenas em critérios morais modernos ou individuais. * Submissão do indivíduo à função, comparada ao uso da máscara no teatro antigo, onde a realidade superior reside no papel desempenhado. * Referência à Bhagavad-Gîtâ como base para a análise da ação desinteressada e rituais regulados. * O rito (rita) como a conformação de cada ato humano ao seu protótipo eterno. * Definição do ato ritual como aquele que identifica o ser com o que ultrapassa sua individualidade efêmera. * Fundamentação da existência humana na expressão do Ser universal, eterno e uno. * Visão cíclica da história e o processo de degeneração qualitativa do mundo moderno. * Oposição entre a história linear e a concepção circular, onde o fim de um ciclo (entropia e multiplicidade) toca o início de outro (perfeição e simplicidade). * Analogia com as quatro fases da vida humana e os quatro grandes períodos da humanidade (idades de ouro, prata, bronze e ferro). * Correlação bíblica entre o Paraíso terrestre circular e a Jerusalém celeste quadrangular após os eventos apocalípticos. * A Tradição Primordial como paradigma atemporal e o retorno às origens como meta da vida. * Definição das tradições históricas como adaptações temporais e espaciais da única Tradição Primordial. * Necessidade de organizações tradicionais para facilitar a reintegração do homem ao seu estado originário perdido. * Distinção e complementaridade entre os domínios do exoterismo e do esoterismo. * Exoterismo como a dimensão exterior e religiosa, voltada ao "salvamento" e ao ensino geral para a totalidade dos seres. * Esoterismo como a dimensão interior e central, a "medula" vivificante que legitima as formas externas. * Organizações iniciáticas como veículos para o ensino esotérico, operando a abertura da via para o início ou princípio. * Representação geométrica do universo tradicional através do ponto central e da espiral helicoidal. * Centralidade do ponto sem dimensões de onde emanam os raios indefinidos da manifestação. * Uso da vis helicoidal para representar a sucessão dos ciclos e a evolução dos estados do ser. * Caracterização do homo hierarchicus através da tripla hierarquia: altura ascendente, base mediana e profundidade descendente. * Exigência da transmissão ininterrupta e da filiação tradicional para a validade do espírito. * Necessidade da sucessão de homem para homem, garantindo que o que é transmitido tenha sido efetivamente recebido. * Analogia do germe natural: a impossibilidade de gerar vida espiritual sem a semente ou o influxo recebido de uma fonte legítima. * Origem divina das tradições e o símbolo do árvore invertida com raízes no céu. * Reconhecimento de fundadores históricos cujas mensagens decorrem da fonte única e celeste. * Identificação do "céu" como a "terra primeira" ou o estado da Tradição Primordial na obra guenoniana. * Referência de toda doutrina e legitimidade das organizações tradicionais ao princípio inicial da Tradição primordial. * Atribuição da eficácia das influências espirituais, tanto exotéricas quanto esotéricas, à conformidade com o marco principiológico original. * Subordinação da autoridade de qualquer organização religiosa ou iniciática à sua conexão com a fonte primeira. * Surgimento de distinções terminológicas entre a Tradição primordial guenoniana e a Religio perennis schuoniana em debates posteriores. * Inexistência dessa polêmica durante a vida de René Guénon ou nos círculos intelectuais imediatos à sua obra. * Manifestação de divergências doutrinárias décadas após o falecimento do autor, focadas especialmente na natureza do cristianismo. * Contraposição entre a interpretação de Frithjof Schuon e a dos seguidores rigorosos da perspectiva guenoniana. * Argumentação de Frithjof Schuon em favor do termo religião primordial para expressar a conexão intrínseca entre o terrestre e o celeste. * Vantagem etimológica de religere como ato de religar, em contraste com a exterioridade de tradere como ato de entregar elementos rituais ou legais. * Questionamento sobre a aplicabilidade do conceito de transmissão em eras de conhecimento espiritual inato ou espontâneo. * Proposição de que a necessidade de uma tradição exterior implica, por natureza, na multiplicidade de formulações adaptadas. * Definição da Tradição primordial como o germe imperecível e o fundamento absoluto de todo o sagrado no universo manifestado. * Função de pivot e norma para a compreensão das realidades macrocósmicas e microcosmicamente manifestadas. * Identificação da fonte como o depósito eterno da doutrina e da Conhecimento, servindo de base para todas as religiões secundárias. * Caracterização do princípio original como o Templo da Verdade eterna e o fundamento de toda manifestação sagrada.