====== SÍMBOLO IDEOGRÁFICO DO HOMEM UNIVERSAL ====== //VÂLSAN, Michel. L’Islam et la fonction de René Guénon. Paris: Editions de l’Oeuvre, 1984.// * Ao concluir o artigo « La Montagne et la Caverne » publicado em Études Traditionnelles em janeiro de 1938, René Guénon afirma que a representação da caverna no interior da montanha obtém-se pela inserção do triângulo invertido dentro do triângulo direito com coincidência de centros, formando uma figura idêntica ao Selo de Salomão e simbolizando dois princípios complementares. * O triângulo invertido deve ser menor para estar inteiramente contido no triângulo direito. * A figura resultante é explicitamente identificada com o símbolo do Selo de Salomão. * Os dois triângulos opostos representam princípios complementares suscetíveis de diversas aplicações. {{https://hyperlogos.info/img/wiki_up/valsan1.png}} * Ao considerar a hipótese de os lados do triângulo invertido medirem metade dos lados do triângulo direito, descreve-se uma divisão da superfície do triângulo maior em quatro partes iguais, acompanhada de observações numéricas cuja relevância é adiada para estudos posteriores. * O triângulo invertido constitui uma das quatro partes iguais. * As três partes restantes são triângulos direitos. * A entrada da caverna deve tocar a superfície da montanha, implicando contato entre os contornos. * As relações numéricas associadas não são desenvolvidas naquele contexto. * Após a morte de René Guénon, esclarecimentos adicionais sobre esses temas só aparecem em sua correspondência, sendo apresentados por meio de trechos epistolares acompanhados de explicações circunstanciais. * As precisões são qualificadas como inéditas. * Outros leitores só podem conhecê-las por meio de comunicação póstuma. * As passagens são contextualizadas com comentários explicativos. * A questão reaparece a propósito do simbolismo numérico de nomes árabes, recordando-se que em O Simbolismo da Cruz, capítulo III, René Guénon atribui ao conjunto Adam-Ève o número 66 como expressão da Identidade Suprema. * O número 66 resulta da soma dos valores numéricos de Adam wa Hawâ. * A referência à Genèse hebraica associa o estado andrógino à imagem de Deus. * A noção de Homem Universal é vinculada ao esoterismo islâmico. * Em carta de 30 de março de 1940, René Guénon observa que 45, número de Adam, é o triângulo de 9, enquanto 15, número de Hawâ, é o triângulo de 5, sugerindo considerações relativas ao rapport entre esses dois triângulos. * 45 corresponde à soma dos nove primeiros números. * 15 corresponde à soma dos cinco primeiros números. * A intenção de desenvolver o tema em artigo é mencionada. * A observação de que 45 e 15 se relacionam na disposição dos nove primeiros números no chamado quadrado mágico de 9 conduz, em carta de 21 de abril de 1940, à associação entre esses números e os dois triângulos do simbolismo da montanha e da caverna. * Cada linha do quadrado mágico totaliza 15. * O conjunto é centrado no número 5, símbolo do microcosmo humano. * A soma 60 distribui-se em três quartos para Adam e um quarto para Hawâ. * A referência ao termo sânscrito pâda é aproximada de fórmulas hindus aplicáveis ao Homem Universal. {{https://hyperlogos.info/img/wiki_up/valsan2.png}} * A evocação das Upanishads introduz as quatro condições de Atmâ segundo a Mândûkya Upanishad e sua correspondência com as mâtrâs do Aum conforme desenvolvido em L’Homme et son devenir selon le Vêdânta. * Atmâ é identificado com Brahma e possui quatro pâdas. * As três primeiras condições correspondem aos estados de vigília, sonho e sono profundo. * O quarto estado é incondicionado e representado pelo aspecto não expresso do Aum. * A citação da Maitri Upanishad apresenta a inversão proporcional dos quatro pâdas, distinguindo o Turîya como superior e atribuindo três pés ao além do Ser. * Um quarto de Brahma situa-se no domínio do Ser. * Três quartos situam-se além do Ser. * Enumeram-se as possibilidades de manifestação não manifestada, de não-manifestação e o Princípio Supremo como Possibilidade Universal. * Estabelece-se correspondência entre os quatro pâdas e os quatro triângulos da figura, atribuindo ao triângulo invertido o simbolismo do Ser manifestado e aos três triângulos direitos os aspectos além do Ser. * O triângulo superior simboliza o Princípio Supremo. * O triângulo direito e o esquerdo correspondem às possibilidades de não-manifestação e de manifestação não manifestada. * A estrutura figurativa exprime distinções ontológicas. * Considerando as correspondências com os quatro pâdas de Atmâ, procede-se a uma reorganização segundo o simbolismo do centro, da direita e da esquerda, reinterpretando a hierarquia vertical em plano horizontal. * O triângulo superior corresponde ao pâda principial não manifestado. * Os três restantes referem-se aos estados da manifestação. * A noção de direções de via e justiça distributiva é introduzida. * Em perspectiva cosmológica inspirada na Shvetâshvatara Upanishad, o triângulo superior simboliza o Ser Único identificado a Shiva, enquanto os três inferiores correspondem aos três não-nascidos ligados à Natureza Primordial e às almas. * A não-nascida feminina é associada à Shakti e aos três Gunas. * Dois não-nascidos masculinos representam modalidades da alma incriada. * As distinções são apresentadas como hipóstases pedagógicas de uma mesma realidade essencial. * Em carta de 4 de agosto de 1945, René Guénon solicita exame da disposição das letras na figura em que o grande triângulo vale 45 = Adam e o pequeno invertido 15 = Hawâ. * A figura corresponde à anteriormente publicada sem letras. * A intenção de desenvolver o tema no artigo sobre a montanha e a caverna é reiterada. {{https://hyperlogos.info/img/wiki_up/valsan3.png}} * A descrição da figura III apresenta letras árabes compondo Adam no grande triângulo e Hawâ no pequeno, cuja interpenetração forma os termos Ahad, Awm e Dâ’im. * Alif, dâl e mîm compõem Adam. * Hâ, wâw e alif compõem Hawâ. * Ahad significa Um conforme o Corão 112,1. * Awm corresponde à transcrição árabe de Om. * Dâ’im expressa a permanência eterna como nome divino. * A análise do alif superior destaca seu valor numérico 1, sua relação com o nome Allâh e sua função como selo das ciências dos Nomes, dos Números e das Letras ensinadas a Adam segundo o Corão 2,31 e a Genèse II, 19-20. * O alif é princípio numérico e literal. * O som a é apresentado como voz primordial. * A unidade é princípio de todos os números. * A forma de Adam é descrita como criada segundo a Forma de Allâh. * A relação entre o alif superior e o inferior é interpretada como polaridade existencial, tanto em perspectiva microcósmica quanto macrocósmica, articulando simbolismos do Sahasrara, da Sushumma e do al-Amr ar-Rabbânî. * Hawâ é apresentada como complemento refletido de Adam andrógino. * O raio do Sol espiritual atinge o Lótus de mil pétalas. * A descida e ascensão do Comando Senhoril reorganizam o mundo. * O simbolismo da Montanha e da Caverna associa-se às fases de manifestação e ocultação do Pólo espiritual. * Conclui-se que, embora outras constatações numéricas e literais possam ser feitas, destaca-se sobretudo a presença do Aum na figura, cuja inserção em contexto árabe orienta a investigação para novo domínio de estudo. * A aparição do vocábulo védico é considerada fato marcante. * A questão é reservada para desenvolvimento ulterior em capítulo subsequente.