A linguagem da arte tradicional — escrita, épica, folclore, ritual e todos os ofícios conexos — é simbólica, e por ser uma linguagem de símbolos naturais, não de invenção privada nem estabelecida por acordo conciliar ou mera costume, é uma linguagem universal.
-
O símbolo é a incorporação material — em som, figura, cor ou gesto — da forma imitável de uma ideia a comunicar, e essa forma imitável é a causa formal da própria obra de arte
-
O símbolo existe em razão da ideia que incorpora, e não em razão de si mesmo — uma forma efetiva deve ser simbólica de sua referência, ou não é mais que uma figura ininteligível que agradará ou desagradará apenas por gosto
-
A maior parte da estética moderna assume que a arte consiste ou deveria consistir inteiramente em tais figuras ininteligíveis, e que a apreciação da arte consiste ou deveria consistir apenas em reações emocionais apropriadas
-
Escolher considerar apenas as superfícies estéticas das artes antigas, orientais ou populares não habilita ninguém a supor que pode assim escrever a história da arte no sentido de uma explicação pelas quatro causas
-
Para compreender a composição de uma dança ou a disposição das massas numa catedral ou num ícone é necessário compreender a relação lógica das partes — assim como para compreender uma sentença não basta admirar os sons melodiosos
-
O mero “amante da arte” não é muito melhor que uma pega, que também decora seu ninho com o que mais agrada à sua fantasia e se contenta com uma experiência puramente “estética”
-
O poder convocatório da beleza não se dirige apenas aos sentidos, mas através dos sentidos ao intelecto — “a beleza é afim à cognição”
-
Hermes: “uma ideia imaterial”
-
Lankavatara Sutra: “uma pintura que não está nas cores”
-
Dante: “a doutrina que se oculta por detrás do véu dos versos estranhos”
-
Basílio de Cesareia: “o arquétipo da imagem, e não a imagem mesma”
-
Agostinho de Hipona: “É por suas ideias que nós julgamos como as coisas devem ser”