ALLEAU, René. Enigmes et symboles du Mont Saint-Michel. Paris: Julliard, 1970
Os textos antigos relativos ao culto do Arcanjo e dos anjos nos breviários manuscritos do Monte Saint-Michel revelam estreitas ligações litúrgicas com os de Jumièges, de Fécamp e de Saint-Bénigne de Dijon. Na verdade, os conhecimentos atuais nesse domínio baseiam-se principalmente em dois manuscritos que escaparam à dispersão e à destruição dos missais, antifonários, hinários e coletários do Monte, anteriores ao início do século XIII. Dom Jean Lemarié, a quem devemos a publicação e o estudo crítico desses preciosos documentos, especifica assim o estado dessas fontes textuais:
“O primeiro manuscrito (Avranches, 39), único sobrevivente de um breviário em três volumes… contém toda a parte de inverno até o Sábado Santo, inclusive. É um belo exemplar do trabalho dos copistas do Monte, no início do século XIII… O segundo manuscrito, do século XV (Paris, B.N. Nouv. acq. lat. 424), contém apenas a segunda parte, da Páscoa até o fim do ano… Como não existe nenhum breviário impresso no Monte, esses dois manuscritos são, com os Ordinários, no que diz respeito ao ofício coral, os únicos testemunhos do passado litúrgico do Monte.”
Nessas condições, é preciso constatar que as formas particulares da devoção privada e do culto do Arcanjo no Monte Saint-Michel nos são em grande parte desconhecidas, o que agrava ainda mais nossa ignorância da liturgia local anterior à chegada dos beneditinos, no século X.