EPÍSTOLAS AOS CORÍNTIOS

GARCÍA BAZÁN, Francisco. Gnosis. La esencia del dualismo gnóstico. Buenos Aires: Ediciones Universitarias Argentinas, 1978

Para alguns estudiosos, escritos claramente anti-gnósticos. Bazán vê, no entanto, poucos indícios do gnosticismo como nas cartas anteriores. Em 1Cor se apresenta uma polêmica interna na Igreja de Corinto, que parece mais um conflito de personalidades do que doutrinas; Paulo teme que se degenere em debate mundano (sabedoria do mundo). Sobre este aspecto recomendo ver o estudo de Simone Petrement.

Desse modo sabe Paulo que Apolo não o põe, porque olha a Deus, como sabe que outros confiam mais nos recursos humanos. São estes os que se equivocam a aconselha assim também o Apóstolo com magnânimo e profundo critério, seguir os ditados da consciência movida por Deus.

Por último, um discurso sobre a ressurreição de Cristo, onde Paulo está longe de ser um anti-gnóstico, muito pelo contrário inspirador da doutrina gnóstica da ressurreição e do homem (vide Irineu de Lião e Evangelho de Filipe). Assim não encontramos nesta epístola rastros de gnosticismo, porém terminologia e ideias familiares aos gnósticos.

Mas se tampouco nesta Epístola há rastros de gnosticismo, encontramos, sim, uma vez mais, uma terminologia e ideias familiares entre os gnósticos.

Em 2Cor encontramos os primeiros elementos que sem ter a ver com um sistema de gnosis cristã, assinalam um dos filões que tiveram que ver com sua aparição histórica. Há nos capítulos 11 e 12 desta epístola alguns elementos positivos que convém analisar. Combate Paulo personagens e orientações presentes na comunidade de Corínto que apresentam estes caracteres: hebreus e ministros de Cristo e também dotados de eloquência e de ciência e, capazes de perverter a mente dos coríntios, por se considerarem “super-apóstolos”, embora Paulo os trate como “falsos apóstolos”, e incluso se vangloriam de ter uma suprema experiência espiritual, raptos ou revelações místicas das que provêm sua segurança doutrinária.

Paulo afirma que tampouco ele esteve isento de tais experiências extraordinárias, mas que elas são inferiores a sua intuição do mistério de Cristo, ao qual se subordinam e coloca como pedra de toque necessária do caráter de apóstolo : “paciência perfeita nos sofrimentos e também sinais, prodígios e milagres”, o a mais não afeta a tal estado, mas tampouco o justifica.

Neste conjunto de alusões cremos encontrar a seguidores de Cristo, que segundo correntes místicas hebraicas da época, confiam mais na profundidade de sua experiência religiosa pessoal que na doutrina revelada por Jesus Cristo, que enquanto participante de similar sentimento espiritual, chega a ser seu par, o Homem Perfeito.