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Ser superior. O caráter inefável do Ser Supremo é expresso na frase 11: “Os nomes dados às coisas terrenas encerram um grande dano, pois levam o coração do que é sólido para o que não é sólido. Quem ouve Deus não compreende o que é sólido, mas compreende o que não é sólido. O mesmo acontece com o Pai, o Filho, o Espírito Santo, a Vida, a Ressurreição, etc., o que é compreendido não é o sólido, mas o que não o é”. Isso também é comprovado nas frases 14, 21, 43, 50, 72, 84, 120, 125…
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Emanação e queda. A sentença 41 diz: “Se Adão tivesse sido moldado, você encontraria que seus filhos são uma obra nobre; se ele não tivesse sido formado, mas gerado, você encontraria que sua semente é nobre. Por outro lado, ele é o que foi formado, o que foi formado e gerado, grande nobreza é esta”. Podem-se ver também as sentenças 42, 71, 83, 112, etc.
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Demiurgo. O conteúdo da sentença 99 explica nosso título e também o anterior, dizendo assim: “O mundo provém de uma queda. Na verdade, aquele que o formou queria torná-lo incorruptível e imortal. Ele sofreu uma queda e não alcançou seu objetivo, assim não houve incorruptibilidade do mundo nem daquele que fez o mundo”.
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Pneuma oculto no mundo. “Geralmente, um objeto de grande valor não é escondido em um recipiente de qualidade, mas, com frequência, somas incalculáveis são depositadas em um recipiente que mal vale um as. O mesmo acontece com a alma. Ela é um objeto precioso e foi encontrada em um corpo desprezível”. Assim se declara belamente na sentença 22 e se ratifica nas sentenças 47 e 48.
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Dualismo. Na sentença 124, a ideia do dualismo gnóstico é expressa de forma plástica: “Agora, nós possuímos o que é revelado pela criação. Costumamos dizer que as coisas visíveis são fortes e respeitáveis e que as coisas ocultas são fracas e desprezíveis. É assim que acontece, mas para a realidade revelada da Verdade elas são fracas e desprezíveis, mas, ocultas, são fortes e estimáveis… o véu, de fato, as ocultava de alguma forma enquanto Deus governava a criatura, mas quando o véu se rasgar e o interior se manifestar, esta casa deserta será abandonada e cairá destruída”. Isso é confirmado pelas sentenças 11, 16, 17, 19, 25, 26, 33, 34, 47, 58, 61, 69, 80, 85, 121 e 123, etc.
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Salvador. A sentença 5 diz: “Após a vinda de Cristo, o mundo foi criado, as cidades adornadas e a morte rejeitada”, e a 6 completa: “quando éramos hebreus, éramos órfãos, embora tivéssemos mãe, mas uma vez transformados em cristãos, nos foi dado um pai e uma mãe”. Isso também é confirmado pelas sentenças 9, 15, 20, 78, 81, 89 e 116.
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Retorno. Na frase 127, este Evangelho declara: “Se alguém se tornar filho da câmara nupcial, receberá a Luz. Se alguém não a receber enquanto estiver nestes lugares, não poderá recebê-la no outro lugar. Aquele que recebeu esta Luz não poderá ser visto nem compreendido, e ninguém poderá atormentá-lo, mesmo quando ele permanecer no mundo e menos ainda quando o abandonar. Ele já recebeu a verdade em imagens; o mundo tornou-se Eon. Na verdade, o Eon é Pleroma para ele. E assim acontece: ele se manifestou a si mesmo e não ficou oculto nas trevas nem na noite, mas dissimulado em um Dia Perfeito e em uma Luz Santa”. As mesmas ideias estão nos parágrafos 1, 9, 26, 61, 67, 60, 31, 103, 57, 72, 69, 110, 116, 122, etc.
Aqui, como nos testemunhos gnósticos anteriores, o retorno é um retorno à Unidade. Este Evangelho também fala de cinco sacramentos, sendo o fundamental deles o quinto, o da câmara nupcial. Seu simbolismo já nos é familiar por estar intimamente relacionado com a reintegração da Igreja no valentinismo. O retorno ao Pleroma, ao Um, que se torna evidente no autoconhecimento do Eu-Mesmo, é o que se expressa constantemente neste simbolismo gnóstico repetido.