EPÍSTOLA AOS GÁLATAS

GARCÍA BAZÁN, Francisco. Gnosis. La esencia del dualismo gnóstico. Buenos Aires: Ediciones Universitarias Argentinas, 1978GARCÍA BAZÁN, Francisco. Gnosis. La esencia del dualismo gnóstico. Buenos Aires: Ediciones Universitarias Argentinas, 1978

Combate certa mentalidade judaico-cristã; a começar por aqueles que abandonaram o Evangelho de Cristo. São eles “os intrusos”, “os falsos irmãos que se infiltraram solapadamente para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus … a quem cedemos … a fim de salvaguardar para vós a verdade do Evangelho”, confissão que se move em um claro contexto polêmico, o do Concílio de Jerusalém segundo se desenvolve em 2, 1-10. E porque a orientação combatida é a de certas tendências estreitas judeu-cristãs esclarece São Paulo que foi chamado “para que o (= o Evangelho) anunciasse entre os gentios”; se faz presente, que inclusive sendo ele firmemente judeu de nascimento, a Lei não justifica, senão Cristo Jesus, que a Lei nem toca à promessa que vai desde Abraão a Cristo, quando passando por sobre ela e que por isso o que foi puro meio de instrução cumpriu sua função ao chegar seu Fim e que nele que é Cristo, se resolvem todas antinomias. Mas ao igual que no caso anterior encontramos nesta Epístola notas claramente proto-gnósticas.

Fala na entrada da epístola de “Este mundo perverso…” : Gal 1:4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,

Participação intensa e destacada na revelação: Gal 1:15 Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,

Paralelo gnóstico: Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (Gal 2:19-20)

À contraposição de mundos implícita em 1,4, se agrega a oposição entre espírito e carne:

Não só a promessa desde Abraão passa a Cristo, que é seu continuador direto e a lei se mostra como um interregno para as transgressões, senão que esta subentendida oposição entre o AT e o NT: se robustece ao se dizer com uma tradição judia e apocalíptica que a lei foi promulgada pelos anjos e que Moisés foi seu mediador (3,15ss).

Os cristãos formam uma unidade com Cristo, este os faz partícipes da promessa e assim superam as antinomias que estão sob Ele e são livres.

Submissão aos “elementos do mundo” (stoicheia tou kosmou), aqui a simples vista, primeiro, a lei, mas depois, deuses (= elementos sem força e sem valor) que se vinculam ao culto segundo um calendário de dias, meses, estações e anos (v. Tempo).

Conhecimento de Deus procede da graça divina

Se nomeia aos espirituais (hoi pneumatikoi), que podem ser tentados, mas são superiores aos que faltam. E no epílogo diz Paulo que o mundo está crucificado para ele e ele para o mundo.

Resumo:

Nesta epístola García Bazán percebe um claro aumento do clima gnóstico, é provável que como resposta a tendências judaizantes no teológico e institucional mais superficiais. A ressurreição de Cristo, pedra de toque dos outros escritos, é meramente mencionada.