As ciências fáticas, como a física e a química, devem integrar-se em domínios epistemológicos mais densos, a exemplo da cosmologia e da alquimia, onde o cosmos é visto como o reflexo de uma fisiologia cósmica metafísica.
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A colaboração dessas disciplinas como saberes auxiliares permite a percepção das transformações materiais sob o prisma de uma ordem superior.
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O orbe terrestre deixa de ser uma conformação espacial convencional para ser compreendido segundo os critérios de uma geografia sagrada.
As disciplinas que tematizam o homem e suas atividades conscientes, como a história, a sociologia e a economia, demandam integração em uma cosmobiologia universal unitária que contemple as correspondências astrológicas e o sentido último do universo.
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O enfoque interdisciplinar revela-se intrínseco quando cada ciência reconhece a necessidade de ser completada por uma visão filosófica integradora.
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A fragmentação do saber humano é superada pela admissão de que os terrenos parciais de estudo pertencem a um quadro de sentido que ultrapassa a mera aplicação técnica.
A medicina, embora possua uma finalidade pragmática de cura, incorre em fracasso quando se limita a uma orientação estritamente somática que negligencia a integridade do ser humano em favor do cuidado exclusivo com o corpo.
A história constitui-se como uma metafísica da história ao ser entendida como o entramado harmônico que reflete a irradiação do Absoluto em conjunção com a liberdade humana, superando a simples recuperação de fatos do passado.
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Os eventos históricos são interpretados como signos de um destino transcendente que se desenrola em uma espiral cósmica.
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A atividade humana, orientada por fins, gera méritos e deméritos dentro de um sistema de justiça universal que ultrapassa a mera historicidade existencial.
As organizações sociopolíticas são a atualização de uma lei dhármica que deve estar inserida em uma metafísica da civilização, recuperando princípios tradicionais de hierarquia e funções intelectuais para além das soberanias nacionais atomizadas.
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René Guénon identifica na desestruturação da cristandade e na fragmentação do Islã sinais da desnaturalização da civilização ocidental e oriental frente à modernidade.
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O ideal do bem comum político e transcendente exige a subordinação da economia e da sociologia a uma estrutura fundamentada na Tradição Primordial e no respeito à disposição pessoal.
A identidade suprema do homem não se encontra na individualidade psíquica ou orgânica, mas na sua essência como espírito vivente, transliterado como jivatman, que em sua ultimidade é o próprio Absoluto.
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A antropologia de viés teológico ou biológico desvanece-se em uma metafísica do homem que nega toda diferenciação em favor da Unidade.
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A teoria da libertação, denominada moksha no Advaita Vedanta, conforme as exposições de René Guénon, explica a superação da condição de indivíduo em direção à Identidade Suprema.
O saber integral e a libertação não são atingidos pelo exercício isolado da reflexão intelectual, mas através da assimilação vital das ideias por meio da integração em uma linhagem iniciática regular.
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A metafísica não opera em um universo de abstrações, exigindo a incorporação das realidades experimentadas na própria existência.
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A vivência das ideias é a condição necessária para que o conhecimento deixe de ser uma inquietação problemática e se torne efetiva realização espiritual.