De Sophia se separou sua Intenção (Enthymesis), misturada de paixão. A operação sobre ela será pois dupla, a primeira é uma formação que se realiza em dois tempos “segundo a substância” e “segundo a gnose”. A Intenção / Achamoth se agitou no vazio. Estava fora do Pleroma e era informa e sem espécie, como um aborto, já que Sophia não havia conhecido varão. Mas o Cristo tem piedade dela. Se estende sobre a Cruz e “forma” com sua potência a esta Sophia, formação de substância e não de gnose. Depois o retirou sua potência com o objetivo de que esta Sophia de baixo se desse conta da paixão que albergava excluída do Pleroma, e aspirasse ao superior, deixando, além do mais, sobre ela certo aroma de incorruptibilidade, proveniente do Cristo e o Espírito Santo (em Hipólito, Cristo-Espírito Santo, separam ao aborto, Cristo formou uma Sophia exterior, Éon Perfeito, capaz de Chegar a ser igual aos Eones do Pleroma).
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Formada e consciente Sophia, foi abandonada pelo Logos ou Cristo. Então buscou a Luz que a havia abandonado, o Limite a detém, dizendo Iao — esta é a origem de seu nome —.
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Não podendo atravessar o Limite, e formada substancialmente, foi enevoada por todos os tipos de paixões, tristeza, temor e angústia; mas, diferentemente da Sophia pleromática não suporta a alteração, mas aceita a luta de contrários; se “converte” (vide strepho)até quem a havia vivificado e dali se separam as substâncias da matéria de que está formado nosso mundo.
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Os nomes de Sophia são: Sophia (Hipólito a chama Sophia de fora, como exterior ao Pleroma); Espírito Santo; Pneuma — já que será depois a mãe dos pneumáticos; Segunda Ogdoada, o que expressa sua relação profunda com o Pleroma, por ser uma natureza pneumática; também se denomina Terra, Jerusalém, Mãe, Senhor, Intenção e Achamoth (estes últimos nomes não aparecem em Hipólito).
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Continuando com a formação segundo a gnose, o papel fundamental é o do Salvador.
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Quando Sophia subia até o alto foi enviado o Paracleto ou Salvador a quem o Pai e conjuntamente todos os Eones deram uma total virtude.
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Foi enviado até ela com seus anjos e quando Achamoth o viu por reverência, se cobriu com um véu, depois ao olhá-lo, ele e seus anjos correram até Sophia e recebeu uma “virtude”: a formação de gnose e cura das paixões.
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Mas como já dito, estas não podiam desaparecer, o Salvador as separou e misturou e a paixão incorpórea se transformou em matéria incorpórea, depois o outorgou atitude e natureza, para poder formar corpos combinados.
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Houve, desta maneira duas substâncias, uma má e outra possível de conversão. Por isto chamam o Salvador, “demiurgo em potência”.
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Achamoth, livre de sua paixão,vendo aos anjos, ficou prenhe de tal visão e concebeu “frutos” a sua imagem, concepção espiritual a semelhança dos “servidores” do Salvador.
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Temos assim pois, uma tripla distinção: uma substância espiritual, surgida por concepção direta de Sophia, uma material, má, saída das paixões e uma “passível”, psíquica, a da conversão.
O Demiurgo.
Pneuma no mundo e dualismo.
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Uma vez feito o mundo, o demiurgo fabricou o homem. Em primeiro lugar o hylico ou terrestre, retirado da matéria invisível e a esta forma insuflou o homem psíquico, “a sua imagem e semelhança”. Depois o envolveu com uma túnica de pele, o elemento carnal; mas Achamoth contemplando aos anjos do Salvador concebeu o que lhe consubstancial, o pneumático, secretamente o pois no demiurgo e desta forma, sem sabê-lo, o fez penetrar no homem hylico e psíquico, naquelas almas que são as “justas”, “boas por natureza”.
Salvador.
Retorno.