As matemáticas responderam primeiro a exigências utilitárias e a necessidades sociais, servindo ao recenseamento das colheitas e dos rebanhos, ao arpeamento das terras, à arquitetura dos edifícios e ao cálculo dos movimentos celestes.
Essa geometria intuitiva era instintivamente fundada sobre duas noções fundamentais de ordem e de continuidade, posteriormente iluminadas por Leibniz, que constituem as condições da análise de situação por ele nomeada analysis situs.
-
Os procedimentos dessa análise, extensões, regressões, exclusões, convergências e conexões, formam igualmente a base do mecanismo ordinário do pensamento humano, expresso com gestos e verbos.
Para exprimir suas ideias o homem emprestou seus meios de expressão às formas das coisas e aos movimentos das figuras circundantes, importando-lhe apenas sua aparência e a direção de seu deslocamento, que podia servir de referência e de símbolo aproximativo.
-
Os verbos acabaram por monopolizar essa função, seguidos pelos advérbios e pelas preposições adverbiais.
-
Ao classificar os verbos em trinta e seis grupos correspondendo cada um a um gesto determinado, aplicou-se à linguagem a lógica dos grupos matematicamente ordenada pelos matemáticos, baseada nas relações de interdependência que definiam a nova topologia, em que a natureza das figuras não era modificada pelos deslocamentos impostos, da mesma forma que um sentido metafórico idêntico permanecia sob a diversidade dos verbos do grupo.
Os conceitos com os quais o homem interpreta o mundo possuem o caráter de um grupo que, segundo Poincaré, preexiste no espírito de tal modo que não se pode pensar sem sua intervenção.
-
O pensamento é sempre global e não individualiza suas imagens, que participam muito do sonho acordado, como a nuvem em que Hamlet via simultaneamente uma baleia, uma doninha e um camelo.
-
O pensamento só capta um conjunto de elementos de mesma forma, um grupo de mesma atitude, um gesto de mesmo sentido, constituindo o referencial comum que caracteriza o interesse passageiro.
-
A linguagem não pode obter uma precisão maior do que a do pensamento que tenta traduzir, e do gesto ao símbolo o mecanismo da língua, dos signos e do pensamento utiliza uma simples analogia topológica.