A arquitetura não se limitava a construir casas ou templos, abrangendo tudo o que se compreende sob o termo urbanismo, ciência tão antiga quanto a mais antiga cidade da história, manejando jardins, canais e estradas, erguendo fortificações, escavando portos e organizando o espaço segundo uma topografia ritual em acordo com as leis do mundo visível e invisível.
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A fundação de uma cidade não parecia menos importante que o estabelecimento de uma doutrina, pois ambos deviam manifestar os mesmos princípios.
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Cada capital, refletindo sobre a terra a ordem suposta que reina nos céus, tornava-se o reservatório das influências superiores que irradiariam a partir desse centro sobre toda a superfície do reino.
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A escolha dos lugares privilegiados para a fundação de cidades procedia de regras precisas e constituía uma ciência antiga hoje perdida, a geografia sagrada, à qual Platão alude no Timeu a propósito do delta do Nilo.
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A direção dos ventos, o curso das águas, a posição dos bosques e das colinas, tudo o que favorece a corrente das forças, possuía um valor do qual Roma e Jerusalém fornecem os exemplos mais notórios.
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A simples técnica dos monumentos não pode revelar o segredo de sua construção, pois no espírito dos antigos arquitetos o ofício era apenas um instrumento, como a natureza nas mãos de seu Criador.