A obra de arte pode ser definida essencialmente como um sistema de símbolos expressos por ritmos, definição que explica seu valor, pois no presente estado de existência o homem só pode comunicar com os estados superiores do ser e facilitar seu acesso aos outros por meio de ritmos, sejam palavras, objetos ou gestos, isto é, encantações, meditações ou ações.
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Perceber ritmos constitui uma necessidade; o ritmo, retorno cíclico, religa o ser à sua origem e perpetua nele o sopro primordial do qual é oriundo.
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As verdades primeiras encontram nas coisas belas suas manifestações sensíveis menos imperfeitas; por isso, dizem os escolásticos, a beleza é um dos nomes divinos.
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A arte não pode ter origem puramente humana, sendo que todas as tradições ensinam que deuses, demônios, anjos ou heróis inspiraram aos homens o uso dos materiais e instrumentos de ofício, como Hefesto na tradição helenística, Atena que tece a tela, e Set na tradição hebraica que constrói a primeira cidade.
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A arte não progride; seu começo é sempre atual, pois se situa fora do tempo e transmite a imagem ritual do que se fez na origem.
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Entre um bisão desenhado em ocre nas paredes da gruta de Altamira por um artista magdaleniano e um galgo de Pisanello ou um leão de Barye não se pode dizer que haja progresso.
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A autonomia e a autarquia do primitivo permanecem inconcebíveis para o homem moderno, que não compreende que o ter, ou seja, o material inteiro da civilização, não pode prosperar senão às expensas do ser, sendo que a civilização moderna, por evidentes que sejam suas vantagens, constitui uma excrescência que esvaziou o homem de sua substância íntima.
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O homem primitivo era um super-homem no verdadeiro sentido do termo, correspondendo aos antigos indivíduos autônomos do taoismo.
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Criar necessidades é esvaziar o homem de sua substância; para compreender a vida dos homens antigos é preciso admitir neles, por equilíbrio, uma espiritualidade tanto mais elevada quanto não era entravada por nenhum artifício.
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A criação da arte participa da queda do homem, de sua separação e da maldição divina, sendo os ofícios uma compensação a essa queda e um remédio coexistente ao mal, embora a arte plástica só se desenvolva mais tarde com os neolíticos agricultores, sedentários e criadores de cidades.
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Não existe diferença essencial entre as artes rítmicas do tempo, poesia e música, próprias aos povos pastores, e as artes plásticas do espaço próprias aos povos sedentários.
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Em todas as suas manifestações, a arte era e continua sendo a fixação simbólica de um pensamento.