Nos mistérios antigos, o postulante submetia-se a um jejum severo antes de enfrentar as purificações pelos elementos, nu e em silêncio, sendo as provas organizadas como viagens sucessivas associadas aos diferentes elementos, com descida subterrânea, travessia das águas e ascensão celeste pelo ar.
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A exploração subterrânea figurava uma descida aos Infernos, isto é, aos estados inferiores do ser, recapitulando os estados anteriores ao estado humano e permitindo ao myste esgotar as possibilidades inferiores que carrega em si.
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A iniciação era considerada um segundo nascimento, e essa descida infernal figurava uma morte ao mundo profano.
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A mudança de estado se passava nas trevas, como toda metamorfose, e o myste recebia um nome novo representando sua nova entidade.
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Morte e renascimento constituíam apenas as duas fases complementares de uma mesma mudança de estado vista de dois lados opostos.
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O segundo nascimento sendo uma regeneração psíquica, as primeiras etapas do desenvolvimento iniciático se efetuavam na ordem psíquica, sendo o momento crucial a passagem dessa ordem à ordem espiritual realizada pelos Grandes Mistérios, simbolizada por uma saída da caverna.
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Esse estágio representava um terceiro nascimento e uma libertação fora do cosmos.
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Nos mistérios de Elêusis, a união final com a divindade era figurada por uma hierogamia celebrada entre o hierofante e a deusa, personificada por uma sacerdotisa.
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O fruto dessa união era anunciado sob o nome do próprio myste, integrado doravante na família dos filhos do céu e da terra, conforme diziam as tábuas órficas.
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Um ano depois, os mystes podiam aceder ao grau de epopte, isto é, de contemplativo ou adepto, o que consagrava seu estado virtual de união permanente com a divindade.