A linguagem nasceu de um acordo fortuito, reconhecido e aceito, entre um sentimento e um som correspondente emitido pela boca, por meio de uma entonação da voz associada a esse sentimento.
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Em francês, as labiais B e M provocam o movimento de abertura dos lábios, facilitando ao mesmo tempo ações como beber, morder e murmurar; a dental T deriva naturalmente de sugar, ordenhar e puxar; a gutural G se associa a rosnar, gritar e inchar; o R evoca o escoamento e o ímpeto; o L, a lentidão e o languor.
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As vogais graves A, O, U parecem mais distantes; as vogais agudas E e I parecem mais próximas.
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Essas consonâncias são relíquias que testemunham em favor de uma antiga correlação entre fundo e forma, vestígios de uma língua muito antiga que conservaria traços de uma origem quase animal ou celeste.
Os linguistas contemporâneos abandonaram a pretensão dos sábios do século XIX de encontrar a língua primitiva, e tudo o que se pode dizer sobre o aparecimento da fala é hipótese baseada em reconstituição psicológica confrontada com os estados mais antigos das línguas datados pela glotocronologia.
Os linguistas anglo-saxões supuseram várias fontes possíveis para o nascimento das línguas, nenhuma delas exclusiva e todas provavelmente redutíveis a uma fonte comum.
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A teoria do bow-wow propõe uma fonte imitativa: a linguagem teria nascido de onomatopeias que imitavam ruídos ou gritos naturais.
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A teoria do pooh-pooh propõe uma fonte emotiva: a linguagem teria se formado progressivamente a partir de sons espontaneamente expressivos associados a sentimentos definidos.
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A teoria do ding-dong propõe uma fonte harmônica: a língua evocaria uma correlação simbólica entre um som e seu impacto impressionista.
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A teoria do yo-he-yo propõe uma fonte social: a língua teria nascido dos cantos ou coros que acompanhavam o esforço muscular e ritmavam os gestos coletivos dos ancestrais no trabalho.
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Outras teorias recorrem ao desenvolvimento do primeiro balbucio infantil ou ao canto espontâneo como afirmação de uma presença.
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O que se pode reter é o aparecimento simultâneo do homem e da fala: quando o grito emitido sob a pressão de um sentimento foi interpretado pelos ouvintes como comunicação suficientemente clara para ser obedecida, de um só golpe a linguagem nasceu e com ela o símbolo, pela associação de um sentimento com a música de uma voz.