A imprecisão subjetiva dos sentidos deriva de todos provirem da pele e do tato, que Epicuro já considerava o sentido fundamental, e as mensagens sensoriais devem atravessar numerosos centros nervosos antes de serem assimiladas.
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Os demais sentidos se destacaram do tato por especificação do ectoderma embrionário, conservando muito de sua superficialidade.
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As mensagens das células sensoriais percorrem medula, hipófise, hipotálamo, corpo estriado e córtex, que sintetizam essas mensagens e as comunicam às funções motoras para sua interpretação racional.
Leibniz, retomando o adágio escolástico de que nada há na inteligência que não tenha passado pelos sentidos, acrescentou a correção fundamental de que a própria inteligência é exceção, restabelecendo no primeiro plano da apreensão dos signos a atividade do pensamento, posição antecipada por Plínio na afirmação de que é por meio do espírito que se vê.
A psicologia contemporânea chama de projeção a interpretação pela qual o intelecto faz passar cada signo percebido, sem a qual ele permaneceria incompreensível, e Alberti havia reconhecido o fato no artista.
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Cada nova mensagem é interceptada por um crivo de referências estritamente pessoais.
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O termo supra-impressão, tornado familiar pelo cinema, seria mais evocativo que projeção, por revelar a natureza retroativa desse palimpsesto de imagens que faz reviver, para toda percepção nova, uma sensação antiga instintivamente reaparecida.
Nada pode ser compreendido sem que remeta a uma recordação, e nada pode ser admitido sem que se possa aproximá-lo de um precedente conservado na memória, verdade repetida por pensadores de todos os tempos.
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Platão afirma que o conhecimento depende de uma reminiscência.
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Diderot afirma que a palavra dor só começa a significar algo quando faz retornar à memória uma sensação já experimentada.
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Goethe afirma que só se vê aquilo que se conhece.
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Cassirer afirma que não se pode admitir a existência de uma coisa sem que se lhe possa dar uma significação.
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Proust redescobriu essa coincidência de duas experiências afastadas, alargando seu campo até confundir duas ambiências geográficas e sentimentais, dois momentos e duas situações de sua vida, evocados pelo sabor da madeleine de Combray e pelo contato dos calçamentos desiguais de São Marcos.
Toda sensação faz retornar à superfície da consciência um esquema mental esquecido, um signo correspondente a uma impressão já experimentada, permitindo classificá-lo numa estrutura temática da memória, reconhecê-lo e aceitá-lo, operação que Gombrich definiu na frase: decifrar uma mensagem é perceber uma forma simbólica.