O modelo sendo ideal, não pode ser tomado da natureza, e a visão interior, para ser inteligível aos outros, deve como toda linguagem recorrer a uma forma tradicional de expressão, adaptando-se a um cânone ensinado e adquirido, o que implica uma concepção do ensino da arte muito diferente da que prevalece hoje.
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Até a Renascença a arte estava a serviço da teologia, e o artista era obrigado a aprender e respeitar a gramática e a sintaxe de sua língua, ou seja, os temas iconográficos, os cânones de proporções e os tipos.
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Um arte intelectual limita-se a reunir signos de troca; quanto mais impessoal, mais se aproxima do objetivo.
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Por uma degenerescência natural, o mecanismo dos gestos e das formas sobreviveu ao espírito que os havia criado, e nas academias se ensinou os signos de uma espiritualidade morta, chegando-se a uma arte puramente formal, sem significação superior, incapaz de transmitir mais do que sentimentos e sensações.
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A arte da Renascença tomou emprestados seus meios de expressão de uma Antiguidade desaparecida e de uma tradição extinta.
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Esse divórcio do ensino e da realidade atingiu seu auge em meados do século XIX e provocou a revolução impressionista, que restabeleceu uma equivalência momentânea e ilusória entre a maneira de pintar e a maneira de ver e sentir.
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Não sendo em nenhum grau intelectual, o impressionismo suprimiu naturalmente toda escola e tornou-se o pai dos pintores de domingo.