A vocalização das letras iniciais dos pronomes trai os sentimentos do locutor e a importância de sua situação.
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O I agudo de aqui!, que o dono de um cão lhe ensina a compreender e respeitar, caracteriza o que é próximo e é natural que termine a palavra moi (eu em francês).
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O A grave e reduplicado de là-bas indica um afastamento no espaço, no tempo e mesmo no interesse que se lhe dedica.
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O M do moi está associado a tudo o que é íntimo e centrípeto, como Mãe e Morada; as letras T e D estão associadas às tendências centrífugas e são os ideogramas universais do outro, cujo pronome demonstrativo latino iste designa aquele cujo nome só se pronuncia com nuance de desprezo ou desgosto.
Com as três pessoas aparecem os três primeiros números, associando-se ao eu o Um, ao tu o Dois e ao ele o Três, que nas línguas mais primitivas, como entre os bosquímanos, representa uma pluralidade indeterminada, isto é, muito, como ocorre com a palavra cem no francês e no chinês, e mesmo com a palavra très, derivada também de três.
O primeiro locutor expressou seus rapports com as coisas que o cercavam a partir de sua própria pessoa, colocada no centro de sua atividade, recorrendo às posições do corpo e aos gestos da mão nas diferentes direções do espaço.
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O dedo indicador da mão direita foi dirigido para a coisa que se queria assinalar à atenção do interlocutor, aquela coisa cujo nome se contentará de dizer mais tarde, pois dizer se liga etimologicamente a uma raiz que significa mostrar com o dedo.
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A palavra aparece assim como um gesto supletivo e logo substitutivo, que economiza a execução de um gesto efetivo e tem a vantagem de poder ser ouvido por um interlocutor incapaz de ver.
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A ajuda da etimologia, essa arqueologia da linguagem, tão delicada de interpretar quanto os vestígios desenterrados pelos pré-historiadores, permite precisar o mecanismo simbólico das palavras.