A observação de C. Lévi-Straus sobre o rito xamânico Cuna, segundo a qual a inexistência de correspondência objetiva da mitologia não importa porque a doente e sua sociedade acreditam nela, é tomada como expressão de um entendimento ocidental que reduz a eficácia ritual a um placebo sociocultural, recusando porém o que se designa como causalidade simbólica ou semântica, isto é, a eficácia do conteúdo inteligível do signo que produz saúde por significá-la mediante analogia e parentesco semântico entre signos e coisas.
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Rito xamânico Cuna associado ao auxílio ao parto.
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Referência a C. Lévi-Straus e à fórmula sobre crença individual e social.
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Interpretação ocidental como auto-sugestão coletiva e placebo sociocultural.
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Introdução da noção de causalidade simbólica ou causalidade semântica.
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Eficácia do conteúdo inteligível do signo como causa.
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Saúde causada por significação direta ou indireta.
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Fundamento em analogia e parentesco de natureza semântica.
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Âmbito de aplicação: ritos sagrados, astrologia, operações alquímicas.
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Ação primária por similitudes inteligíveis e relações semânticas de expressão.
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Exemplo cristão: sacramentos que produzem o que significam.
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Participação real da forma simbólica no ser do referente e comunicação de sua virtude.
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Retomada posterior anunciada: Johann Kepler e causalidade semântica.
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Questionamento da causalidade semântica como questionamento do simbolismo sacro.
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Neutralização onto-cosmológica do símbolo como consequência.