O encontro ecumênico contemporâneo revela um desequilíbrio fundamental e instransponível, pois a religião protestante, comparada por Kant à religião estabelecida nos limites da simples razão, não necessita abandonar nenhum de seus dogmas básicos, enquanto o catolicismo precisaria abdicar de uma incalculável multiplicidade de crenças, sacramentos e práticas.
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Submissão hierárquica da razão à fé no catolicismo em nítido contraste com a exclusão prévia da razão do domínio da fé promovida no luteranismo.
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Impossibilidade lógica de reciprocidade absoluta nas concessões doutrinárias entre um sistema religioso complexo e abrangente e um sistema intrinsecamente reduzido e simplificado.
O princípio interior e formativo da justificação exclusiva pela fé constitui uma heresia documentada tanto na ordem teológica quanto na filosófica, cuja gravidade conceitual exige análise rigorosa diante das tentativas contemporâneas de elevar o idealizador da Reforma à inusitada condição de Padre da Igreja.
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Pressão retórica e acadêmica para que os herdeiros do catolicismo peçam perdão histórico pelas condutas pregressas da instituição romana.
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Aceitação acrítica e sentimental das doutrinas reformadas por parte de clérigos modernos inclinados a ignorar o aprendizado doutrinal rigoroso em nome de uma caridade ecumênica superficial.
A sinceridade e a intensidade avassaladora da fé do reformador exercem uma fascinação imperiosa sobre diversos intelectuais e fiéis, transmitindo a percepção ilusória de uma redescoberta purificadora da fonte cristã original totalmente livre das tradicionais regras e das complexas instituições dogmáticas.
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Reação intensamente emocional e imediata aos textos do reformador como se fossem a emanação de uma nova e irrefreável revelação divina.
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Indiferença condescendente perante os excessos grosseiros de linguagem e as inevitáveis condenações doutrinárias diante da força persuasiva de uma convicção existencial avassaladora.
A experiência subjetiva da fé veicula obrigatoriamente um sistema de princípios especulativos subjacentes, cuja estrutura lógica e teológica latente conduz a consequências inelutáveis e formadoras de toda a realidade espiritual subsequente da doutrina.
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Analogia anatômica entre a exteriorização visível da psicologia e o esqueleto oculto mas determinante que obrigatoriamente sustenta a motricidade dos músculos corporais.
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Existencialismo radical e embriagador da relação íntima com Cristo sempre alicerçado em bases doutrinárias específicas de onde emergem fatalmente os desdobramentos lógicos do sistema.
A doutrina teológica elementar contida no referido princípio existencial revela-se objetivamente falsa e inerentemente contraditória, gerando ambiguidades especulativas que mantêm os próprios estudiosos especializados em exaustivo e inconclusivo debate sobre sua verdadeira significação mesmo após a passagem de meio milênio de história.
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Independência absoluta do erro ontológico e doutrinário em relação às eventuais boas intenções sentimentais ou piedosas de seu formulador original.
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Recusa prática e intelectual contínua da jurisdição teológica tradicional acompanhada, de forma paradoxal, pela persistência da mais profunda obscuridade conceitual em torno da premissa central.
A tese reformada basilar cristalizou-se historicamente como um mecanismo psicológico rudimentar forjado para neutralizar o terror obsessivo da condenação infernal, baseando-se na premissa apavorante de que a natureza humana é integralmente corrupta e as melhores obras são completamente incapazes de apaziguar a rigorosa justiça divina.
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Sensação absoluta de inanidade e inutilidade intrínseca aplicada aos jejuns, atos de caridade assíduos e orações constantes perante a onipresença avassaladora do pecado pessoal.
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Interpretação disruptiva de uma passagem clássica da epístola aos Romanos identificada como a súbita e tranquilizadora revelação de uma justiça-estado totalmente passiva em direta oposição a uma operante justiça-ação.
A justificação salvífica adquire nesta ótica um caráter estritamente forense e exterior, na qual a pureza da justiça de Cristo é imputada de forma extrínseca ao crente como um manto protetor que salva da danação incontornável sem erradicar a condição interna do estado de pecador inveterado.
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Impossibilidade dogmática da penetração interior transformadora da justiça divina em uma natureza humana assumida como permanentemente imunda e apodrecida.
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Rejeição total e agressiva do valor ontológico das obras humanas e da missa sacrificial descritas como blasfêmias abomináveis dirigidas contra a exclusividade redentora estrita da crucificação solitária.
O sinal infalível e único da salvação pessoal garantida reside na fé subjetiva, a qual atesta interiormente a operação redentora puramente externa e exige simultaneamente a rejeição absoluta de qualquer grau de confiança colaborativa nas obras humanas.
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Exigência divina radicalmente reduzida de forma exclusiva à crença passiva e totalitária na eficácia redentora na pessoa de Jesus Cristo.
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Interdependência causal mútua e inseparável solidificada entre a justificação forense exterior imputada e o testemunho psicológico interior e exclusivo da fé individual.
A exegese que sustenta a justificação meramente extrínseca e a permanência simultânea do estado paradoxal de justo e pecador diverge radicalmente dos ensinamentos originais de São Paulo e da doutrina católica fundamentada na transformação interior operada pela infusão real da justiça de Cristo na alma.
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Negação sistemática da premissa de que a santidade e a graça operem como um habitus infuso ou uma qualidade inerente capaz de curar efetivamente as profundezas do coração.
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Concepção doutrinária da misericórdia divina assemelhada à aplicação superficial de uma simples tinta sobre uma parede intrinsecamente suja e essencialmente inalterada.
A incompatibilidade radical e exclusivista postulada entre a ordem natural e a sobrenatural anula violentamente a imanência da graça na criação material e expulsa o sagrado da existência terrestre cotidiana, contradizendo as passagens bíblicas centrais de São Pedro e de São Paulo sobre a transformação em nova criatura e a participação humana na natureza divina.
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Fechamento intransponível da própria natureza sobre si mesma, trancada na inexorável condenação original ao pecado corrompedor sem vias de santificação da matéria.
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Rejeição teológica total da ordem sacramental, litúrgica, ritual e eclesial interpretadas legitimamente na tradição como os prolongamentos contínuos e terrestres do mistério da Encarnação divina.
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Negação direta do poderoso simbolismo agregador representado na figura de Maria, celebrada como a Esposa do Espírito Santo e detentora da capacidade única de reunir o mundo criado e o desígnio Incriado no próprio coração receptivo.
A profanação severa da ordem natural atrelada à nova teologia provoca uma inexorável psicologização do domínio espiritual, reduzindo a profunda fé teológica e ontológica a uma mera experiência subjetiva, volitiva e predominantemente sentimental muitas vezes centrada na angústia da miséria e do desespero constantes.
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Ambiguidade doutrinária patente nos textos fundamentais sobre a natureza exata da fé operando como uma possível realidade sobrenatural residente concretamente na alma humana.
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Deformação brutal dos temas místicos elevados elaborados originalmente por Tauler, onde a percepção ontológica do nada da criatura converte-se tragicamente em mera danação existencial e dor psicológica.
A consolidação da separação impermeável entre as ordens natural e sobrenatural aniquila inquestionavelmente a consistência ontológica basilar da própria realidade humana, a qual, conforme evidenciado de modo consistente nos relatos fundadores do Gênesis e na pregação registrada nos Atos dos Apóstolos, define-se estritamente pela intrínseca deiformidade formadora e pela contínua e inalienável orientação final para o referencial divino atemporal.
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Impossibilidade absoluta da sustentação lógica ou prática de um humanismo fundado em premissas puramente naturalistas desconectadas da transcendência última.
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Desvio inexorável em direção a uma busca fatídica e inevitável por uma completude plenamente ilusória nos limites da matéria quando a vocação sobrenatural integradora é sumariamente extirpada do sentido vital.
A profanação universal do mundo, a progressiva psicologização do Espírito Santo e a total secularização do ser humano constituem as três consequências filosóficas inelutáveis geradas pelo princípio fundante da Reforma religiosa, cujas antigas barreiras de contenção doutrinária e cultural sofrem atual colapso generalizado face à franca atuação reformista dos recentes intelectuais e católicos neo-luteranos contemporâneos.
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Incapacidade histórica do próprio idealizador inicial em vislumbrar a devastação acarretada pelos desdobramentos últimos de sua doutrina graças ao amortecimento causado por sua própria sensibilidade cristã residual protetora.
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Sufocamento parcial e temporário das grandes potencialidades destrutivas implícitas na doutrina contidas historicamente quer pelo teor do Evangelho quer pela desafiante e preservadora presença ambiental de um influente catolicismo intacto atuando em proximidade social e política.
O núcleo essencial e impulsionador do dramático tormento do primeiro reformador assenta-se na profunda e incontornável aversão direcionada de forma patológica contra a sua própria natureza humana criada invariavelmente à imagem original de Deus, sentimento sombrio que se converte paradoxalmente na afirmação agressiva e hostil calcada no desmedido orgulho da condição de finitude que atua totalmente desprovida e alienada da devida nutrição gerada pela autêntica apreensão do sentido sobrenatural libertador e restaurador.
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Fascinação psicológica simultânea e doentia mantida pela própria individualidade atormentada que se revela extremada e poderosa mesmo em meio às manifestações das mais evidentes fraquezas e oscilações passionais flagrantes.
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Incapacidade persistente e dolorosa de voltar o olhar interior de forma a contemplar o próprio coração aflito revestido com indispensável atitude de humildade genuína sob a luz resplandecente e mitigadora da autêntica misericórdia divina purificadora de todo excesso focado no eu fraturado.