A recusa em estabelecer um discurso normativo final assenta-se em uma humildade especulativa ontológica demonstrada por pensadores como Platão, Damáscio, Nagârjuna e Mestre Eckhart, segundo os quais a palavra só tangencia o inefável ao denunciar ativamente as limitações de seu próprio enunciado.
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A atitude de apagamento não deriva de mera cautela psicológica transitória, mas da sombra imutável imposta pela transcendência absoluta sobre os limites da palavra.
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A ausência de uma doutrina suprema explícita sujeita invariavelmente os discursos de viés negativo ou niilista a riscos de contrassensos teológicos inescapáveis.
A transcendência do inefável abre o campo inexorável para a pluralidade de fato das tradições metafísicas, revelando que a tradutibilidade universal possui limitações inerentes e que as linguagens intelectuais abrigam capacidades hermenêuticas diversificadas e singulares para expressar a revelação.
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A multiplicidade doutrinal não atua como um mero acidente extrínseco desprovido de finalidade e destinado apenas a atestar a unanimidade tradicional das raízes.
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A perda ou a alteração de sentido durante o processo de tradução exige frequentemente a preservação rigorosa e a utilização dos termos textuais originais.
A inexistência de uma doutrina universal e absoluta impõe ao crente o dever de cultivar uma virgindade intelectiva que permita à Palavra divina ressoar soberanamente em sua própria modalidade hermenêutica intrínseca e original.
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Toda revelação traz em si uma compreensão de si mesma desejada pela vontade de Deus e enraizada perfeitamente na inteligência do receptor.
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O aprendizado de linguagens metafísicas deve servir para preparar o terreno do intelecto sem jamais substituir o grão impoluto da Palavra divina pelas construções do discurso humano.
O exame crítico das teses de Guénon sobre o esoterismo cristão esbarra na postura de leitores que exigem a tradução prévia dos dados do cristianismo para as categorias guenonianas, negando simultaneamente a revelação transmitida por Cristo e a validade de sua respectiva Igreja.
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A suposição de que a instituição eclesiástica ignora o sentido daquilo que professa anula inteiramente a garantia divina da transmissão conciliar e da autoridade escriturística.
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O comportamento sistemático de subordinação da linguagem revelada a uma grade de leitura elitista e externa causa um profundo espanto teológico e metodológico.
A admissão de que o referencial hermenêutico de Guénon possa fornecer chaves compreensivas úteis sobre o simbolismo e o mundo moderno, nos moldes antigos de Platão e Aristóteles, condiciona-se obrigatoriamente à preservação inalienável da doutrina da fé formulada textualmente pela Escritura e pela autoridade divina.
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A redução explícita dos mistérios cristãos dogmáticos, como a Trindade e a encarnação, a meras manifestações exotéricas de verdades esotéricas cria embaraços teológicos de grande escala.
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A necessidade imperativa de perscrutar o pensamento de Guénon repousa na constatação de sua extensa dedicação reflexiva ao tema do esoterismo cristão e à natureza dos sacramentos.
A análise apurada do esoterismo cristão requer o delineamento prévio do próprio conceito de esoterismo a fim de evidenciar suas funções históricas e extrair as consequências de seus desvios principais rumo à absolutização desencarnada ou ao enrijecimento institucional secreto.
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A absolutização distorcida manifesta-se em movimentos religiosos sectários que reivindicam o usufruto exclusivo das realidades do puro espírito.
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O enrijecimento institucional revela-se materialmente na atração sedutora por hierarquias clericais paralelas e na submissão a organizações operantes de forma clandestina.
O confronto objetivo das teses de Guénon com a realidade do Novo Testamento, da literatura eclesiástica primeva e da teologia católica culmina no reconhecimento da necessidade absoluta de um espírito esotérico autêntico e plenamente abrigado no mistério central de Cristo.
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O rechaço conceitual restringe-se estritamente ao que se mostra flagrantemente incompatível com a verdade cristã essencial sem resvalar de modo algum para um anti-guenonismo cego e sistemático.
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A perspectiva esotérica legítima confunde-se inseparavelmente com a busca primordial pela interioridade espiritual e pela autêntica via do coração salvaguardada ininterruptamente pela tradição viva.