A quarta etapa, primeira da obra maior, é regida por Vênus: o Sol do ouro e do espírito aparece sobre o mastro da cruz, engole a Lua e traça de novo a cruz dos elementos, mas a recreação ainda não está completa pois a força colorante do enxofre, embora presente, ainda é inconsistente e embrutecida pelo antagonismo dos elementos.
A quinta etapa, segunda da obra maior, é regida por Marte: o Sol ocupa o lugar da Lua no signo de Saturno, mas enquanto em Saturno havia estado caótico, em Marte há descida ativa do espírito até as camadas inferiores da consciência, de modo que o corpo mesmo fique impregnado do enxofre incombustível.
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O significado mais sublime do signo de Marte é a Encarnação do Verbo, que em certo modo comporta uma degradação da divindade, aparecendo como luz nas trevas do mundo.
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Artefio descreve como o corpo se integra no espírito e o espírito converte o corpo num espírito colorido e puro, até que corpo dissolvido se eleva com a alma branca, ambos tão estreitamente abraçados que nunca mais podem separar-se: isso é a dissolução do corpo e a fixação do espírito, que são uma mesma obra.
A culminação da obra maior expressa-se pelo signo do Sol, que se distingue de todos os demais por indicar o ponto central do círculo, tornando evidente o que em todas as fases anteriores estava presente apenas em potência: na forma completa e definitiva, o conteúdo infinito está presente de modo invisível-visível.
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Essa etapa marca a obtenção da cor vermelho, que Nicolas Flamel descreve como o lion vermelho escarlate que devora toda a natureza metálica e a converte em ouro puro, levando o homem de suas tribulações para que despreze a vida terrena e medite em Deus, e cujo fulgor deslumbrante parece querer comunicar algo supercelestial ao homem que, ao contemplá-lo, se assombra, treme e estremece.
Num escrito de Basílio Valentino, o andrógino que simboliza a culminação da obra alquímica tem os três signos do Sol do lado masculino e os três da Lua do lado feminino, com o signo andrógino de Mercúrio formando o elo entre as duas séries.
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Os signos do lado direito podem considerar-se ativos e os do esquerdo passivos, pois a obra menor representa a disposição da alma e a obra maior a revelação espiritual.
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Saturno designa um descenso passivo e Marte um descenso ativo; Júpiter corresponde ao desenvolvimento da receptividade espiritual e Vênus ao alvorecer do sol interior; Lua e Sol representam os dois polos em toda sua pureza; Mercúrio é em si portador de ambas as essências.