No horizonte neoplatônico, especialmente nas Enéadas de Plotino, a Natureza é descrita como olhar silencioso que, contemplando, produz formas, situando-se entre o espírito universal e a matéria prima.
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O noûs contempla o Ser indizível.
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A psyche media entre espírito e Natureza.
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A hyle permanece virgem e puramente passiva.
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A Natureza pode ser entendida como aspecto maternal da matéria prima, ativa e geradora, enquanto a matéria prima permanece imóvel e puramente receptiva.
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Ibn ‘Arabî descreve a Natureza universal como força feminina e materna, identificando-a com o “hálito misericordioso” de Deus que atualiza possibilidades latentes no não-ser.
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Possui aspecto benévolo e caótico.
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A pluralidade implica afastamento de Deus.
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Sua ação é expressão de misericórdia.
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A aproximação entre Ibn ‘Arabî e a doutrina hindu da shakti revela convergência na concepção da força criadora feminina que manifesta e simultaneamente obscurece o princípio uno.
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Shakti corresponde à energia produtiva divina.
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Aparece como beleza e terror.
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Identifica-se também com maya, princípio formador e velador.
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Essa visão não contradiz essencialmente a ontologia clássica cristã, pois a existência é simultaneamente dom e limitação em relação ao Ser puro.
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O aspecto positivo e negativo têm raiz comum.
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A ação impessoal de Deus situa-se em plano distinto da teologia pessoal.
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A alquimia adota esse ponto de vista impessoal.
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Na obra alquímica exterior, a Natureza é força motriz das transmutação; na interior, atua como potência maternal que liberta a alma de sua rigidez estéril.
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É energia potencial das coisas.
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Desenvolve germes ocultos.
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Pode elevar ou arruinar conforme a relação com o ego.
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A Natureza conserva caráter imperativo, mas esse imperativo pode transformar-se em ritmo libertador que eleva a consciência, como o amor que move o Sol e as estrelas segundo Dante.
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A força perigosa inicial torna-se impulso criador.
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O ascetismo verdadeiro transforma forças naturais.
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O egoísmo deve ser destruído, não a energia vital.
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Certas práticas imitativas do ritmo natural, como a regulação da respiração ou a contemplação simbólica da dama Natureza, só têm valor sob condições espirituais adequadas e podem tornar-se perigosas sem orientação.
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Não constituem técnica autônoma.
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Dependem de contexto interior e exterior.
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Despertam forças internas latentes.
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A distinção entre desenvolvimento natural e graça sobrenatural perde sentido na perspectiva hermética, pois a graça opera sempre no interior da Natureza universal.
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A intervenção graciosa pode romper imperativos relativos.
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A Natureza designa campos de realidade variáveis.
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A ação divina pode ser comparada ao relâmpago.
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A alegoria da Natureza como livro, bosque ou mar exprime que seus segredos só se revelam aos iluminados que observam suas leis e se submetem à vontade divina.
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O dragão guarda o velo de ouro.
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Argonautas simbolizam os sábios.
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Sem auxílio divino não há travessia.
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Medeia representa o lado obscuro da Natureza, enquanto Sofia simboliza a sabedoria, expressando dois movimentos: expansão para a pluralidade e retorno ao centro espiritual.
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A força pode corromper ou elevar.
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A fidelidade à sabedoria é condição da vitória.
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A energia despertada é impessoal e infinita.
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A Natureza universal, como ritmo impessoal e infinito presente no homem, constitui o verdadeiro sentido do termo no contexto alquímico, preservando seu significado sem falseamento.
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Não se limita ao indivíduo.
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Participa de ordem cósmica.
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É fundamento simbólico da obra espiritual.