O metal, por sua qualidade de matéria inerte, não pode ser símbolo de faculdade de conhecimento ou vontade, mas por sua natureza estática e inorgânica é expressão de um estado de conhecimento igualmente estático, desligado de formas racionais.
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O conhecimento do corpo, caótico e opaco, empanado pelas paixões e hábitos, é o metal ordinário; o conhecimento corporal clarificado, o metal nobre, é em si um modo de existência espiritual.
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Os alquimistas ensinam que do metal ordinário se deve extrair primeiro a alma; depois o corpo deve ser purificado e passado pelo fogo até reduzir-se a cinzas, para então reunir-se novamente com a alma.
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Quando o corpo se funde com a alma e ambos formam uma matéria pura, o espírito age sobre ela e lhe dá forma perene, revertendo o conhecimento psíquico-corporal à sua possibilidade puramente espiritual; Basílio Valentino compara esse estado ao corpo glorioso dos ressuscitados.
Enquanto a astrologia parte sempre do mais alto, ou seja, dos arquétipos, projetando-os e entrelaçando-os em sentido descendente a partir das posições planetárias, a alquimia parte da matéria ainda sem forma, ou seja, do mais baixo, fundando-se na matéria-prima que, conforme sua natureza passiva, encontra-se abaixo.
A classificação dos planetas por mansões no Zodíaco, quando posicionada no eixo do Zodíaco primitivo estabelecido cerca de dois mil anos antes de Cristo, revela uma ordenação simétrica que coincide com o sentido alquímico dos signos planetários, sugerindo que a alquimia em sua forma conservada até o limiar da Idade Moderna nasceu nesse mesmo momento cósmico.
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Cada planeta possui duas mansões simétricas, feminina e masculina, exceto a Lua e o Sol, que têm apenas uma cada um e dominam respectivamente as duas metades do Zodíaco.
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No lugar mais baixo do esquema, à volta do solstício de inverno na região das trevas e da morte, reside Saturno, cujo oponente metálico é o chumbo; acima sucedem-se Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio, cujo signo é o único que inclui tanto o emblema do Sol quanto o da Lua, sendo a mãe do ouro e o primum agens da obra alquímica.
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O Sol e a Lua partilham o cimo do Zodíaco: a Lua representa a alma em perfeita receptividade, e o Sol o espírito ou a alma purificada e transformada pelo espírito.
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O mito alquímico do rei-Sol que morre, é enterrado e renasce passando por sete dominações é versão narrativa desse simbolismo astrológico, o qual é por sua vez a imagem cósmica de uma lei interior: o Sol é no homem a centelha divina que aparentemente morre quando a alma penetra na mansão de Saturno, mas em seguida renasce e, após ascender pelas sete etapas do conhecimento, torna-se o leão vermelho, o elixir que tudo transmuta.